FALTAM 84 DIAS PARA A COPA DO PANDEMÔNIO

Bastaram uns 90 minutos de chuva, na última 4ª feira (18), para desabarem árvores por toda São Paulo -como se vê nesta foto que tirei no bairro de Perdizes. O motivo, claro, é a falta de manutenção. A maioria está infestada de cupins.
Fiquei sem energia elétrica durante dez horas. Como a AES Eletropaulo acredita que a verdadeira função do seu atendimento telefônico é a de enganar os clientes, comunicando-lhes prazos para o restabelecimento do serviço sem o menor comprometimento com a verdade, fui com esposa e filha abrigar-me na casa do meu sogro, temendo o pior; da vez anterior, haviam sido 25 horas sem luz, alimentos estragados no freezer e meia-dúzia de previsões não cumpridas.
E começa a pipocar o racionamento de água na Grande São Paulo, embora não assumido pelo governador Geraldo Alckmin. A periferia é que mais sofre, evidentemente.

Como relatei no artigo Faltam 3 meses para a Copa do Pandemônio (clique p/ abrir), fiz há um quarto de século uma longa entrevista com o secretário do governador Orestes Quércia (João Leiva, creio) incumbido de zelar pelos recursos hídricos. Ele me traçou um quadro assustador do problema do abastecimento futuro de água. 
Elencou muitas medidas que precisavam ser tomadas. Lembro-me de que uma delas era a introdução do sistema europeu, de fornecimento de dois tipos de água: a nobre que conhecemos e outra de qualidade inferior, para a lavagem de carros, calçadas, etc. Mas, claro, nenhum governador se dispôs a investir em algo assim, de alto custo e baixo retorno eleitoreiro.
As válvulas de descarga reduzida são vistas aqui e ali, mas bem poucas. Os cidadãos estão se lixando para o desperdício de água, querem é que suas privadas fiquem bem limpinhas.

Para mudar a postura de f…-se o mundo, eu não me chamo Raimundo! seriam necessárias muitas campanhas de conscientização. Mas, os governantes agora estão ocupados é com a campanha eleitoral, preferindo alardear obras de impacto.

Se Deus for mesmo brasileiro, São Paulo vai ficar às escuras durante o Mundial da Fifa, haverá muitas árvores tombadas bloqueando as ruas e coitadezas carregando latas d’água de lá pra cá. Nossas omissas e medíocres otoridade merecem que fotos como a do topo deste post corram o mundo.

Vamos torcer para que, em junho, nenhuma árvore desabe na cabeça do Neymar. Na do Blatter, pode.

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