JOÃO PAULO CUNHA, O MENSALÃO E A PROSTITUTA RESPEITOSA

Tinha várias facetas a brincadeira que fiz no último sábado, 25 (vide aqui), ao intitular meu artigo de João Paulo Cunha é culpado…, mas acrescentar o subtítulo …de fazer uma péssima comparação histórica.

De um lado, como meu blogue tem 651 seguidores, coloquei um título algo chocante, que motivasse os leitores desses sites e blogues a abrirem o post. Algo como a célebre capa d’O Pasquim, que trombeteava, em letras garrafais: TODO PAULISTA É BICHA. Quem olhasse com mais atenção, contudo, perceberia a existência de uma ressalva, em tipos minúsculos. A frase inteira era TODO PAULISTA que não gosta de mulher É BICHA.

E por que eu fazia tanta questão de que fosse lido tal texto? Porque, sendo bom conhecedor dos horrores da ditadura de Getúlio Vargas, nunca me conformei com a imagem deturpada que dele têm as novas gerações. 

Pensam que o seu papel histórico da década de 1950 foi o que sempre cumpriu, ignorando o período 1930/1945, quando ele não passava de um aplicado discípulo de Hitler e Mussolini. Seu chefe de polícia política, Filinto Muller, uma espécie de Brilhante Ustra da época, foi retratado pelo jornalista David Nasser como um carrasco que mereceria ter sido julgado pelo tribunal de Nuremberg.

Já que os jovens esquerdistas de hoje não leem livros como Memórias do cárcere (Graciliano Ramos) e a trilogia Os subterrâneos da liberdade (Jorge Amado), tento suprir tal lacuna da melhor maneira possível.

Eu também pretendi, com minhas ironias, reduzir o assunto da moda às verdadeiras proporções. O julgamento do  mensalão  não mereceu de mim nenhuma abordagem que o levasse a sério, como as da grande imprensa e as dos ingênuos defensores dos réus na web, simplesmente porque não é sério.

Trata-se, tanto quanto o fora Collor!, de mais uma shakespereana  tempestade de som e fúria significando nada. De vez em quando o Brasil pinça alguns personagens para responderem pelo que é regra no mundo da política e dos negócios. Ou seja, trata como exceção o que todos sempre fizeram e fazem.

Provindo de nossos podres Poderes, tais cruzadas são de uma hipocrisia nauseante. Fazem-me lembrar o título de uma peça teatral de Jean-Paul Sartre, A prostituta respeitosa

Sacrificados os bodes expiatórios de ocasião, tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Então, que aplauda ou vaie tal farsa mambembe quem quiser; ela só me causa tédio. A corrupção é intrínseca ao capitalismo e, enquanto não atacarmos o mal pela raiz, continuaremos patinando sem sair do lugar.

Finalmente, eu estava dando um toque do que se sabia antes mesmo do espetáculo começar: Cunha seria condenado. Era a chamada  caçapa cantada.

E, como outrora caí numa armadilha da História e levei décadas para me libertar, sou sempre compassivo em relação a quem, inocente ou culpado, esteja purgando os pecados que todos cometem.

Conheço Osasco, a base eleitoral de Cunha. Sei há quanto tempo ele cultiva o eleitorado local, preparando o grande salto para a prefeitura. Quando chega finalmente a hora, ele é abatido em pleno voo! Este deve ter sido o pior dos castigos para ele.

Torço para que, além do ostracismo, não se chegue ao exagero de impor-lhe prisão em regime fechado, como o noticiário especula.

A prostituta respeitosa não tem moral para ir tão longe, depois de haver   aliviado   para tantos Collors e Malufs. Deixemos a sede sangue para os vampiros e os linchadores.

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2 comentários

  1. Confesso que não conhecia o lado nazista de Getúlio, apesar de ter 50 anos! Agora que conheço, seria interessante um post da parte deste blog mostrando o Getúlio que é admirado para que os leitores (principalmente os mais jovens) tivessem um equilíbrio na hora de montar uma visão. Quanto a JPC, quem comete crime tem que pagar, mas o triste é ver a máxima corte do país votando intimidada e fazendo malabarismo linguísticos (como a comparação da batida de um carro na traseira do outro de Pelluso) para justificar a condenaçao sem prova.

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  2. Meu caro Professor,

    não cabia neste artigo, mas o atrelamento do sindicalismo ao Estado também era de nítida inspiração fascista. A legislação trabalhista do Getúlio não passou de cópia escrachada da Carta del Lavoro de Mussolini.

    Quanto aos méritos do Getúlio derradeiro, no artigo anterior sobre o João Paulo Cunha já reverenciei sua coragem em suicidar-se para frustrar os planos udenistas de tomada de poder.

    Quanto ao nacional-desenvolvimentismo, eu considero um erro crasso a esquerda ter-se atrelado a ele, então não sou a pessoa mais indicada para prestar-lhe tributo.

    Essa estratégia de CONCILIAÇÃO de classes desembocou no golpe de 1964. O PCB jamais deveria ter colocado a LUTA de classes em segundo plano.

    Um forte abraço, mestre!

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