BEIJO DA MORTE: CAPITALISMO EXTERMINA MAIS 235

Sob o capitalismo, a prioridade máxima é o lucro. A vida humana vem depois.

Então, a cada grande tragédia o quadro que se repete é o de homens e mulheres vitimados pela ganância.

Eu era praticamente vizinho do Edifício Joelma, cujo incêndio, em 1974, causou 144 óbitos. Então, quando a imprensa publicou a lorota de que os funcionários dos escritórios não souberam encontrar as escadas de emergência, quase vomitei.

O principal negócio lá instalado era uma financeira. Havia controle extremamente rígido de portarias, para que ninguém lograsse escafeder-se com a sagrada grana. Daí tangerem toda a movimentação entre andares para os elevadores, TRANCANDO as escadas. Deu no que deu.

Agora foi a vez da cidade gaúcha de Santa Maria, nome agourento –a cidade de Santa Maria de Iquique, no Chile, foi palco em 1907 do massacre de centenas de trabalhadores esfaimados por tropas militares, episódio imortalizado numa belíssima cantata do grupo Quilapayún.

Por ganância, na tal boate Kiss (cujo beijo foi o da morte…) dificultava-se a movimentação das pessoas, tanto que nem mesmo saída de emergência existia. Era mais importante que ninguém caísse fora sem saldar sua comanda, a ponto de, no início do incêndio, os seguranças ainda estarem mais preocupados em BARRAR a fuga dos clientes.

Por ganância, os extintores eram FALSIFICADOS.

Por ganância, a banda usou um sinalizador baratinho (R$ 2,50) que só serve para espetáculos ao ar livre, ao invés de adquirir o mais caro (R$ 70), indicado para recintos fechados.

Por ganância não se investiu na estrutura necessária para realmente garantir a segurança dos frequentadores.

Por ganância se permitiu o ingresso de um número demasiado de pessoas, extrapolando em muito a lotação recomendada.

CONTAGEM REGRESSIVA

Resumo da opereta: o capitalismo exterminou mais 235 seres humanos. E, em sua fase terminal, continuará cumprindo a função de anjo exterminador, até que o matemos nós.

Esta opção entre a vida e a morte, teremos de fazê-la à medida que as alterações climáticas forem se acentuando.

Torcendo para que, quando a ficha afinal cair, ainda tenhamos como assegurar a perpetuação da espécie humana, independentemente dos milhões e milhões que o capitalismo já terá sacrificado com a maximização das catástrofes causadas pela ganância.

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4 comentários

  1. Valeu, grande Celso! Eu estava esperando um comentário seu sobre este assunto. Bateu encima! Estava faltando alguém fazer uma análise lúcida sobre o caso. Eu assino embaixo: ganância, individualismo, mesquinharia com a sagrada vida humana!

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  2. Mais um idiota escorregando no acontecido… Só quero lembrar que sua China teve os mesmos incidentes com número de vítimas também alto, que a URSS provocou mortalidade de câncer diversas vezes maior espalhando radiação na Ucrânia e na Europa Oriental, que seu beato Stalin matou aproximadamente 40 milhões de pessoas, 6 milhões só na Ucrânia, promovendo a fome coletiva, e Mao, 60 milhões. Ninguém encarna o capitalismo ou a miséria, imbecil! Isso pode demonstrar que o Estado é incapaz de estar presente em todos os momentos da vida social. O miserê do seu sistema só provou isso tudo e muito mais.

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  3. Augusto,

    eu jamais considerei a China e a URSS como modelos do socialismo sonhado por Marx ou do anarquismo de Proudhon, mas apenas como sociedades que perderam o trem da História, não se industrializaram no momento correto e depois utilizaram retórica marxista para justificar CAPITALISMOS DE ESTADO com os quais tentaram compensar seu atraso em promover REVOLUÇÕES BURGUESAS.

    Como tais regimes nunca tiveram hegemonia mundial, não se pode julgar o socialismo por eles. Já o capitalismo domina o mundo há mais de dois séculos e nos levou à beira da extinção da espécie humana.

    Salta aos olhos que, nas próximas décadas, só sobreviveremos se encararmos coletivamente a luta pela sobrevivência. É simples assim. Ou nos ajudamos mutuamente, ou seremos dizimados.

    Dizem alguns que o capitalismo não é tão venal quanto à fiscalização de entidades como no Brasil. No entanto, mesmo nos EUA curva-se aos interesses da indústria automobilística, ao invés de priorizar a salvação da humanidade.

    Ou seja, lá pode ser menos ruim no varejo, mas é a mesma merda no atacado.

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