O QUE ESTÁ POR TRÁS DA PRISÃO ABERRANTE DO PROFESSOR BASCO?

Desde a última 6ª feira (18), encontra-se detido no Brasil o antigo militante do separatismo basco Joseba Gotzon, que desistiu da luta, veio para cá e passou os últimos 16 anos levando vidinha pacata e distanciada da política, como professor de espanhol no Rio de Janeiro.
Conforme esclareceu (vide aqui) o também professor Carlos Lungarzo, que há mais de três décadas atua como defensor dos direitos humanos, há DÚVIDAS quanto à participação de Gotzon num atentado sem vítimas fatais:

A Espanha diz que ele é suspeito de ter participado de um ataque a bomba em 1991, no qual foi ferido um policial. Mas, o próprio estado espanhol não diz que isso esteja confirmado.

De resto, ainda que fosse provada sua participação, não há mais hipótese de ele ser punido: O CASO PRESCREVERÁ NA SEMANA QUE VEM! Foi o que autoridades espanholas admitiram ao jornalista Mauro Santayana (vide aqui), antigo correspondente da Folha de S. Paulo em Madri, que continua tendo ótimas fontes naquele país.

Lungarzo: contra Gotzon
existem apenas suspeitas

Então, os paralelos com o Caso Battisti existem, mas também há diferenças importantes:

  • o governo espanhol não parece nem de longe estar tão interessado na extradição de Gotzon como o de Silvio Berlusconi estava; e
  • tratando-se de crime menos grave do que o falsamente atribuído a Battisti (ferimento e não morte), sem uma sentença condenatória dos tribunais espanhóis e que estará prescrito em questão de dias, a possibilidade de o Conselho Nacional para os Refugiados recomendar a extradição, o ministro da Justiça ou o STF autorizá-la e a presidente Dilma Rousseff aprová-la é NENHUMA.

As grandes questões são: por que a Polícia Nacional da Espanha veio atrás do inofensivo e já esquecido Gotzon no Brasil e por que a Polícia Federal brasileira acumpliciou-se com tal iniciativa FLAGRANTEMENTE ARBITRÁRIA E INÚTIL.

A hipótese mais plausível é que policiais discordantes da política de pacificação que está possibilitando a reintegração dos antigos etarras (os militantes da  Euskadi Ta Askatasuna, ou seja, Pátria Basca e Liberdade) à vida política espanhola, estejam fazendo uma PROVOCAÇÃO, para reabrir velhas feridas e atrapalhar a distensão implementada pelo governo, criando-lhe um constrangimento.

Vale lembrarmos, p. ex., que os militares franceses chegaram a formar uma organização terrorista (a OAS) e a atentar muitas vezes contra a vida do então presidente Charles De Gaulle, por estarem inconformados com o fato de ele haver ordenado a saída das tropas e colonos da Argélia.

Santayana: agentes da PF
merecem ser punidos

E, por aqui, a decisão do ditador Ernesto Geisel de desativar o DOI-Codi foi respondida com atentados a várias entidades da sociedade civil, incêndio de bancas de jornais e até a prisão de Vladimir Herzog (os agentes da repressão acreditavam que, sendo o  Vlado  um professor muito querido na USP, o movimento estudantil sairia às ruas, dando-lhes um argumento para defenderem a manutenção do braço hediondo do regime).

Mais difícil de entendermos é a colaboração  risonha e franca  da PF –salvo se pensarmos numa afinidade de policiais recalcitrantes de dois continentes, incapazes de aceitar as decisões tomadas pelos governos democráticos a que deveriam estar fielmente servindo.

Está certíssimo, portanto, o Santayana:

Se não há acordo formal, negociado pelos respectivos ministérios de Relações Exteriores, os policiais brasileiros envolvidos podem sofrer sanções disciplinares. Nesse caso, a Polícia Federal não deve prestar serviço a autoridades estrangeiras, nem a Policia Nacional da Espanha atuar no Brasil.

Neste momento, mais preocupante do que o caso em si (tende a desabar como castelo de cartas quando o Conare dele se ocupar) é a possível existência de um foco extremista dentro da PF –a qual, no mínimo, deve aos brasileiros uma explicação sobre os motivos de ter agido como agiu.

E nunca é demais lembrarmos que Gotzon JAMAIS DEVERIA ESTAR PRESO. Privam-no abusivamente da liberdade, repetindo o que os então ministros do STF Cezar Peluso e Gilmar Mendes fizeram com Cesare Battisti, ao mantê-lo encarcerado por mais cinco meses depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia dado o xeque-mate na questão.

NÃO PODEMOS PERMITIR QUE TAIS RETALIAÇÕES ILEGAIS E  VENDETTAS  MAQUILADAS VIREM MODA NO BRASIL!!!

Daí a necessidade de os defensores dos direitos humanos se manifestarem pela libertação imediata de Joseba Gotzon, firmando a petição on line que pode ser acessada aqui e formando correntes de solidariedade.

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7 comentários

  1. É a banda tucana da PF agindo de novo! O objetivo é constranger mais uma vez o governo federal como ocorreu na invasão do escritório da presidência da República. Sei disso através de amigos dentro da própria PF. Daí porque não posso me identificar…

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  2. Só sei que qdo Batisti teve seu caso julgado o STF ainda tinha um pouco de isenção. Agora, depois de ter sido transformado em Tribunal de Exceção Midiático, é outro STF, farão o que bem entenderem, como disse o imperador Barbosa, “acima do STF não há nada”, claro, não sendo de direita o réu…quem viver verá

    spin

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  3. Companheiro,

    o Joaquim Barbosa votou sempre em nosso favor durante o Caso Battisti. Duas vezes voto vencido (4×5) e na terceira, vencedor (5×4).

    O problema é que o caso do mensalão não foi visto por alguns ministros como um embate direita x esquerda, mas sim como uma batalha da luta contra a corrupção.

    Então, tenho a certeza absoluta de que, numa eventual decisão sobre o Gotzon, o Marco Aurélio Mello, o Joaquim Barbosa e a Carmen Lúcia serão contra a extradição.

    E o fanático medievalista Cezar Peluso já não está mais lá, o que ajuda muito. Este sempre foi o pior de todos, pois acredita mesmo no ideário da direita, ao contrário, p. ex., do Gilmar Mendes, que o encampa apenas porque é a postura mais favorável aos seus interesses.

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  4. Nas próximas decisões do Joaquim Barbosa é que saberemos se ele é outro ou continua o mesmo.

    O certo é que o julgamento do mensalão não permite conclusões desse tipo, nem em relação ao Barbosa, nem ao Marco Aurélio Mello, nem à Carmen Lúcia. É perfeitamente plausível que os três se enxergassem como cruzados da luta contra a corrupção.

    Da mesma forma, o Lewandowski não é nem jamais será de esquerda. Não tenho a mínima idéia do porquê da linha que ele adotou neste único caso, mas, assistindo às quatro sessões de julgamento do Caso Battisti de cabo a rabo, posso afirmar com certeza absoluta que ele está à direita, bem à direita, dos três acima citados.

    As coisas em Brasília são muito mais complexas do que as visões panfletárias e simplórias que alguns companheiros deram.

    Há muitos fatores que os desavisados não levam em conta, desde favores recebidos dos poderosos (com a obrigação de darem contrapartida) até o profundo ódio entre alguns ministros, que gostariam mesmo é de apunhalarem-se uns aos outros.

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  5. Sou a favor de julgamentos justos, justiça boa é justiça justa, o que não foi o caso do julgamento do “mensalão” e seus ineditismos toscos visando simplesmente ferrar desafetos políticos, o próximo é LUla, o Gurgel só tá fazendo uns gatos para remeter o processo para o STF para que o Batbosa puxe a guilhotina

    spin

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  6. Deixe as teorias de conspiração e as panfletarices pra lá ou você nunca entenderá o que está realmente se passando.

    O Gurgel já deixou bem claro que, se houver investigação sobre o Lula, caberá aos promotores de 1ª instância.

    Trocando em miúdos: o Lula morrerá de velho antes de alguma condenação transitar em julgado.

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