O CANIBAL-PROPAGANDA, A ÉTICA E OS NEGÓCIOS.

Na recém-finda Copa dos Capos (vide aqui), o grande atacante uruguaio Luis Suárez deu uma mordidinha num zagueiro italiano, na esperança de que este reagisse violentamente e fosse expulso. Chiellini pagou na mesma moeda, fazendo o maior escândalo para ver se cavava cartão vermelho para o Suárez. O árbitro, sabiamente, ignorou a palhaçada de ambos.
Leigos preconceituosos, provavelmente por ignorarem que a catimba é inseparável do futebol, fizeram a maior tempestade em copo d’água, dando motivo (ou pretexto) para a Fifa aplicar-lhe punição exageradíssima. 
Aí a Adidas, em nome da moral, dos bons costumes e de um pretendido ganho em termos de imagem (queria pavonear-se com as penas da ética, como diferencial em relação à concorrente Nike, que não coloca o bom-mocismo na vitrine), anunciou o cancelamento do contrato de patrocínio com Suárez.
O passe do uruguaio, contudo, acaba de ser adquirido pelo Barcelona, a principal marca futebolística do planeta. A Adidas percebeu que, tirando o time de campo, deixava o terreno livre para a Nike (que já patrocina o Barça) deitar e rolar, em termos publicitários.

Então, como ainda não havia rescindido formalmente a relação comercial, voltou atrás: acaba de anunciar que manterá Suárez como seu canibal-propaganda

Se fosse mais sincera, utilizaria a mesma justificativa do Jarbas Passarinho ao assinar o AI-5: “Às favas todos os escrúpulos!”.
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