TÓFFOLI: QUERIDINHO DOS BANQUEIROS… CUJOS PROCESSOS RELATA

Como é a cara do deslumbramento com o poder? Assim.
Quem acompanha meu trabalho sabe que eu tenho uma razoável taxa de acertos em posicionamentos e previsões. 
Mas, evidentemente, infalível não sou. E meu maior erro, de um bom tempo para cá, foi ter apoiado José Antonio Dias Tóffoli para ministro do Supremo Tribunal Federal.
Naquele segundo semestre de 2009, os ministros Gilmar Mendes e Cezar Pelluso agiam de maneira gritantemente parcial em todos os trâmites referentes a Cesare Battisti. As perspectivas para o julgamento do pedido de extradição italiano eram as piores possíveis. Então, quando o presidente Lula indicou para o STF um advogado inexpressivo, sem currículo à altura e até suspeito de más práticas, cometi um erro que costumo recriminar nos outros: posicionei-me utilitariamente. Mea maxima culpa.
Pensava com meus botões que ele jamais conseguiria ser pior do que Mendes e Peluzo, a aliança do reacionário por conveniência com o reacionário por carolice.
Só que Mendes contra-atacou, dando entrevistas em que pôs em xeque a qualificação de Tóffoli.  Foi o bastante para boa parte da grande imprensa, que obedecia à sua batuta, fazer coro indignado. Até em editoriais. 
Atenção: Tóffoli é o papagaio de pirata, não o beijoqueiro
Aí Toffoli e Mendes conversaram a sós… e o segundo mudou diametralmente de posição. Passou a endossar o novo  colega; e o PIG, obediente, se calou. 
Não foi surpresa nenhuma para nós quando Tóffoli  já empossado, se declarou impedido para julgar o Caso Battisti. Sabíamos que alguma contrapartida haveria. E até adivinhávamos qual seria. Esta mesma. 
Agora, O Estado de S. Paulo revela que Toffoli NÃO se declarou impedido para relatar processos que envolvem o Banco Mercantil do Brasil, instituição para a qual deve até as calças. E que as prestações dos seus dois empréstimos (totalizando R$ 1,4 milhão) foram, magnanimamente, reduzidas de 1,35% para 1%. Como diria um humorista,  isto é que é bondade da boa
Tóffoli também NÃO se declarou impedido para atuar nos processos do advogado Roberto Podval, aquele criminalista que o convidou para assistir a um casório na ilha italiana de Capri, com as (nababescas)  despesas de hospedagem todas pagas. 
NEM para relatar no STF uma ação envolvendo um adversário político do seu irmão José Ticiano Dias Tóffoli.
Vamos ver se o STF, que tanto critica o corporativismo no Congresso Nacional, será agora capaz de cortar a própria carne. Caso contrário, concluiremos que toda aquela retórica empolada não passava de conversa pra boi dormir.
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1 comentário

  1. Toffoli se ufana de ter sido “o único ministro do Supremo convidado pro casamento do filho do Safra”. Pra quem não sabe, David Safra, filho de Joseph Safra, casou-se com Tammy Kattan em festa nababesca, em 6 de junho de 2012. Naquela data, o Supremo decidiu, em sessão administrativa, que o Mensalão seria julgado a partir de agosto daquele ano. Toffoli faltou à sessão para ir ao casamento, no qual desembarcou a elite política e econômica brasileira. A imprensa escondeu a presença de Toffoli no evento. Ele foi colocado, na festa, numa mesa ao lado do banqueiro. Toffoli relata recurso extraordinário em que se discutem os expurgos inflacionários de planos econômicos, no qual os bancos têm grande interesse.

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