UM OLHAR DIFERENTE PARA A POLÍTICA. UMA FORMA DIFERENTE DE FAZER POLÍTICA

Quem, por ideal e/ou por ofício, passa a vida escrevendo, não difere de quem se dedica a outras atividades: por maior que seja sua experiência acumulada, esta só o imuniza de erros grosseiros e desempenhos medíocres, mas não garante excelência diária.

Tenho autocrítica: quando coloco o ponto final, sei muito bem se produzi um texto meramente satisfatório  ou um  inspirado. Os primeiros, evidentemente, são em número bem maior.

Ao criar um blogue de campanha, optei por não torná-lo um vaso comunicante com este blogue de assuntos gerais, que já tem um público fixo, não exatamente o mesmo (começando pelo fato dos leitores estarem espalhados pelo País e por outras nações, de forma que muitos deles poderão não dar a mínima pelas eleições paulistanas).
Mas, resolvi também que transporia tal limite quando o post do Diário de Campanha do Lungaretti fosse realmente inspirado –até porque preciso demais de uma  little help from my virtual friends.   É, praticamente, a única chance que tenho de levar minhas lutas ao campo do inimigo, como pretendo.

Caso do artigo desta 5ª feira (2), Sem medo de ser sincero, que é também o mais abrangente, quanto aos meus objetivos na atual empreitada, desde o inicial, Eu, Celso L., ex-resistente, torturado e… vereador?!.

Desde já pedindo paciência e compreensão aos leitores, eu o transcrevo em seguida:

Enquanto a campanha eleitoral não esquenta, o que deverá ocorrer a partir do início do horário gratuito em rádio e TV, venho postando aqui alguns dos meus textos mais emblemáticos –aqueles que, para além do episódio específico que os gerou, definem meus valores e visão de mundo.
Não pretendo conquistar eleitores prometendo projetos que o vereador de uma banca minoritária (o PSOL desta vez conseguirá uma representação na Câmara, com certeza, mas só por milagre vai ser uma suficiente para garantir-lhe maioria…) não consegue viabilizar por si só, ficando na dependência de composições com outras forças –e eu, por convicções e princípios, jamais entrarei nos  toma-lá-dá-cá  espúrios da politicalha.
Então, o meu perfil é o que se ressalta nesses textos (vide relação abaixo) sobre os ideais que me inspiram, as missões que assumo, os mitos que cultuo, os exemplos que sigo. E meu compromisso é honrá-los em cada atitude e em cada palavra, ao longo do meu eventual mandato. Creio ser muito, muitíssimo mais do que a maioria promete…
E creio também já ter dado demonstração de que consigo ser, como poucos, a mosca na sopa ou a pedra no sapato dos poderosos: 
  • ajudando a salvar Battisti dos inquisidores de dois continentes; 
  • obrigando a grande mídia várias vezes a retratar-se ou a abrir espaço (que não queria conceder) para o  outro lado
  • dando o nome a certos bois que até abrem processos contra quem os designa como tais; 
  • forçando o Governo paulista a fazer a PM desistir de seu culto explícito à ditadura militar (o implícito, infelizmente, perdura, como se constatou nas duas últimas execuções maquiladas em  resistência à prisão  que chocaram o País inteiro).
Adiante, se receber doações eleitorais, produzirei folhetos caseiros para os distribuir eu mesmo (junto com quem porventura queira dividir a tarefa comigo). Caso contrário, farei campanha só na internet. 
Mas, passando por dificuldades financeiras neste bizarro país em que mandados de segurança levam cinco ano e meio inconclusos, não tirarei um centavo do orçamento familiar para colocar na campanha. Meus dependentes vêm sempre em primeiro lugar.
O MENSALÃO
Sobre o grande assunto do momento para a mídia, o julgamento do  mensalão, já me manifestei no artigo apropriadamente intitulado Pra não dizer que não falei do mensalão (ver aqui).
Eis o cerne da questão:

O grande erro do PT foi o de, traindo seus compromissos e sua história, haver incidido nas práticas que antes execrava: comprou o apoio de parlamentares fisiológicos com recursos públicos, pois acreditou que só assim conseguiria ter seus projetos mais importantes aprovados no verdadeiro balcão de trocas em que se transformou o Congresso.

A queda dos anjos provocou orgasmos de júbilo naqueles que sempre foram demônios.

Então, tendo vindo à tona o  mensalão, a apuração dessas práticas corriqueiras da política crapulosa foi feita, desta vez, com empenho obsessivo, inaudito; nunca havia sido colocada tamanha profusão de holofotes sobre os muitos esquemas IDÊNTICOS denunciados, só que referentes aos partidos mais à direita.

Então, no que diz respeito a este processo em particular, a condenação procederá.

Mas, vai implicar o estupro de um princípio fundamental das democracias: a igualdade de todos perante a lei.

Pois, pelos mesmíssimos motivos, todos os outros partidos que presidiram o Brasil desde a redemocratização deveriam ser também condenados.

Quem conhece os valores da esquerda da minha geração (a de 1968) sabe que sempre nos vimos como aprendizes do  homem novo, que estaríamos sendo julgados a cada momento pelo cidadão comum:  este acreditaria ou não em nossos ideais, em grande parte, pela imagem que deles déssemos como pessoas. Vai daí que procurávamos, a todo custo, corresponder a tudo aquilo que professávamos.

Não mudei. Tanto que, embora não seja  religioso, cito amiúde o “que a vossa palavra seja sim, sim, não, não, pois o que passar disso será de procedência malígna”, do São Mateus (5:37).

Aliás, permanecendo no campo místico, considero-me uma pessoa imune a tentações do tipo daquelas a que muitos políticos sucumbem: passei a vida contentando-me em obter apenas as quantias de que realmente necessitava. Em vez de fazer horas extras ou pegar  frilas  para fazer pé-de-meia, optei por viver a vida e travar minhas lutas.

Até porque sabia ser capaz de sobreviver com bem pouco, devido à minha vivência nas comunidades alternativas dos anos 70. Durante a terrível crise financeira pela qual passei em 2004/5, p. ex., ainda era capaz de caminhar mais de 20 quilômetros por não ter com que pagar ônibus.

O que bagunçou meus esquemas mentais foi a necessidade que senti, ao completar 50 anos, de realizar um velho sonho que deixara pra trás: o de ser pai biológico, e não apenas adotivo. A responsabilidade então assumida com as duas filhas que acabei tendo passou a preponderar sobre todo o mais.

O que não me torna suscetível de ser corrompido como vereador: os vencimentos normais dos representantes do povo na Câmara (quantos realmente o são?) me parecem astronômicos; nem saberia como os gastar, de tanto que excedem minhas necessidades e as dos meus familiares.

Sou revolucionário. Para mim, não há dinheiro no mundo que valha a imagem que deixarei na História e o exemplo que legarei aos que virão depois de mim.

RELAÇÃO DOS TEXTOS PARADIGMÁTICOS (clique p/ abrir):

UMA MISSÃO QUE ASSUMO: LANÇAR UMA PONTE ENTRE OS IDEAIS DE 1968 E A CONTESTAÇÃO ATUAL 
UM MITO QUE CULTUO: ‘CHE PUEBLO’
UM EXEMPLO QUE SIGO: O DA COMUNA DE PARIS
UMA MISSÃO QUE ASSUMO: A DEFESA DA MEMÓRIA DA RESISTÊNCIA E DOS RESISTENTES 
UMA MISSÃO QUE ASSUMO: O EXERCÍCIO DO PENSAMENTO CRÍTICO 
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE
UMA MISSÃO QUE ASSUMO: A SOLIDARIEDADE AOS INJUSTIÇADOS 
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A REVOLUÇÃO MUNDIAL DO MARX
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A ‘SOCIEDADE ALTERNATIVA’ DO RAULZITO

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