DILMA BRINCA COM FOGO. PODEREMOS TODOS NOS QUEIMAR

“Aqueles que não conseguem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo”, advertiu o filósofo, poeta e ensaísta espanhol George Santayana.

Como eu, felizmente, não sofro de amnésia, fui dos mais incisivos críticos da utilização do Exército nos morros cariocas. Em 2008, quando os militares entregaram três jovens para serem torturados e mortos por traficantes no Morro da Providência, fiz tudo que estava ao meu alcance para que se cortasse o mal pela raiz.

O Exército existe para combater inimigos estrangeiros, não para massacrar civis brasileiros, marginais ou não. Guerras não podem ser confundidas com a atividade policial, por muitas razões. As principais:

  • ao fogo os militares respondem com fogo de intensidade e potência ainda maiores, isto faz parte da cultura deles, mas jamais pode ocorrer quando existem civis na linha de tiro (e nos nossos morros, sempre há);
  • se militares entram em contato com bandidos, tende a ocorrer o contágio (o qual, paradoxalmente, acaba reforçando as fileiras do crime com elementos treinados para  guerrearem  contra as forças da lei, o que exacerba o confronto).
Last but not least, as lições do passado são eloquentes quanto ao risco de os militares, chamados para resolver  alguns  problemas para os civis, tomarem gosto pela coisa, sentindo-se tentados a resolverem  todos  os problemas  no lugar  dos civis.

Eles esconderam o rosto quando vieram
lhe expor o projeto Proteger, Dilma?

É compreensível que o ex-presidente Lula, cujo interesse pela política não fora ainda despertado na primeira metade da década de 1960, ignorasse este perigo. Nunca deu demonstração de conhecer mais a fundo o período de preparação da quartelada de 1964, o que explica sua leviandade em relação aos  ovos de serpente.

Mas, a presidente Dilma Rousseff, que conheci em outubro de 1969 como a companheira  Vanda  da VAR-Palmares, não tem o direito de ser ingênua. Nenhum dos que estávamos naquele congresso tempestuoso –realizado numa mansão alugada em Teresópolis, simultaneamente ao sequestro do embaixador Charles Elbrick pela ALN– e sobrevivemos, tem o direito de ser ingênuo.

É simplesmente estarrecedor ela haver aprovado um projeto em que o Exército se propõe a garantir a integridade de prédios público e a oferta de serviços essenciais em situações de greve!

Chama-se Proteger. Resta saber quem nos protegerá dele…

Dilma não sabe mais distinguir o sibilar das serpentes? 

Não se deu conta de que esta missão ficaria muito melhor nas mãos de efetivos estaduais (pulverizados, portanto, o que dificulta articulações golpistas), como a Guarda Nacional dos EUA, submetida à autoridade dos governadores de cada um dos 50 estados? 
Que colocar 13.300 alvos estratégicos sob a  proteção  do Exército é dar um passo enorme no sentido de tornar permanente a presença dos militares no cotidiano da sociedade civil?

Não preciso de bola de cristal para prever que, em choques entre soldados e grevistas, haverá mortes. É a ordem natural das coisas. 

Para nunca esquecermos: o enterro dos três
jovens assassinados no Morro da Providência.

E, valha quanto valer minha opinião, ela já está dada: quando tal acontecer, a culpa maior será de Dilma, a última governante do mundo que poderia aprovar um projeto desses.

De resto, só nos resta torcermos para que não aconteça o pior. O Brasil atravessou mais de um terço do século passado sob ditaduras; e, da última vez, deu muito trabalho mandarmos os militares de volta para os quartéis.

Fico pasmo ao vê-los chamados para as ruas apenas porque uma antiga revolucionária não tem jogo de cintura para administrar… greves!!!

Tanto quanto o Serra, também a Dilma parece ter esquecido quem foi. Mas, por não conseguir lembrar o passado, é a nós que ela poderá condenar a repeti-lo.

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3 comentários

  1. É, companheiro, a Dilma segue a “doutrina Zeca Pagodinho” (Deixe a vida me levar).
    No começo do ano, os milicos (Brilhante Ustra) lançaram um manifesto caluniando ela.
    A polícia participa de torturas e execuções nos morros.
    O mensalão em julgamento.

    E a Dilma? Nem aí.

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