AINDA SOBRE O ‘BAJULATORIAL’ DO MINO CARTA

Como justificar algo totalmente indefensável?
Demétrio Magnoli, que escreve muito bem, detonou o Mino Carta com este texto aqui
Mino Carta, que escreve muito mal, não encontrou (nem havia) nada para dizer sobre a acusação concreta, então apenas tergiversou, neste texto aqui. Fez lembrar um personagem humorístico, o  Rolando Lero

Internautas esquerdistas e/ou petistas (antigamente eram categorias equivalentes, agora nem tanto…) me recriminam por, na visão deles, eu haver tomado o partido do direitista Magnoli contra o esquerdista Mino, neste texto aqui
Parecem esquecidos de que a CartaCapital moveu contra Cesare Battisti uma das mais rancorosas e exacerbadas perseguições que um órgão da grande imprensa já desencadeou contra qualquer cidadão, pior ainda do que a caçada ao Zé Dirceu por parte da Veja. Estaria o Mino sendo esquerdista ao fazer aquele lobby escrachado para que o Estado brasileiro se prostrasse aos neofascistas italianos?
De resto, o editorial louvaminhas que Mino redigiu e assinou quando do 6º aniversário do golpe militar existe. Encontra-se nos arquivos da Editora Abril, disponibilizado on line. Então, qualquer um poderia tê-lo encontrado. 
Mino e Berlusconi pressionaram, mas Battisti riu por último
Por ter sido o Magnoli quem o achou, deveria eu ignorar a sua existência? Seja ele direitista ou não, isto de nenhuma forma altera o fato de que, em abril de 1970, enquanto companheiros estimados morriam resistindo à ditadura militar e eu estava prestes a ser sequestrado e quase destruído pelo DOI-Codi, o Mino, confortavelmente instalado em sua sala de diretor de redação, a salvo dos perigos que corríamos o tempo todo, fazia coro aos chavões golpistas e celebrava efusivamente uma efeméride infame. 
Eu não seria o guerreiro que sou se ficasse indiferente a tal revelação. Meu sangue ferveu. Levei apenas meia hora para colocar no ar o artigo em que expressei minha indignação; e continuarei reagindo sempre de bate-pronto nessas situações, pouco importando as ameaças que me façam (o Mino promete doravante processar seus acusadores… ao invés de polemizar com eles, como sempre agiram os jornalistas que confiam nos próprios tacos e desconfiam da Justiça de uma sociedade de classes).
Também reproduzi o parágrafo no qual Magnoli tirou suas conclusões sobre o bajulatorial. E elas são não apenas consistentes e pertinentes, como irrespondíveis (tanto que o Mino foi incapaz de dar-lhes uma verdadeira resposta). Por afirmar que, em tal texto e somente em tal texto, o Magnoli acertou na mosca, estarei cometendo uma heresia? Trata-se de motivo suficiente para eu ser excomungado junto com ele?
Isto era o que mais se via durante a ditadura
É triste constatar que alguns esquerdistas e/ou alguns petistas regrediram aos piores tempos do stalinismo, impermeáveis a fatos e argumentos, partindo logo para a desqualificação e a satanização. Isaac Deutscher cansou de apontar resquícios religiosos por trás dessa intolerância fanática, que nos remete diretamente às trevas inquisitoriais. 
Eu continuo acreditando que os revolucionários existamos para roubar o fogo dos deuses e oferecê-lo aos homens, não para dispararmos raios contra os que se desviam da linha justa, como se quiséssemos assumir o papel de Zeus no Olimpo.

Quem um dia deixou circular, com sua assinatura, um texto tão deplorável, sem haver sido coagido a isto, tem mais é de pedir humildes desculpas aos ofendidos. O que mais haja feito na vida poderá servir como atenuante, mas não anula o objeto da acusação.

E quem preza tal indivíduo, pode solidarizar-se a ele em termos gerais, mas não neste episódio em particular, pois seria associar-se a uma infâmia. É importante estimularmos sempre a resistência face às injustiças e indignidades, nas ditaduras e também no cotidiano de democracias imperfeitas como a nossa; e execrarmos sempre a postura de quem, como um títere, aceita calar a sua voz (e sua consciência) para melhor transmitir a voz do dono.

Os que realmente estamos empenhados em retirar a humanidade de sua pré-história, dando um fim à exploração do homem pelo homem, temos de reaprender a criticar com objetividade e a receber críticas sem pedras na mão, pois elas fazem parte do aprendizado para a nossa grande missão e são inerentes à sociedade que queremos construir, ígualitária e livre, sem autoritarismo e também sem chiliques de prima-donas…

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