A GUERRA DE TRÓIA, QUE TANTOS FILMES RENDEU, PODE NÃO TER EXISTIDO

A guerra de Tróia até hoje inspira discussões acaloradas entre os historiadores, primeiramente sobre ter ou não ocorrido e depois quanto ao que seria reminiscência histórica e o que seria mera fantasia nos textos de Homero, a Ilíada e a Odisséia, os únicos que nos chegaram intactos às mãos. É também citada em seis poemas épicos de outros autores, dos quais só restaram fragmentos. 
A evidência mais forte em favor de Homero foi a descoberta das ruínas de várias cidades, construídas e destruídas no sítio por ele indicado. Tróia seria uma dessas cidades. 
O certo é ele ter nos legado relatos tão apaixonantes que inspiraram um sem-número de películas, algumas dando uma visão global do que teria sido o conflito, outras enfocando-o sob o ponto de vista de um (ou destacando tal ou qual) personagem. 
Sobre Ulisses há muitos e o melhor deles é A Odisséia (d. Andrey Konchalovskiy, 1997), minissérie que foi editada como filme para comercialização em VHS e DVD. 
Tróia (d. Wolfgang Petersen, 2004) foi fiel a Homero ao mostrar um Aquiles (Brad Pitt) que tem mesmo  pés ligeiros, mas alterou muitos outros detalhes da trama homérica, enraivecendo os puristas.
Helena, a mulher mais bela de sua época, vem excitando a imaginação dos cineastas desde o cinema silencioso (há um registro de 1927, de um filme chamado The Private Life of Helen of Troy), passando pelos épicos macarrônicos da Cinecittà. 
E até a jovem filha que Agamenon sacrificou aos deuses em troca de bons ventos para sua frota teve direito a um (ótimo) tributo cinematográfico: Ifigênia (d. Michael Cacoyannis, 1977).

Helena de Tróia (d. John Kent Harrison, 2003), cuja íntegra vocês podem ver na janela abaixo, é também um telefilme e tem também uma surpreendente qualidade (a telinha parece destinada a satisfazer os públicos mais exigentes que hoje a telona negligencia).

Centra-se no casal Paris/Helena, que tem sido quase sempre mostrado de forma negativa. Desta vez, contudo, Paris é corajoso e digno, um irmão à altura de Heitor; e Helena, uma mulher para a qual os desejos que despertava só traziam infelicidade até encontrar o verdadeiro amor. Mesmo Menelau, o próprio símbolo do esposo traído, aparece sob outras luzes.

Vale por um enredo imaginativo e muito bem costurado, que prende a atenção dos espectadores a ponto de nem sentirmos passar as quase 3 horas de duração; por um tom desencantado e antibelicista quase sempre ausente das obras deste tipo; e pelas atuações corretas dos atores, desconhecidos mas bem escolhidos para seus papéis –com exceção do bombado Joe Montana (Aquiles), que parece ter vindo diretamente do Ultimate Fighting.
Quanto à Helena, seria mesmo difícil os produtores encontrarem alguma atriz que conseguisse convencer como a expressão máxima da beleza e da sensualidade; tanto vestida quanto nua, Sienna Guillory ficou devendo. 

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