#CopaVaiTerFutebolNão

Embora a meninada esteja certíssima ao protestar contra as maracutaias, incompetência e autoritarismo de nossos desgovernantes, os brasileiros ainda não têm firmeza ideológica para resistirem ao rolo compressor da indústria cultural, que conseguirá, mais uma vez, insuflar o intragável clima de Copa
Vai haver Mundial da Fifa, sim. Infelizmente. 
Pois o Brasil começaria a ser uma nação de verdade se o povo desse um bico no circo e encostasse as otoridade na parede, cobrando-lhes pão, que é muito mais importante (no caso, água sem racionamento, luz sem apagões, transporte coletivo sem superlotação, Estado sem corrupção, etc. -muitos e muitos etceteras!).
O que tudo indica que não vá existir é futebol bem jogado.
Digo isto nem tanto em função do que se observa por aqui, como os péssimos torneios de verão que levam o nome de campeonatos estaduais, o Brasileirão que em 2014 parece pior do que nunca, a Libertadores que está mais para rinha do que para esporte…
Mas, o que está se vendo na reta final da Liga dos Campeões da Europa é igualmente desanimador: o futebol artístico e ofensivo passa por um novo refluxo, depois do carrossel holandês e de sua variante recente, o tiki-taka espanhol.
Contra os esquemas de jogo que privilegiam a inteligência e o talento, a resposta acaba sendo sempre a mesma: o defensivismo, a marcação obsessiva, o congestionamento dos espaços, as faltas seguidas (sejam as violentas para intimidar, sejam as leves para não deixar o jogo fluir) .
Os gols passam a ser buscados não como consequência de situações criadas com dribles, passes e arremates perfeitos, mas sim de jogadas de bola parada, de centros alçados no tumulto para quem pegar (na esperança de que o atacante suba mais do que o defensor), de roubadas de bola na intermediária do adversário e de contra-ataques fulminantes.
Quando executados por jogadores como Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema, tais contra-ataques chegam a ser bonitos. Mas, o jogo retrancado e traiçoeiro do Real Madrid só funciona contra adversários que se abrem para buscar a vitória e acabam deixando espaços lá atrás. Se ambos se fecharem, o futebol fica chatíssimo, como as partidas do Campeonato Italiano, de onde vem o técnico Carlo Ancelotti.
As roubadas de bola não têm mérito, são investimento no erro do adversário. O Corinthians de 2012, treinado por Tite, fazia muitos gols assim, até que a ficha caiu para os outros técnicos e as vaciladas diminuíram.
Os chuveirinhos e jogadas de bola parada se constituem no que há de mais mecânico e insosso no futebol. Antigamente, quem os priorizava eram os ingleses, como forma de compensar a falta de habilidade da maioria dos seus atletas.
Enfim, sendo a Champions uma vitrine do futebol que o resto do mundo praticará em seguida, tudo leva a crer que teremos outro Mundial de entressafra, com futebol tão feio como o de 1966 e 1990. 
Sorte do Felipão, pois essa é sua praia. Com defesa bem fechada e um ou outro lampejo do Neymar, pode até sair vitorioso. E a vitória é o que sempre lhe bastou, desde seus tempos de zagueiro esforçado mas medíocre.
Nós, os românticos incuráveis, continuaremos convencidos de que é preferível ganharmos uma Copa como a de 1958 (encantando o mundo), do que cinco Copas como a de 1994 (entediando o mundo). 
Daquela vez o técnico foi o Carlos Alberto Parreira, a quem devemos a pior final da história dos Mundiais: 120 minutos de 0x0. Hoje, ele é a eminência parda do Felipão.
O mais provável, contudo, é o Brasil beneficiar-se da fraqueza dos rivais, repetindo 2002 (quando pegamos os saco de pancada que pedíamos a Deus…).
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