RECADO PARA O JABOR: TODA FALÁCIA SERÁ CASTIGADA.

Foi assim que ele ficou ao rever seu filme de 2010?
Arnaldo Jabor era um cineasta promissor quando fez sua estréia no longa-metragem com o documentário Opinião pública (1967), sobre as contradições que tangiam a classe média para o conformismo e a tornavam facilmente manipulável. Ele tinha em mente, claro, a contribuição que parte da dita cuja, deixando-se amedrontar pela propaganda enganosa e alarmista dos conspiradores, dera para a legitimação da quartelada de 1964.
Seguiram-se seis outros longas, quatro dos quais tiveram algum sucesso de crítica e/ou público: Toda nudez será castigada (1973), Tudo bem (1978), Eu te amo (1981) e Eu sei que vou te amar (1986). Aí a fonte de sua inspiração secou. Definitivamente. [Tentou retornar em 2010, após um hiato de 24 anos, mas o resultado foi simplesmente constrangedor: ninguém viu e ninguém gostou de A suprema felicidade, cuja pontuação no site IMDB não alcançou sequer 5, ficando abaixo de franquias caça-niqueis como Os mercenários.]
O jeito foi ele se tornar mais um anticomunista profissional abrigado nas Organizações Globo -melancólico papel que desempenha desde 1995.
Como bem disse o escritor francês Maurice Druon, “viver envilece”. Muitos já fizeram transições negativas similares, dentre eles o duce Mussolini, o corvo Carlos Lacerda e artistas infinitamente mais talentosos do que Jabor, como Mario Vargas Llosa e Jorge Semprún.
E assim ao reler um de seus artigos? 
Causa-me pesar, contudo, vê-lo excedendo-se a tal ponto nas suas catilinárias furibundas que parece querer reeditar os profetas do apocalipse da antessala do golpe de 1964. No seu artigo O califado petista (este aqui), só faltou pedir que as gloriosas Forças Armadas interviessem novamente para salvar o país da subversão e dos malvados que comem criancinhas vivas. Eis algumas pérolas, com meus comentários em vermelho: 
As eleições para presidente não serão ‘normais’ – apenas uma disputa entre dois partidos para ver quem fica com o poder. Não. Trata-se de uma batalha entre democratas e não democratas. Está na hora de abrirmos os olhos, porque está em curso o desejo de Dilma e seu partido de tomar o governo para mudar o Estado
Até que soa engraçado, ele acusar o PT de fazer exatamente o que deveria estar fazendo se houvesse permanecido fiel às suas origens, mas comprometeu-se a não fazer em 2002 e desde então vem honrando a palavra (em má hora) empenhada. O PT dos pesadelos do Jabor é o PT dos nossos sonhos. Infelizmente, o sonho acabou e pesadelo só assusta criancinhas.  
O petismo tem a compulsão à repetição do que houve em 1963; querem refazer o tempo do Jango, quando não conseguiram levá-lo para uma revolução imaginária, infactível.
Aqui Jabor desmente os alarmistas de outrora: se o PCB não conseguiu conduzir João Goulart para uma “revolução imaginária, infactível”, então os pretextos utilizados pelos militares para usurparem o poder eram fantasiosos. Disto já sabíamos, mas quem fomenta alarmismo no presente deveria ser mais respeitoso com os alarmistas do passado, ao invés de os desmascarar…
Há alguma semelhança com o PT? Nem a pau, Juvenal!

Os petistas querem a democracia do Comitê Central, o centralismo democrático, o eufemismo que Lênin inventou para controlar Estado e sociedade.
Se os petistas são bolcheviques, por que praticamente todos os quadros do PT ideologicamente afins do bolchevismo saíram ou foram saídos do partido ao longo das últimas décadas? Aliás, só pode ser piada, pretender que Sarney, Maluf, Collor e ACM tenham se aliado a neo-bolcheviques!
…o PT abriga muitos fracassados porque, ao se dizerem ‘revolucionários’, sentem-se superiores a nós, os alienados, os neoliberais, os direitistas, os vendidos ao imperialismo.
Só uma curiosidade: já que Jabor admite estar entre os “nós”, em qual dos quatro grupos ele se inclui? Temo que a maioria dos leitores o colocará no último.
Por falar em semelhança…

…[os petistas] sentem falta de uma ideologia que os justifique e absolva. E como não existe nenhuma disponível (…), apelam para o tosco bolivarianismo que nos contamina aos poucos.
Ué, eles não eram bolcheviques?! O Jabor precisa se decidir: ou uma coisa, ou outra. Pois, se ele considera Lênin igual a Chávez, está na hora de procurar uma boa casa de repouso.
E por aí vai, numa retórica tão pomposa quanto insignificante, tão pretensiosa quanto vazia. Eu poderia discutir a sério sua sopa indigesta de clichês direitistas, mas ela é tão nauseante que não consegui motivar-me para tal empreitada. Só mesmo levando na galhofa (e tampando o nariz), como fiz.
Mas, o que está por trás desse prato feito pode ser ainda pior do que seu fedor nauseabundo. Já assistimos uma vez à preparação de cenário para o estupro das instituições e se trata do último filme que queremos ver de novo. No ranking dos indesejáveis, supera até o abacaxi de 2010 de um ex-cineasta chamado Arnaldo Jabor…
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2 comentários

  1. “A única diferença entre o padre e o ateu é a batina”. Desde sempre rezam a mesma cartilha. Apontam em sentidos contrários, mas a direção é a mesma. Rasguem a batina e a cartilha!!!

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