UMA OBRA-PRIMA DO INESQUECÍVEL TERROR GÓTICO BRITÂNICO

Os europeus devem estar sempre se perguntando como conseguiram ser economicamente ultrapassados por sua ex colônia, inferior a eles em quase tudo.
Talvez seja porque os EUA compensam com sua excelência no marketing e na manipulação do homem comum o que lhes falta em inventividade, criatividade, genialidade, originalidade, integridade, inteligência, cultura, sensibilidade artística, espírito de justiça… etcetera ao infinito.   
Não são melhores em quase nada, vão laçar alhures seus cérebros e talentos mais vistosos, a cada momento se comprovam terrivelmente limitados e caipiras… mas dominam o mundo. Se queres um monumento ao capitalismo, aí está: é o sistema que coloca os ganhadores de dinheiro em vantagem sobre todos os seres humanos realmente dignos deste nome.
Resta ao europeus vingarem-se provando ser infinitamente melhores do que os estadunidenses em algumas das áreas que lhes são mais caras.
Os EUA criaram o rock’n roll, mas vieram os britânicos e ocuparam totalmente o território, com os Beatles e os Rolling Stones à frente. 
Os bangue-bangues estadunidenses viraram pó de traque quando os italianos mostraram como era possível introduzir realismo, inteligência e arte nos westerns. Quem vê Sergio Leone nem se lembra mais que John Ford existiu.
Os melhores policiais da história do cinema são os franceses das décadas de 1960 e 1970, estrelados por Alain Delon, Jean-Paul Belmondo, Jean-Louis Trintignant, o veterano Jean Gabin, etc.
Os badalados musicais da Metro, juntos, não valem o pior filme do ciclo flamenco do espanhol Carlos Saura.
E o ápice dos filmes de terror nem de longe se deu nos estúdios de Hollywood, mas sim nos (comparativamente) pobres Hammer e Amicus, responsáveis por obras-primas britânicas como este A górgona (1964), que reúne os três principais nomes do gênero no final dos ’50 e ao longo das décadas de 1960 e 1970: o diretor Terence Fisher, mais os atores Christopher Lee e Peter Cushing. 
Como trio, eles são responsáveis por clássicos absolutos como O vampiro da noite (1958), A múmia (1959) e O cão dos Baskervilles (1959). Ademais, Cushing e/ou Lee marcam presença em quase todos os filmes  do apogeu do  british way of terror. Sem pelo menos um deles, o fracasso era praticamente certo.
A górgona, mantendo as inconfundíveis características do terror gótico da Hammer, foi extremamente feliz ao transportar para o século 19 o mito grego das irmãs que tinham o poder de transformar em pedra aqueles que as encarassem, assim como a receita para matar a Medusa que Perseu utilizou na narrativa mitológica.
Confiram (ou descubram). E aproveitem para refletir sobre as vantagens e desvantagens dos efeitos especiais, que hoje atingem o perfeccionismo na criação de ilusões, mas acabam por tornar praticamente irrelevantes o enredo, roteiro, clima, diálogos, interpretação, trilha musical… enfim, tudo aquilo que outrora considerávamos fundamental na arte cinematográfica.

Obs.: os interessados no assunto encontrarão aqui uma digressão sobre o terror cinematográfico através dos tempos.
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