VEJA NO BLOGUE UM CLÁSSICO DO CINEMA POLÍTICO: "Z"

O diretor grego Costa Gravas foi um dos principais nomes do grande cinema político que a Europa produziu na esteira das jornadas contestatórias de 1968. E Z, lançado no ano seguinte, uma espécie de manifesto dessa tendência, que dramatizava acontecimentos reais para torná-los mais conhecidos, desvendando as artimanhas e infâmias dos poderosos.

Na mesma linha, ele depois enfocaria a montagem de um julgamento stalinista na Checoslováquia (A confissão, 1970), a guerrilha urbana contra a ditadura uruguaia (Estado de sítio, 1972), o colaboracionismo francês durante a ocupação nazista (Seção Especial de Justiça, 1975) e a envolvimento estadunidense no pinochetazo (Desaparecido – um grande mistério, 1982).

Afora ter inspirado outros cineastas, como o francês Yves Boisset, que dissecou em O atentado (1972) a conspiração franco-estadunidense para eliminar o líder marroquino Mehdi Ben Barka; Francesco Rosi, cujo O caso Mattei (1972) bate em tecla semelhante, o assassinato do dirigente do Controle Nacional do Petróleo da Itália que prestigiou a constituição da Opep, tendo, em seguida, o seu avião sabotado; e o também italiano Giuliano Montaldo, que desmontou uma das maiores farsas judiciais da História, perpetrada pelos EUA contra dois imigrantes anarquistas (Sacco e Vanzetti, 1971).

O ponto de partida de Z é outra dessas tramoias, a de autoridades civis e militares contra o deputado Gregoris Lambrakis (Yves Montand) que percorria o país em campanha para que não fosse permitida a instalação de misseis balísticos dos EUA em território grego. Ele é morto em maio de 1963.

Surpreendentemente, o juiz de instrução (Jean-Louis Trintignant) incumbido de investigar a morte do líder oposicionista executa seu trabalho de forma impecável, expondo a trama e incriminando vários medalhões. Mas, o golpe militar de 1967 vem socorrer os culpados e perseguir os que haviam lutado por justiça.

A letra z era pichada nos muros da Grécia para subentender zei, ou seja, (Lambrakis) vive.

Era uma fase em que muitos artistas de renome emprestavam seu prestígio aos filmes  engajados, seja participando  amigavelmente, seja se contentando com cachês irrisórios. Assim, no seu primeiro trabalho importante, Costa Gravas já pôde contar com a nata da nata: o escritor e roteirista Jorge Semprún, o compositor Mikis Theodorakis, os dois atores principais e também Irene Papas, Renato Salvatori, Charles Denner, Bernard Fresson, etc.

Contando com um roteiro primoroso de Semprún e atuações antológicas de Montand e Trintignant, Costa Gravas encontrou a dosagem certa entre o thriller e a denúncia política, prendendo a atenção dos espectadores e tornando perfeitamente compreensíveis para eles os eventos de um país longínquo e pouco destacado na mídia, envolvendo personagens que a grande maioria desconhecia. Um filmaço!  


O blogue, orgulhosamente, apresenta Z, de Costa-Gravas.

Obs.: em todos os filmes citados, fui rigoroso ao apontar os acontecimentos e personagens históricos a que se 
referem. Em alguns deles, contudo, a produção quis se precaver contra os problemas legais, diplomáticos, 
etc., que lhe poderiam advir caso desse nome aos bois. Mas, para quem conhece um pouco 
tais episódios, fica evidente que o  Sadiel  de O atentado (interpretado por Gian-Maria
 Volonté) é Ben Barka, e assim por diante. 
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