VEJA "PINK FLOYD – THE WALL", O MELHOR FILME INSPIRADO POR ÁLBUNS ROQUEIROS

Álbuns de rock que vão relatando uma história ao longo de todas as suas faixas existem vários, o melhor deles sendo Tommy, do conjunto britânico The Who. Mas, o superestimado diretor Ken Russell não foi feliz ao transpô-lo para as telas, excedendo-se em extravagâncias bizarras e perdendo de goleada para a versão cinematográfica de The Wall, do Pink Floyd, criada por Alan Parker em 1982, com destaque para o excelente uso complementar de animações: é o filme para ver no blogue desta 6ª feira, integral e legendado.
As canções mostram a via crucis pessoal de um órfão de guerra (Bob Geldof), cuja mãe é superprotetora e o predispõe a relacionar-se com mulheres castradoras pela vida adentro. Na construção de sua personalidade domesticada, destaque para a influência massacrante da educação, enfocada na melhor de todas as canções “Another brick in the wall”.
Finalmente, o personagem problemático se torna ídolo de rock -só que a indústria cultural se apropriou do ritmo, com a música passando a cumprir uma função cada vez mais fascistoide, tanto que o concerto mostrado assemelha-se propositalmente a uma concentração do Partido Nacional-Socialista. 
Recomendo a leitura de uma excelente exegese do disco e do filme, de autoria de Fábio S. Ribeiro, que pode ser acessada aqui. Recupera a profundidade na análise interpretativa de obras de arte, que era habitual nos idos de 1968 e ahora, no más. Hoje, o que passa por crítica não vai além de um press-release um pouco menos óbvio.
O álbum duplo de The Wall teve um significado especial para mim: foi enfocado na primeira análise que escrevi para a revista Música, abrindo caminho para uma carreira de cinco anos como crítico de rock e editor de publicações a ele referentes. Já naquela época eu o considerei um trabalho muito forte, mas com excesso de autocomiseração por parte do baixista, compositor e co-vocalista Roger Waters. 
Particularmente, não gosto da postura de “esse mundo cruel não me entende”; parece-me coisa de adulto mal resolvido, com infantilidade encruada. Mas, as letras levantam questões realmente importantes do nosso tempo e o filme tem muito impacto. Recomendo.

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