O EPISÓDIO ‘PASTOR x XUXA’ FOI COMO UM SPAGHETTI-WESTERN: SÓ TEVE VILÕES.

Xuxa promovendo o filme que, mais tarde, ela moveria céus e terras para tirar de circulação… 
O episódio pastor x Xuxa não vale grande coisa em si, mas a reação de analistas e comentaristas nas redes sociais me chamou a atenção para um problema recorrente: o maniqueísmo com que, cada vez mais, as pessoas se posicionam sobre qualquer assunto. 
Já não existe avaliação crítica, mas sim torcida. Numa pendenga dessas, reagem como se estivessem assistindo a um filme de mocinho e bandido, só variando o entendimento de quem seja o herói e quem seja o vilão. Quanto simplismo! Quanto primarismo!
Tirando os evangélicos, com sua fé cega em valores morais que refletem outro estágio de civilização (há quase dois milênios superado!!!), pouquíssimos embarcaram na cruzada rancorosa do pastor. 
Fiquei pasmo, contudo, ao constatar que a rejeição ao óbvio espantalho implicou aprovação do vale tudo para subir na vida característico de Xuxa Meneghel.
Quando aceitou aparecer pelada num filme no qual sua personagem seduzia um menor, Xuxa não era nenhuma miserável roubando pão para saciar a fome, mas sim uma jovem aspirante ao estrelato. As filmagens ocorreram em 1979, quando ainda não iniciara o namoro com Pelé, que lhe deu notoriedade instantânea; tanto que, naquele ano de 1980, suas fotos apareceriam na capa de mais de 80 revistas.
A partir daí ela poderia, claro, ter feito uma carreira recatada, mas optou por exibir sua anatomia também em revistas masculinas, com destaque para a Playboy de dezembro de 1982 (!).
Donde se conclui que, tanto em 1979 como em 1982, ela fê-lo porque qui-lo, como diria o folclórico político Jânio Quadros. 
Mas, sua carreira tomou outra direção e, ao invés de sexy star, ela se tornou rainha dos baixinhos. Aí, temendo o estrago que o lançamento de Amor Estranho Amor em VHS poderia causar em sua nova imagem, Xuxa não hesitou um segundo: correu aos tribunais para esconder debaixo do tapete o que havia de potencialmente perigoso no seu passado. 
ESTA, SIM, FOI UMA POSTURA PRA LÁ DE CONDENÁVEL! Ou nada havia de errado em ela ter aparecido nua e mantendo relações sexuais com um menor no filme de Walter Hugo Khouri, não se justificando, portanto, que se esforçasse tanto para evitar sua comercialização em vídeo (poderia, isto sim, pleitear uma participação na receita auferida, já que se tornara chamariz de vendas); ou se tratava mesmo de algo degradante, e aí o pastor estaria certo na sua catilinária. 
Enfim, entre o moralismo rançoso de um e a moral de conveniência da outra, fico com nenhum(a). Para mim, ao invés de um filme estadunidense de mocinho e bandido, o que vimos foi um bangue-bangue à italiana, daqueles em que todos são vilões.
A minha posição é outra. Sou totalmente contra qualquer tipo de censura, tanto a exercida pelo Estado quanto a que particulares tentam exercer. Ainda mais quando o fazem por motivos menores, egoístas e calculistas. 
Para terminar, um detalhe pitoresco: apesar (ou por causa) de todos os esforços da Xuxa para tirar Amor Estranho Amor das prateleiras de lojas e locadoras, as cópias piratas jamais deixaram de circular e trata-se hoje de um dos filmes mais baixados na internet, tanto na sua versão light para o mercado brasileiro, quanto na bem mais pesada (embora ainda softcore) destinada aos espectadores dos EUA, com o acréscimo de 23 minutos. Vários blogues brasileiros de filmes a disponibilizam.
Ela tentou embargar o filme também no mercado de vídeo estadunidense, mas a Justiça de lá mandou-a passear…

Obs.: sobre o mesmo assunto, leia também XUXA É: a) PORNÓGRAFA; b) PEDÓFILA; c) AMBOS; d) NEM UMA COISA, NEM OUTRA (clique p/ abrir).

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