MUNDIAL 2014/24º DIA: DEU ARGENTINA x HOLANDA. ELEMENTAR, MEU CARO WATSON…

Higuaín, até que enfim!
Das 12 partidas da fase de mata-matas, os favoritos venceram… todas. Por quê? Porque há, sim, lógica no futebol.
Tomemos como exemplo os dois últimos jogos das quartas de final.
A Argentina, sob o calor escaldante do nosso início de tarde, teve a sorte de abrir o placar logo aos 7′, quando Higuaín acertou um chute perfeito da linha da grande área. Passou os 83 minutos restantes (mais acréscimos) administrando a vitória, bem fechada na defesa e sendo mais perigosa nos contra-ataques do que a Bélgica em sua pressão impotente, verdadeiro festival de bolas alçadas na área com aproveitamento mínimo. 
Poderia ter matado a partida numa excelente arrancada de Higuaín, que colocou a bola entre as pernas do zagueiro e carimbou o travessão (Messi perderia outra chance incrível no apagar das luzes, chutando em cima do goleiro). 
Mas, manteve a situação sempre sob controle e se cansou bem menos do que os adversários. Se estes houvessem conseguido o empate, com certeza os argentinos teriam condições físicas muito melhores na eventual prorrogação. De um jeito ou de outro, a vitória acabaria sendo dos hermanos.
Krul, o coelho que Van Gaal tirou da cartola.
E a Holanda? Massacrou a Costa Rica durante 120 minutos, parou três vezes nas traves, fez do goleiro Navas o melhor do Mundial, viu zagueiro adversário tirar em cima da linha um arremate com endereço certo e, quando finalmente se supunha que haveria oportunidades iguais (nos pênaltis), mostrou o trunfo que havia escondido na manga: um goleiro grandalhão que treinara durante 30 dias para tal eventualidade.
Assim, bem no finzinho da prorrogação, o reserva Krul entrou no lugar do titular Cillessen. O técnico Van Gaal guardara uma substituição só para isto. 
E funcionou: os holandeses, como profissionais de verdade, converteram suas quatro cobranças. Krul defendeu duas dos costarriquenhos, tornando desnecessária a quinta da Holanda. 4×3 e fim de papo.
BALANÇO DOS MATA-MATAS E PERSPECTIVAS
Repetindo: seja no tempo normal, na prorrogação ou nos pênaltis, vem sempre vencendo nos mata-matas o selecionado mais apto. E não é por acaso.
A Costa Rica também não
Como também não é por acaso que só alcançaram as semifinais os cachorros grandes:
  • o Brasil, 5 vezes campeão e 2 vezes vice;
  • a Alemanha, respectivamente 3 e 4;
  • a Argentina, 2 e 2; e
  • a Holanda, 0 e 3.
Ou seja, dos 19 mundiais da Fifa, estas quatro seleções conquistaram 10 e foram vices 11 vezes. Os azarões e os selecionados medianos fazem a festa na fase de grupos, mas quase sempre tombam todos nas oitavas e nas quartas. Na hora da onça beber água, assistem pela TV.
Certos comentaristas virtuais que só passaram a interessar-se pelo futebol por suporem que o hexa reelegerá Dilma Rousseff, andaram escrevendo muitas bobagens sobre o alto índice de gols na fase de grupos. O convescote acabou por aí. Nos mata-matas, prorrogações excluídas, foram apenas 16 tentos em 12 partidas, média irrisória de 1,3 por jogo. Pior até que a do Brasileirão.
Os chihuahuas foram botados pra correr
Lamentavelmente, o Brasil, sem Neymar, é o sobrevivente com menos fôlego para alcançar a praia. Quando se apostam todas as fichas na raça (coisa do tempo do Onça…) e em gols de zagueiros, é porque a vaca já está com metade do corpo enterrado no brejo. 
E simplesmente não vejo como um conjunto tão desorganizado quanto o brasileiro possa se contrapor à engrenagem perfeita alemã, em que cada jogada parece ter sido ensaiada mil vezes. Ademais, quando a diferença é tão acentuada como a que existe entre nosso tosco Felipão e o brilhante Joachim Löw, técnico ganha jogo, sim.
Já Argentina e Holanda é um duelo imprevisível e muito equilibrado. Tanto pode prevalecer o ataque laranjinha (o melhor da Copa), quanto o espírito vencedor e o Messias dos hermanos. Tem tudo para ser um jogaço. 
Anúncios

12 comentários

  1. A Argentina vai ficar na HOLANDA!

    com certeza, a Holanda é a melhor e mais regular equipe desta copa, não se desdobrou para vencer equipes mais fracas como em: Alemanha X Ghana(sufoco), Argentina X Irã, Argentina x Nigéria (sufoco); e pegou times muitos mais fortes do que os outros 3 semi em todas as fases até aqui:

    Holanda X Espanha, Holanda X Chile, Holanda X austrália, Holanda X México, Holanda X costa rica.

    Já a Argentina teve seu caminho livre de seleções fortes até aqui, só pegou “galinha morta”.

    No primeiro adversário de verdade vão perder. A Holanda é infinitamente melhor em tudo. E com este goleiro pegador de penâlti, ficaram quase imbatíveis

    Curtir

  2. Parece que mesmo sendo lógica a sua análise, em relação ao Brasil, vc está sendo completamente urubólogo. Aquela defesa da Holanda não resiste a um driblador lá dentro, a Costa Rica só não fez o gol por não tê-los. Porque vc não diz que o gol que “salvou” a Alemanha contra a França foi do zagueiro Hummels? Que no pior jogo, o mais chato, o que deu calo nas vistas, Alemanha e França, o melhor jogador foi o goleiro? Aquela defesa que joga parada, falo a da Alemanha, é altamente transponível, por um jogador que leva a defesa como Fred e abri caminho para outro atacante. Veja gol do Thiago Silva contra a Colômbia, o Fred levou toda a defesa com ele. Gols decisivos entre seleções, são de bola parada, contra a Holanda em 94 se não fosse o Branco ao desempatar e por 3X2 para o Brasil contra a Holanda, nós não teríamos sido tetra, através de cobranças de penaltis, que são nada mais nada menos bolas paradas chutadas por zagueiros, laterais, goleiros roupeiros, gandulas e qualquer diabo que possa direcioná-la a gol.

    Curtir

  3. Ismar,

    não subestime uma seleção que tem Messi. É como nosso Pelé no passado. Quando está num grande dia, acaba com qualquer adversário sozinho.

    De resto, impressionou-me o autocontrole dos hermanos na fase dos mata-matas. Têm um espírito vencedor que talvez falte à Holanda.

    Continuo achando que o resultado é imprevisível, vai depender dos detalhes. A Argentina pode passar -e tomara que o faça, para termos um sul-americano na final. O outro leva jeito de que só passa por milagre.

    Curtir

  4. Carlos,

    o que importa não é quem marcou o gol, mas a capacidade que a Alemanha teve de controlar a partida depois, praticamente não dando chance aos franceses. Além disso, teve várias chances para matar o jogo e só não o fez por erros de finalização.

    O Fred só leva consigo defesas amadorescas como a da Colômbia. Os alemães não são bisonhos.

    Gols de bola parada podem decidir jogos equilibrados. Entre este Brasil meia-boca e a Alemanha não há equilíbrio.

    Curtir

  5. Caro Lunga,
    Vejamos o que tem a dizer quem vive na Europa e acompanha todos estes jogadores lá, Scott Moore:
    lembremos algumas coisas.

    Um: a Alemanha não tem nenhum Neymar. Seu jogador mais hábil, Ozil, está numa categoria claramente abaixo. É um time perfeitamente batível, como se viu em toda a competição. (Nota da tradutora: totally beatable.)

    Dois: o Brasil tem Willian, um craque subestimado entre os brasileiros por ser desconhecido. Mas aqui, em Londres, nós sabemos o grande jogador que é. Conquistou um lugar no Chelsea tão logo chegou na Ucrânia enquanto Oscar fica mais no banco que no campo.

    Arma, dribla, finaliza, dá passes precisos: enfim, um jogador completo. Não tem as arrancadas letais de Neymar, mas tem outras virtudes. E insisto: também a Alemanha não tem aquelas arrancadas.

    Três: no decorrer do campeonato, um jogador foi emergindo como a real alma do time. David Luiz, outro velho conhecido de nós da Inglaterra. É o real capitão do time, embora não tenha a braçadeira.

    Sua liderança pode atenuar entre os jogadores o sentimento de perda pela ausência de Neymar.

    E a seu modo peculiar – desajeitado, caretas de Jim Carrey, cabeleira voando desordenamente – também ele tem suas arrancadas, capazes de eletrizar a torcida e contagiar seus companheiros.

    A dependência de Neymar é mais psicológica que real, e certamente está mais nos jornalistas esportivos do que nos jogadores.

    Um último ponto: a agressão sofrida por Neymar – pelas costas – faz refletir sobre o peso das punições. Uma mordida, cujos doídos efeitos passam depois de poucas horas, foi punida com quatro meses de suspensão.

    Qual seria o castigo certo para quem quase aleija o adversário? Qual infração foi mais grave? Parece claro, agora, que a mordida foi supervalorizada.

    Ladies & Gentlemen: disse que ia apostar no Brasil contra a Alemanha, alguns dias atrás. A despeito do afastamento de Neymar, mantenho a aposta.

    Sincerely.

    Scott
    Chupinhado do Diário do Centro do Mundo
    Insisto, o melhor jogador da Alemanha continua sendo o goleiro.Grifo meu Carlo.

    Curtir

  6. Acredito que o Brasil é a zebra desta fase final.Pode até surpreender, mas pra isso, tem que contar não apenas com um bom futebol que ainda não apresentou(e acho difícil apresentar nesta copa),tb com um dia pouco inspirado do(s) adversário(s), ou seja, uma dobradinha meio improvável. Porém, como o futebol ainda mantém uma certa mística da “caixinha de surpresas”, quem sabe ? Abração Celso Marcelo Roque

    Curtir

  7. uma hora a sorte acaba. pelo visto a sorte acabou pro tima da CBF! mesmo a Alemanha cansada,vence o pra lá de desorganizado time da CBF. concordo com seu texto Náufrago. não ligue pra esse povo ufanista(ou pachecada).eles não entendem muito de futebol!

    Curtir

  8. Ponti,

    para quê discutirmos isto agora? Daqui a dois dias teremos a resposta. E, como o relógio não anda para trás, a modernidade e competência do Löw prevalecerão sobre o anacronismo e intransigência do Felipão. É simples assim.

    Curtir

  9. Para esta copa, acho que nossa seleção não fez fiasco, se saírem na terça, será contra um grande adversário. Portanto, nenhuma catástrofe aconteceu como diziam os profetas do futebol brasileiro.

    ou aquela seleção de 2010, com o RC ajeitando a meia num momento importante da partida.

    David Luiz, Thiago, Luis Gustavo, Neymar, são gigantes na garra….coisa rara nos jogadores brasileiros.

    Curtir

  10. Garra, meu caro Ismar? Estamos falando de esporte ou de rinha?

    O desejável seria um escrete jogando futebol bonito, com talentos diferenciados, consistência e organização tática.

    Deixa a garra para os animais, são eles que a têm. O próprio uso indevido da palavra sugere bestialização.

    Passei a vida inteira vendo o Corinthians jogar com garra, mas as lembranças que guardo com mais carinho são as do futebol mágico de Sócrates, Zenon e Casagrande durante a democracia corinthiana.

    E é mil vezes preferível perder uma Copa do Mundo encantando o mundo como fizemos em 1982, do que ganhar nos pênaltis depois de 120 minutos de 0x0 e futebol horroroso, como em 1994.

    Não dê tanta importância a troféus pegando pó em prateleiras, Ismar. Como homens, o que vale mesmo para nós é o prazer e a beleza que os espetáculos, inclusive o futebol, nos proporcionam.

    E a seleção do Felipão não me oferece gratificação nenhuma, só desalento. Fico o tempo todo refletindo sobre como conseguimos regredir tanto.

    Curtir

  11. Náufrago:tem um lado positivo nisso aí.mostrou que não temos time para as eliminatórias.pra quem daqui há 1,2 anos vai jogar com os sul americanos,é no minimo repescagem!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s