"O 7 A 1 TAMBÉM PODE SER MORAL"

Mário Magalhães, brilhante jornalista  e autor de Marighella – o guerrilheiro que incendiou o mundo, praticamente esgotou no seu blogue o assunto das desastrosas escolhas de Gilmar Rinaldi e Dunga por parte da desmoralizadíssima CBF. Recomendando a leitura da íntegra do seu artigo (acesse-o aqui), reproduzo os parágrafos finais, com os quais concordo em gênero, número e grau.
…seguem alguns pitacos sobre o novo técnico da seleção brasileira e o novo coordenador de seleções da CBF.
Começando por Gilmar.
Quando um magistrado se declara impedido de exercer sua função em determinado processo,  por se considerar suspeito, ele não se classifica como um salafrário que decidiria com parcialidade ou interesses escusos, e não com base na lei.
O juiz pensa que, se o réu foi seu sócio em escritório ou colega de escola, as relações comerciais e pessoais podem interferir subjetivamente no julgamento, por mais que o magistrado busque aplicar com escrúpulos a legislação. Sob suspeição, passa o processo a outro.
Como seu agente, Gilmar poderia ter salvado a carreira de Adriano?
Gilmar dedicou-se por por mais uma década, até dias atrás, ao trabalho como agente de jogadores. É lógico que se cria suspeição sobre ele, no novo cargo, quando ser convocado ou não para a equipe nacional pode representar ganhos e perdas milionárias ao jogador e seus empresários. No mínimo, Gilmar deveria ter cumprido quarentena.
A desconfiança não decorre do caráter de Gilmar, reitero. Mas do conflito de interesses. O problema não se apresenta apenas a observadores e torcedores, mas sobretudo aos jogadores.
Como sabe quem acompanhou o cotidiano de clubes e seleções, é comum os boleiros desconfiarem de que são favorecidos ou prejudicados em virtude não do desempenho esportivo, mas dos vínculos do empresário de cada um com os cartolas. Não é esse o ambiente recomendável para reconstruir a seleção.
Outra deficiência de Gilmar é que ele exercerá uma função para a qual não ostenta lastro profissional que ampare tamanha responsabilidade.
Ele é o homem errado no lugar errado e na hora errada.
Sobre Dunga.
A escolha de Marin e Del Nero, capi da CBF, premia a performance ruim.
O treinador perdeu com a seleção na Copa de 2010. Depois, ficou anos parado e só trabalhou em um clube, o Inter, no qual ganhou o que valia menos e fracassou quando os desafios aumentaram.
Isso mesmo, de 2010 a 2014, Dunga só foi técnico num clube, no qual não sobreviveu por um ano.
O noticiário informa que ele estava acertando contrato com a seleção venezuelana. Seria um bom recomeço, para evoluir até encarar objetivos mais parrudos. De certo modo, este ainda é o tamanho de Dunga como técnico: comandar a Venezuela.
O recado dos chefões do futebol nacional é que ninguém precisa montar times bons, brilhar ou vencer, como tantos treinadores brasileiros e estrangeiros fizeram nos últimos anos. Às favas com o mérito!, parecem dizer.
O escolhido tem um currículo modestíssimo, apesar de já ter comandado a seleção em um Mundial.
Gilmar é o nosso 7 a 1 moral no sentido de não ser boa conduta nomear um coordenador de seleções quem até anteontem tratava com jogadores no papel de empresário.
Dunga é o 7 a 1 moral como adjetivo: o estado de espírito’ gerado por sua sua contratação pelo antigo deputado da ditadura e seu iminente sucessor na CBF é o de manutenção da cultura que, depois da goleada alemã, seria necessário mudar.
Por mais que as palavras de Dunga e Gilmar possam sugerir inflexões, eles representam a continuidade futebolística da seleção de 2014, ainda que venham a conquistar resultados melhores.
Na entrevista, afora cutucadas em Felipão e Parreira e uma ou outra frase que se presta a títulos jornalísticos, não houve sinal de virada na seleção. O eixo continua a pregação pelo comprometimento -igualzinho a Scolari.
Pelo visto, pouco aprendemos -ou aprenderam- com a debacle no Mineirão.
O 7 a 1 também pode ser moral. 
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