LINCHAMENTO DE SUÁREZ: MORALISMO OU MUTRETA?

Fiquei enojado com a decisão da Fifa, de punir de forma extremamente exagerada uma ninharia (nenhuma gota de sangue foi derramada, ao contrário de coices que comprometem a carreira dos atletas atingidos e quase nunca valem ao agressor nove jogos de gancho e quatro meses de banimento do futebol!). 


Pior, tenho certeza absoluta que isto se deu em função muito mais do escândalo que causou/ensejou entre preconceituosos em geral e interessados na queda do Uruguai em particular.

Não excluo a possibilidade de que estejam se repetindo os acasos favoráveis aos anfitriões (daquela vez, os ingleses) que marcaram a mais vergonhosa das Copas, a de 1966. Por enquanto foram três: os dois gols surrupiados do México na estréia diante de Camarões, o pênalti inventado a favor do Brasil contra a Croácia e, agora, a exclusão de Suárez de um possível confronto com o Brasil nas quartas. Se houver mais coincidências deste tipo, concluirei que não passam de mera intencionalidade…


Quanto ao padrão Fifa de honestidade, o fato de haver respaldado a decisão do juiz que garfou a Croácia diz tudo. Foi, claro, uma tentativa canhestra de afastar as suspeitas de armação. Assim como ter imposto pena tão draconiana a Suárez não passa de indignação simulada para dar verossimilhança a uma decisão que leva todo jeito de ser tido tomada apenas e tão somente para afastá-lo do Mundial em curso. 

Causa-me profunda mágoa o fato de que assim praticamente se encaminhou a eliminação do bravo selecionado celeste


Então, publico na íntegra um digno e exemplar artigo do colega Vitor Birner, que aprovo em gênero, número e grau. Assim como recomendo seu texto seguinte sobre o mesmo assunto, Punição exagerada de Suárez parece ação de marketing, não de justiça esportiva (clique aqui p/ abrir).

Malditos os parasitas que, com suas penadas burocráticas, desconstroem o que os artistas da bola forjaram arduamente nos gramados que são o palco de glória das chuteiras imortais!!!

A PUNIÇÃO DE SUÁREZ E OS GRANDES PECADOS DOS ‘PUROS’

“Tem que ser banido do futebol”; “É um mau caráter”; “Precisa ser internado”.

Eis algumas afirmações que li e escutei nas redes sociais e em programas de televisão que comentaram a mordida de Suárez em Chiellini, na vitória do Uruguai por 1×0 diante da Itália.
Os inquisidores, sedentos por justiça, bradam a sua decisão após julgarem e condenarem o ser humano que não conhecem.
O pecado do atacante, que nem foi original, pois ele mesmo já havia dentado os adversários quando vestia as camisas do Ajax e do Liverpool, o transformou, para muitos, no vilão da Copa do Mundo.
E eles querem vingança, o que é bem diferente de justiça.
Uruguai 1xo Itália não foi o jogo mais bem jogado da Copa do Mundo.
Não merece e nem será lembrado pela qualidade dos lances, beleza no trato da bola, gols espetaculares, defesas difíceis dos goleiros ou grande atuação de qualquer atleta que esteve em campo.

Mas nenhum confronto desta Copa do Mundo teve a alma do futebol tão viva.

O espírito do esporte mais popular do mundo se fez presente e seu brilho ofuscou o contato do ser humano com a bola.

Resumir o futebol às habilidades dos atletas, questões táticas e acertos ou erros dos jogadores quando tocam na gorduchinha é reduzi-lo a algo mecânico, matemático, robotizado e quase desumano.

É transformá-lo no zumbi moribundo que caminha sem alma em busca de objetivos como vitórias, dinheiro e sucesso.

Quem se acha superior pelo esforço para  se enquadrar em todos os padrões sociais desta sociedade pouco construtiva, cheia de preconceitos e necessitada de personagens de carne e osso para idolatrar ou julgar e punir, vaticinou a sentença irrevogável e mantém o lento processo de assassinato do futebol.

Reprovo o que Suárez fez, mas só posso condená-lo futebolisticamente, pois colocou em risco a classificação uruguaia.

O árbitro tinha que expulsá-lo.
Tirante isso, achei bizarro e divertido o ato impulsivo.

Cresci indo em estádios de futebol todas as semanas. ‘Cornetei’ em vestiários. Conheci a podridão dos bastidores. Joguei em diversos tipos de ambientes por amar fazê-lo. Minha paixão virou o meu ganha-pão. Frequento os terrões da várzea até hoje. Um dos meus prazeres é ser técnico de um time varzeano.

Eu entendi a reação daquele indivíduo, naquele momento da guerra psicológica, e a reprovei pela razão que você leu no post.

Tenho absoluta convicção que não pude ver, pela televisão, diversas coisas fora dos lances de bola.

De nenhum lugar, seja do banco de reservas, dentro do gramado ou na arquibancada, a gente consegue enxergar.

Chiellini, por exemplo, é um zagueiro que bate muito. Dá porrada nos adversários quando a redonda está longe dele.  Xinga e provoca. Sabe fazer tudo isso. É discreto, funcional, competente e competitivo.
Não o condeno por nada.

No mundo lúdico do futebol tudo isso pode, desde que o árbitro não flagre tais ações.
Os limites entre as quatro linhas são diferentes dos que precisam ser adotados fora dela.

Eles existem:
Não pode quebrar o adversário.
Não pode ofender por causa da raça (Suárez já foi condenado por isso no caso com Evra, nega até hoje a atitude racista e se recusa a cumprimentar o francês.

Não sei o que houve de fato, mas os companheiros do atacante, sejam negros, brancos o descendentes de índios, costumam elogiá-lo), da orientação sexual ou opção religiosa.
Mas provocar para desestabilizar, faz parte.

E isso, no calor da disputa feita com entrega pessoal que de vez em quase ultrapassa os próprios limites do indivíduo, leva os menos preparados na parte emocional a tropeçarem como fez Suárez.

Tais situações compõem o folclore do futebol.

Ainda bem que existem!

Repito: é um mundo lúdico e a magia esta nisso.
De maneira prática e realista, a entrada de Marchisio, merecidamente expulso, foi pior que a cena sui generis proporcionada por Suárez.
Podia quebrar a perna do rival, prejudicar a saúde dele intencionalmente ( de maneira casual faz parte do risco de quem se propõe a ser jogador de futebol) porque chegou por cima da bola, na canela, e provocar muita dor e sacrifício por meses.
Chiellini está inteiro depois da mordida.
Qualquer cotovelada proposital no rosto também é pior, pelos mesmos motivos, que o destempero de Suárez.
Me parece claro que a condenação pesada exigida por parte da opinião pública tem mais a ver com a crença num padrão do que com a preservação de integridade física;
Com o choque gerado pelo impacto estético incomum da cena mais do que com as consequências da atitude.
Com a incessante necessidade de condenar para satisfazer mazelas pessoais mais do que com o cada vez mais raro desejo de entender, contribuir e se divertir. (por Vitor Birner, no seu blogue).
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1 comentário

  1. Uma hipótese: Suárez, que sofreu recentemente uma operação cuja recuperação foi assombrosa, acabou perdendo a cabeça por sentir que o marcador sentava a botina no mesmo lugar.

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