O PETRÓLEO É NOSSO? DO POVO BRASILEIRO NUNCA FOI!

Na sua coluna deste domingo (30), o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony aproveitou a saia justa da Petrobrás para bater mais uma vez na tecla de que ela indiretamente assassinou o também escritor e jornalista Paulo Francis (1930-1997):

Sem ser um jornalista investigativo, ele acusou num programa de televisão a cúpula da estatal de grossas negociatas, subfaturamento e superfaturamento, entre outras coisas. Somente agora, com o escândalo de Pasadena, as operações nos EUA serão objeto de uma CPI no Congresso. Temendo ter de pagar uma indenização absurda aos diretores da Petrobras da época, Paulo teve o infarto que o matou, desfalcando o Brasil de um de seus maiores jornalistas.

Dando como correta a informação do Cony, eu chegaria a conclusões um tanto diferentes.
A primeira é a de que o Paulo Francis não mediu as consequências dos seus atos, nem a própria fortaleza interior para enfrentar adversidades. Queria ser guerreiro, escrevia como tal, mas verdadeiramente não o era. Descobriu isto no pior momento possível, e depois não descobriu mais nada.
A segunda é a de que o Paulo Francis velho esqueceu ou não levava a sério quem havia dito a palavra definitiva sobre o assunto: o Paulo Francis jovem, autor da afirmação lapidar de que “o combate à corrupção é bandeira da direita”. 
Era nos tempos da UDN, continuava sendo em 1997 e não há motivo para mudarmos de opinião só porque revolucionários de outrora, hoje meros reformistas, travam duelos de torta de lama com os adversários mais à direita, reduzindo as disputas eleitorais a enredos policialescos que em nada contribuem para que os trabalhadores voltem a acreditar na política como a via para sua libertação. 
Por que, como homens de esquerda, nos daríamos ao trabalho de combater uma característica intrínseca e inseparável do capitalismo, se ela jamais será erradicada enquanto não extirparmos a erva daninha no seu todo?
Quem acredita em sanear e redimir o capitalismo, que se entregue a essa faina interminável e inútil. Eu sempre preferi esforçar-me para pôr fim à exploração do homem pelo homem, um objetivo incomensuravelmente maior que o de dar fim à corrupção.
Quanto à Petrobrás e a todas as estatais que existem em países capitalistas, o modo certo de encará-las continua sendo o dos marxistas revolucionários: não passam de empresas, quem manda nelas não são os trabalhadores, nem estão colocadas a serviço da sociedade. São parte da engrenagem capitalista, nada mais. Nem merecem ser defendidas por nós, nem erigidas em alvos preferenciais. 
O petróleo é nosso? Do povo brasileiro nunca foi! 
E já passou da hora de o encararmos como o carrasco que nos espreita. O petróleo tem mais é de ser substituído por energia limpa, o quanto antes, torcendo para que ainda seja possível evitarmos o extermínio da espécie humana.
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