DEDICO ESTA MÚSICA A TODOS OS CROCODILOS…

…que afinal têm um cadáver sobre o qual derramarem lágrimas, como justificativa e desculpa para sua troca de lado, de idealistas que lutavam nas ruas para incentivadores da repressão que barbariza os combatentes das ruas.

Tenho nojo daqueles que a volúpia do poder faz virarem do avesso. Não hesitam em utilizar uma tragédia como pretexto para jogar o povo contra os poucos que, neste país de apáticos e conformados, ainda lutam -mesmo que incidindo em erros e, eventualmente, exagerando na dose. 

Aproveitam o embalo para pedir mais rigor nas leis, que os protestos violentos se tornem crimes inafiançáveis, etc. Logo estarão clamando por um novo AI-5.

Enquanto não acontecer a revolução, eu vou continuar sambando na pista e desprezando os que estão nas galerias. Por mais que me retaliem e injusticem, seguirei recusando os convites para seus chás dançantes. 


Nunca pensei que veria pessoas ditas de esquerda na mais perfeita comunhão de idéias com os Reinaldos Azevedos da vida. Estou vendo. E fazendo força para não vomitar.

Quem abdica de mudar o mundo, acaba sendo mudado pelo mundo. Torna-se cada vez mais parecido com aqueles a quem antes combatia. Morre muito antes de parar de respirar.

QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ
Chico Buarque

Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua

Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer

Quando o samba começava, você era a mais brilhante
E se a gente se cansava, você só seguia adiante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado

Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer

O meu samba se marcava na cadência dos seus passos
O meu sono se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão

Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer
Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade, por favor não dê na vista
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer
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15 comentários

  1. Um momento, Celso. O problema aqui não são os jovenzinhos corajosos que cometem erros e eventualmente exageram na dose, mas sim uns desorientados e frívolos, pra pegar leve, que muito provavelmente acabam de decretar a morte do movimento no primeiro semestre de 2014. Vamos ser radicais, tipo Che Guevera? Minha esperança é a de que a garotada tenha aprendido a pensar sobre toda esta coisa até a próxima ocasião em que uma dupla de retardados mentais quiser acender um rojão-de-vara em meio a centenas de pessoas. Muito mais que lágrimas de crocodilo, temos um trabalhador morto neste episódio, um trabalhador assassinado por vândalos conforme aquilo em que a quase totalidade da nossa gente acreditará e propagará ainda por muito tempo, e é claro que a mídia e os poderes institucionais da burguesia vão se encarregar de sepultá-lo algumas centenas de vezes. Eu fico me perguntando como a manifestação teria acabado se o rojão tivesse acertado a fuça de um policial militar. Seria divertido, não? Por outro lado, temos a evidência mais triste do que significará a partir de agora essa absurda “tática” black bloc: a mobilização contra o aumento das passagens no Rio do dia de hoje, 10/02, foi fraca, conhecemos bem o prenúncio de um marasmo. Por seu turno, um vitorioso Eduardo Paes saiu-se, pela imprensa, ensinando ao fluminense que coisa é ser “civilizado”, enquanto Dilma oferecia ao Rio os serviços da Polícia Federal. O problema está no lado de cá do front.

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  2. Bem, mas houve também o caso do Pinheirinho, em que um cidadão foi espancado; sequestrado pela PM para que a agressão não fosse noticiada; mantido vários dias longe da família, enquanto o tratavam do jeito que quiseram tratar; e, depois de liberado, morreu.

    ISTO FOI IMENSAMENTE MAIS GRAVE DO QUE UM INCONSEQUENTE SOLTAR UM ROJÃO A ESMO E TER O AZAR DE MATAR UM COITADO.

    Só que o primeiro caso envolveu, além do homicídio culposo, o acobertamento do feito por agentes do Estado. Como a ação toda, ademais, foi ilegal, justificava-se amplamente o impeachment do Alckmin, como grandes juristas pediram e A IMPRENSA ABSOLUTAMENTE NÃO NOTICIOU.

    Já desta vez estão fazendo um enorme escarcéu porque interessa ao Governo reprimir, reprimir e reprimir. É a receita do PT para “salvar” a Copa da Fifa.

    A tragédia foi LAMENTÁVEL. A instrumentalização política por parte de um governo que se distancia cada vez mais dos ideais da esquerda é EXECRÁVEL.

    Repito: por este caminho só chegaremos a um novo AI-5.

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  3. A propósito. Dom Renan Calheiros informa que a votação do projeto sobre TERRORISMO entra na pauta do Senado na semana que vem. Os hômi, sem sombra de dúvida, tão com cara de Natal: a morte de um trabalhador era o trunfo de que precisavam para fortalecer, a esta altura, o poder das oligarquias ainda mais.
    Espero que esses meninos da “tática” black bloc, tão alheios à vida real enquanto brincam de Zorro sábado à tarde, estejam satisfeitos. Talvez assim eprendam que o inimigo não tá de brincadeira, e nem é muito de brincar.

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  4. Sim, Celso, podemos ficar uma noite inteira lembrando casos de crimes b´arbaros cometidos pela PM em todos os estados do Brasil, isso seria fácil para nós.
    Porém, esse governo lamentável e execrável a que você se refere sai da semana corrente umas mil vezes fortalecido, sem sombra de dúvida.
    E se queremos uma luta consequente contra a PM, temos de abraçar uma luta consequente, POLÍTICA, contra a existência da PM, neste momento propagando e discutindo a PEC 51.
    Porém, a partir deste momento, até mesmo um objetivo prosaico como ese sai bem prejudicado.

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  5. Eduardo,

    a reação exageradíssima aos protestos é um perigo muito maior do que os black blocs. Mostra, de novo, a índole conformista e dócil ao autoritarismo dos brasileiros.

    O que estamos vendo é a mutação final do PT, que assume definitivamente o papel de PARTIDO DA ORDEM. O dr. Jeckyll não existe mais, Mr. Hide prevaleceu de vez.

    Em nome do objetivo que lhe é mais sagrado -a perpetuação no poder- dispõe-se, inclusive, a colaborar com a fascistização, com a marcha acelerada para um estado policial.

    O velho Engels certa vez disse que, quando o novo não tem forças para se afirmar numa sociedade, advém a barbárie, o retrocesso, a volta a estágios inferiores de civilização.

    É como o Brasil está hoje. E a alternativa é e continuará sendo a revolução -exatamente a que saiu das cogitações da esquerda mais influente.

    Direcionar sua indignação contra uns meninos brincando de contestadores selvagens é fácil. Mas, eles só existem por causa da omissão de todos que deveríamos oferecer um norte à sociedade, personificando a esperança.

    Como não existe mais esperança, existem os black blocs. E os eternos incubadores de ovos de serpente, que representam o perigo real, enquanto esses meninos fazem seu teatrinho da contestação.

    Amanha os PMs matarão de novo e a indústria cultural noticiará com o máximo comedimento, a Dilma não vai dizer uma palavra e inexistirá essa enchente de lágrimas de crocodilo.

    Nós, que percebemos claramente a manipulação, temos de manter a cabeça fria nesses instantes, sem cedermos a emocionalismos telenovelescos, insuflados pelo inimigo.

    Pelo verdadeiro inimigo.

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  6. O fato de não haver alternativa política, a “esperança” que você citou, é problema nosso, ou culpa nossa, se você quiser. Ou nossa em grande medida, porque não fomos capazes de forjar a alternativa de esquerda a certa altura, quando era necessário. O que não vai me fazer, em hipótese nenhuma, aplaudir ou endossar essa “tática” das estranjas que alguém resolveu adotar, uma “tática” sem política e avessa à política. Temos tido, por exemplo, muita mobilização em periferia, a de São Paulo anda agitada. E não vemos a garotada da cara coberta por lá, porque sabem, sempre souberam, que seriam rechaçados pelo povo. Um ou outro sempre aparece, mas não como a torcida organizada que vemos na Paulista, que de mais a mais é a parte da cidade que essa turma conhece.

    Inimigos, existem muitos. Um grandão, do lado de lá, e um pequenininho, imbecilizado, retardado em todos os sentidos, do lado de cá. Ficar elogiando os bonitos olhos desse monstrinho arisco, incompreendido e mimado é uma forma a mais de caminhar do nada em direção ao nada. E é também, se não tomamos cuidado, uma forma de oportunismo.

    Minha cabreiragem com os black blocs não é teleguiada pela Globo, conheço a nova boutique já há algum tempo. É bem aquela meninadinha da Zona Sul do Rio, que vai tirar onda com um cinegrafista fortão enquanto este dá um trampo, ameaça-o de morte, aí o moleque toma uma parrada na cabeça pra deixar de ser otário, e, para dar o desfecho, sai com o rabicozinho entre as pernas, quase chorando ao não poder bancar um papel de homem numa luta corpo a corpo e sem máscara.

    O trabalhador ODEIA esse tipo de coisa, e eu, que sou trabalhador, odeio também. Toda a torcida do Flamengo está comigo nesse azedume. E repito: conheço essa garota há tempos, há gente boa entre eles, mas o fato de não haver esperanças nunca vai me aproximar dessa moçadinha avessa a qualquer senso de responsabilidade, bem ao gosto da classe social deles.

    A menos que se considere um setor extremamente minoritário da classe média, mais endinheirada ou mais remediada, como o sujeito da revolução. Nesse caso, não estaríamos em absoluto falando a mesma língua.

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  7. Eduardo,

    no fundamental, as críticas que eles fazem são totalmente válidas: nossos serviços públicos são calamitosos e a forma como o Brasil organizou a Copa do Mundo é, ela sim, caso de polícia. Se a Fifa só exigia 8 sedes, gastar rios de dinheiro público em mais 4, só para favorecer maracutaias, é um atestado eloquente de quanto o PT se descaracterizou, seguindo os passos do PMDB e do PSDB. Esses dois também começaram na esquerda e acabaram no esgoto.

    Demonizar os black blocs é ajudar o rei nu a fingir que está vestido. Não, jamais! Dilma e o PT estão se lixando para cinegrafistas que morrem. Querem é calar os discordantes, intimidar, reprimir, esmagar. Não entro nessa. Fica para aquele cordão de puxa-sacos que desfila por veículos como o Brasil 247, cada um mais ávido do que o outro por uma boquinha.

    Eu passei a vida inteira defendendo os mais fracos contra os poderosos. Você nunca me verá do outro lado. Já tem chapa branca demais na nossa esquerda.

    Abs.

    Celso

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  8. Sei, sei como é.
    Do lado de cá, temos o bem.
    Do lado de lá, temos o mal.

    Infelizmente, o lado de lá está ganhando de goleda, desta semana até a próxima serão uns quarenta e nove a zero.

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  9. AO ANÔNIMO AÍ DAS 7:20 PM.

    Ainda bem que nenhum PM foi atingido e eu não desejaria isso: as consequências seriam ainda piores.

    E outra, Anônimo, tenho sido um defensor e um multiplicador da PEC 51 em imensa medida porque ela beneficia os policiais.

    Parece que você não entendeu muito bem o que escrevi, ou eu não soube me fazer entender.

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  10. depois de muito refletir acho que finalmente entendi a diferença entre esquerda e direita em politica e porque a esquerda é “superior”, ao menos em nosso caso particular; a direita aqui tem duas vertentes bem definidas: uma, “esclarecida” quer levar o país de volta à idade média e outra, mais radical, quer mesmo é um regresso aos tempos bíblicos; quanto a esquerda só quer voltar até o século XVIII, pré revolução industrial, e por isso são considerados “progressistas”..quer dizer, estamos fudidos de todo modo…

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  11. Rapaz, parece que a crítica que eu faço aos black blocs não se aplica ao caso extremamente triste do Caio, embora aquela “tática” deles realmente não sirva pra nada.

    Temos aqui um preso político, afinal, ainda que indiciado por crimes comuns.

    Veremos como pode evoluir uma linha de solidariedade para com ele.

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