HÁ 25 ANOS, PERSONIFICÁVAMOS A ESPERANÇA…

…pois os melhores brasileiros antevíamos a possibilidade de termos um governo realmente popular, que tomasse as medidas necessárias para a remoção dos entulhos autoritários, fosse reduzindo nossa terrível desigualdade social e, pouco a pouco, conduzisse o país para o socialismo. 

Esta era a visão que inspirava a inesquecível campanha do Lula-lá. A esquerda simbolizava o sonho: acreditávamos piamente que conseguiríamos construir um Brasil melhor e mais justo. 

Não por acaso, o slogan do Lula era “sem medo de ser feliz”. Pois ainda tínhamos autoridade moral para prometer a felicidade.

Hoje o PT não tem nenhuma esperança a oferecer, só a perspectiva de um mais do mesmo que não aquece os corações nem inspira as mentes. Então, a atual campanha está deprimente e enlameada como nunca, focando muito mais os defeitos dos adversários do que as próprias virtudes.

Devemos reeleger Dilma porque ela não constrói aeroportos nos terrenos de seus parentes ou eleger Aécio, talvez Campos, para evitar mensalões e a (fantasiosa) marcha para um regime bolivariano — esta é a opção dada aos eleitores.

Então, fiz questão de relembrar aqui uma campanha em que a esquerda se comportava como esquerda e o jogo sujo partia da direita. Aquela derrota nos engrandeceu mais do que muitas vitórias subsequentes, assim como os apreciadores do verdadeiro futebol preferem mil vezes recordar a malograda Seleção Brasileira de 1982 do que o (mal e porcamente) vencedor escrete de 1994. 

Obs.: como eu já comentei noutra ocasião, quando a campanha é centrada em denúncias das mazelas reais ou supostas dos adversários, o tiroteio nunca acaba e o resultado é sempre o de tornar a política repulsiva aos olhos do cidadão comum. O escândalo que acaba de sair do forno é a fraude na CPI da Petrobrás, com os depoentes sabendo de antemão as perguntas que lhes seriam feitas e passando por um completo treinamento para desempenharem bem seus papéis. Logo, logo, o PT achará munição nova para colocar Aécio ou Campos na berlinda. A baixaria não tem fim.
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3 comentários

  1. Caro Lungaretti,

    Você tem razão, como em tantas outras vezes. Vi a seleção de 82 e participei da campanha de Lula em 89. Hoje, infelizmente, a vida política (partidária, ressalte-se) está reduzida a uma polarização que não nos anima de modo interessante. E isso não só em nível nacional. Estados e municípios também estão assim, o que é uma pena.

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  2. COMO LI POR AÍ: A oposição não quis integrar a CPI.
    E qual a pergunta sobre o caso que ninguém sabia?
    As perguntas dos Políticos da oposição eram conhecidas?

    Não tem o menor sentido.

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  3. Sim, Sílvio, a própria oposição não acreditava que pudesse extrair algum dividendo da CPI depois de perceber que sua influência no resultado final seria nenhuma.

    Mesmo assim, os governistas cometeram uma tremenda lambança ao fazerem uma espécie de “media trainning” para que os depoentes saíssem bem na foto. Entregaram o ouro pro bandido.

    Essa mania de quererem sempre ser muito espertos acaba dando nisto; são é bobos. Provavelmente, sairia tudo bem sem conhecerem previamente as perguntas. Mas, terem encenado uma farsa em pleno Congresso foi a maior roubada.

    Enfim, continuo insistindo: a campanha deveria ser para o alto, não cada vez mais para baixo. Mal começou e ninguém aguenta mais o fedor.

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