É PROIBIDO PROIBIR AS CAÇADAS DO PEDRINHO!

Para nunca esquecermos: a dignidade dos atletas que
fizeram a saudação do Poder Negro no pódio olímpico.
Ridículo atroz: os patrulheiros cricris que tentaram e não conseguiram fazer com que o Ministério da Educação vetasse a adoção nas escolas do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, agora atraíram o movimento negro para sua cruzada obscurantista e retrógrada. Estão submetendo esta questiúncula ao Supremo Tribunal Federal.

Levamos tanto tempo para nos livrar da censura ditatorial e agora esses aprendizes de Dona Solange querem trazê-la de volta! Repulsivo.

Repito o que pessoas familiarizadas com a literatura estão carecas de saber:

  • quem expressava uma visão caricata da personagem Tia Nastácia era a personagem Emília, não o autor;
  • a visão da personagem Emília era a visão que muitas pessoas preconceituosas tinham mesmo dos negros, então nada há de errado em que ela esteja expressa num livro, pois a função de obras literárias nunca foi a de esconder o que existe, fingindo que não existe (maquilagem não é cultura, tanto quanto consultório sexológico de TV não é cultura);
  • o errado seria o autor  endossar  os preconceitos raciais, o que ele nunca fez;
  • o autor não falava pela boca da personagem Emília, imatura e pirracenta, mas sim pela boca dos personagens amadurecidos e compassivos, principalmente a Dona Benta e o Visconde de Sabugosa;
Para nunca esquecermos: a abjeta censura, que levava 
o “Jornal da Tarde” a substituir notícias por receitas.
  • se formos colocar livros no index por causa de usos e pequenos detalhes de época, os chatos de galocha vão dedicar-se em tempo integral à busca de pêlos em ovo e acabará sobrando, para fins pedagógicos, apenas a tralha recente, medíocre e descartável, infinitamente inferior à literatura infanto-juvenil do GRANDE REVOLUCIONÁRIO que foi Lobato.
É o sonho das editoras: que, a cada ano, troquem-se todos os livros, maximizando-lhes as receitas. Houve tempo em que eu recebia desses tentáculos da indústria cultural, para escrever pequenas críticas, o pacote anual de lançamentos paradidáticos. Folheava-os e quase vomitava; sentia enorme dó das novas gerações. 
Aquilo servia para torná-las consumistas bem adaptadas a uma sociedade desumana, não para estimular-lhes o espírito crítico e contestatório, como Lobato fazia admiravelmente. Mil vezes melhor para nós seria se a meninada estivesse hoje curtindo O Sítio do Picapau Amarelo ao invés da saga Harry Potter!

Quanto ao movimento negro, que sempre apoiei em suas causas justas –defendi com unhas e dentes as cotas universitárias e sou sempre o primeiro a denunciar a vandalização de templos umbandistas por hordas nazistóides–, lamento muito que se tenha colocado a reboque desses intriguentos de boutique.

Pregar a censura, explícita ou velada, dá péssima imagem a quem o faz. Os antigos companheiros de jornada deveriam lembrar-se de que, quando nós (os brancos revolucionários, seus aliados) chocávamos os racistas fazendo coro com a afirmação de que  Black is beautiful!, havia outro slogan lapidar, surgido nas barricadas parisienses: É proibido proibir!

Nenhum dos dois defasou. Devemos repeti-los sempre, para exorcizar tanto o fantasma da Ku Klux Klan, quanto o de Torquemada.

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