TRIBUTO A GIULIANO GEMMA (1938-2013): ASSISTA A "DIAS DE IRA"

Faz uma semana que morreu o ator italiano Giuliano Gemma, aos 75 anos, vítima de um acidente rodoviário.
Ele foi o grande  mocinho à antiga  do western italiano: interpretava o  bom rapaz, ao contrário de Franco Nero, Clint Eastwood, Anthony Steffen, George Hilton, Tony Anthony, Gianni Garko e outros que personificavam  anti-heróis, geralmente caça-prêmios (até Terence Hill, antes de se consagrar em clave humorística como  Trinity, fazia o gênero soturno).
A diferenciação até que o favoreceu, pois Gemma pôde se projetar como contraponto ao niilismo e amoralidade dos spaghetti-westerns –cuja característica mais marcante era a desmistificação dos congêneres estadunidenses, colocando a feia realidade histórica no lugar das fantasias edificantes e do maniqueísmo forçado. Neles não existiam vaqueiros rigorosamente escanhoados e respeitadores das pudicas moçoilas em quaisquer circunstâncias, nem o primado da  lei & ordem, mas, tão somente, indivíduos selvagens, dispostos a tudo para atingirem seus objetivos.  
Sua carreira de coadjuvante vinha desde 1958, mas foi em Os filhos do trovão (Arrivano i titani, 1962) que Gemma começou a se destacar. 
Atlético e bem apessoado, tinha tudo para brilhar nos épicos da Cinecittà. Fez outros cinco e estava a um passo do estrelato quando nova porta se abriu para ele: os bangue-bangues, ciclo inaugurado por Sergio Leone em 1964, com Por um punhado de dólares.
Inicialmente utilizando um pseudônimo americanizado (Montgomery Wood), Gemma encontrou o caminho do sucesso no ano seguinte, como o astro dos também americanizados Uma pistola para Ringo (Una pistola per Ringo) e O dólar furado (Un dollaro bucato). Na esteira faria outros 15 westerns, além de passar sem grande destaque por outros gêneros.
No Brasil, seu maior êxito foi O dólar furado, que permaneceu uma eternidade em cartaz… mas estava longe de ser um grande filme. Talvez o atrativo maior tenha sido o par romântico (outra raridade no filão) formado por Gemma e Ida Galli, além da inesquecível canção principal, “Se tu non fossi bella como sei”.
Bem melhor é Dias de Ira (I giorni dell’ira, 1967), de Tonino Valerii, aplicado discípulo de Sergio Leone –o mestre até lhe permitiria ser creditado como único diretor de Meu nome é Ninguém (Il mio nome è Nessuno, 1973), embora o tivessem dirigido a quatro mãos.
A história é de um órfão, Scott (Gemma), que foi criado por prostitutas e faz os piores trabalhos, como o de recolher os baldes de excrementos de porta em porta. O pistoleiro Talby (Lee Van Cleef) chega à cidade e simpatiza com ele, mas não a ponto de aceitá-lo como discípulo.
Scott persevera e, após salvar a vida de Talby, torna-se seu parceiro. Depois de assumirem juntos o controle da cidade, Talby passa a encarar Scott como uma ameaça e tenta se livrar dele. 
Scott, que não conhecera o pai biológico, havia adotado como figura paterna um velho homem da lei (Walter Hilla), mas transferira sua devoção a Talby. É tangido, contudo, ao  confronto mortal com o  pai substituto, voltando contra ele as lições que dele recebera.  

Veja Dias de Ira, dublado em português. 
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