SÃO MUITOS OS QUE ESTÃO SOB O DOMÍNIO DO MEDO NESTA SEMANA…

Confesso que há um tanto de ironia na minha decisão de acrescentar o polêmico Sob o domínio do medo à relação dos filmes para ver no blogue  exatamente nesta semana em que as duas principais candidatas à Presidência da República estão simplesmente apavoradas face à possibilidade de saírem mais batatas quentes do forno do Paulo Roberto Costa. 
Quanto a Aécio Neves, ainda fazendo blague com os filmes de Sam Peckinpah, até 6ª feira passada estava se conformando com a derrota, parecendo prontinho para entregar os pontos e dizer às duas competidoras: meu ódio será sua herança. No entanto, depois que os assassinos de elite da veja alvejaram reputações e lhe deram novo alento, parece acreditar que o seu comboio ainda poderá chegar ao Palácio do Planalto. Mas, como a morte não manda recado, só para ele não caiu a ficha de que a sua candidatura já era, restando-lhe apenas fazer um juramento de vingança, no sentido de que tudo será diferente em 2018…
Falando sério, Sob o domínio do medo (1971) é um filme extremamente impactante, dirigido com a maestria habitual por Peckinpah, o poeta da violência. Mas, se o enredo for tomado como uma parábola sobre o mundo moderno, a coisa pega. Houve quem o considerasse fascistóide, mesma prevenção que existiu contra outras duas fitas marcantes do período, Perseguidor implacável (d. Don Siegel, 1971) e Desejo de matar (d. Michael Winner, 1974).

As decisões dos personagens principais das três fitas fazem sentido à luz dos seus dramas específicos, mas parecem servir como pretexto para uma apologia da volta à lei das selvas. Cabe a cada espectador decidir se os encara como episódios isolados ou como receita genérica para a sociedade.

Matemático estadunidense (Dustin Hoffman) vai com sua esposa (a sensual Susan George) para o vilarejo natal dela na Inglaterra rural, onde espera escrever seu livro em paz. Mas, os aldeãos tomam sua sofisticação por pusilanimidade e o provocam continuamente, até que ele explode: socorre um retardado mental (David Warner) que um clã truculento acredita tratar-se de um pedófilo assassino. e, como um castelão medieval, recusa-se a entregar aquele a quem acolheu, defendendo a sua fortaleza com a mesma bestialidade dos sitiantes. 
Os menos simplistas viram o filme sob outro aspecto: o de que estaríamos regredindo à Idade Média, mantendo-nos a salvo em nossos edifícios seguros e condomínios fechados, enquanto a miséria grassa ao redor e os miseráveis nos acossam. Então, não se trataria de uma ode à barbárie, mas sim de um alerta contra ela, na forma de uma exacerbação dos horrores que a escalada da desigualdade estaria engendrando.
Ah, ia esquecendo: existe um remake caça-niqueis de 2011, do qual convém mantermos distância.
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6 comentários

  1. Meu velho, acompanho aqui o teu blog, tou curtindo demais as tuas postagens sobre Cinema, e me dá vontade de comentar, sendo repetitivo.

    Cara, nestas eleições, a hipocrisia petista que vamos vendo é a coisa mais assombrosa que tenho testemunhado ao longo de alguns anos! Agora, os petistas dizem que Marina “entregará o Brasil aos banqueiros”.

    Em 2014, este governo imundo dá aos banqueiros quase metade do PIB para pagar os juros da dívida pública, e quem vai entregar o Brasil aos banqueiros é a Marina! O endividamento popular diante da economia de crediário e da desvalorização crescente do trabalho é tudo aquilo que sabemos que é, e quem vai entregar o Brasil aos banqueiros é a Marina! Essa gentalha (tou falando do Governo) faz aprovar o maldito Código Florestal, e quem vai dar colher de chá aos latifundiários é a Marina! Em 2013, uma área equivalente a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo desapareceu da Amazônia brasileira, e quem “mudou de lado” em relação ao meio ambiente foi a Marina!

    E a torcida, porque o grosso dos eleitores mais “politizados” do PT não passa disso, gostando, aplaudindo, berrando e pedindo mais!

    Putzigrila! Eu fico me perguntando se fanatismo político popular é característica de todo país de analfabeto como o nosso, ou se é algo mais sério.

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  2. O fato do público (não só brasileiro) terem prestigiado Hoffman, Bronson e Eastwood nos três filmes mencionados, sob as direções competentes de Winner, Peckinpah e Siegel merecem uma certa avaliação de que, lá no fundo do inconsciente de TODOS, está a vontade de fazer a justiça com as próprias mãos. Winner, realizou diversas “continuações” com Bronson, até que o filão se estinguiu, e Eastwood fez também muitos outros filmes com o “Dirty Harry”.
    Outros filmes (alguns de sucesso, outros nem tanto), chegam às telonas e telinhas, confirmando o inconsciente dos que vão assistir tais filmes, ou seja, ADORARIAM fazer justiça com as próprias mãos (como não podem, o fazem simbolicamente através desses personagens…
    Quem não sentiu vontade de esganar alguns juízes do STF? E de estraçalhar alguns réus daquele julgamento?
    O tênue verniz da nossa “civilidade” nos impedem disso.
    Até quando?

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  3. Eduardo,

    bem a propósito, eis o que o Vladimir Safatle escreveu na sua coluna de hoje:

    “…o lucro líquido do banco Itaú Unibanco chegou a R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre do ano: um recorde na história da instituição neste período e que representa um aumento de 36,7% em um ano.

    Já o lucro líquido ajustado do Bradesco, no mesmo período, foi de R$ 7,2 bilhões. O que representa, por sua vez, um aumento de 20,7% em relação ao ano passado.

    Sim, vejam vocês, há alguém que ganha quando nós não ganhamos…”

    Sim, veja você, se os grandes banqueiros quisessem apenas alguém para defender seus interesses, não precisariam apoiar a Marina, pois há quase 12 anos seus desejos são ordens no Palácio do Planalto.

    Abs.

    Celso

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  4. Anônimo,

    o interessante é que os três filmes que eu citei, se você considerar o drama enfocado em si e não como paradigmas a serem seguidos, são muito bons.

    O Dustin Hoffman age de forma brutal para salvar um retardado de brutamontes que certamente o matariam.

    Quando o Dirty Harry vai torturar o psicopata para saber dele onde a menina estaria agonizando, a própria câmara vai se afastando, como se reprovasse o comportamento do personagem.

    E é difícil não darmos um desconto para um sujeito que se tornou “justiceiro” em função do trauma de seus entes queridos terem sido estuprados e assassinados por bestas-feras.

    Não citei o Rambo 1 porque é da década seguinte, mas tem o mesmo jeitão: de tanto sofrer na guerra, o cara está em parafuso, precisando de que o ajudem. Quando maltratado, reage da forma como foi treinado para reagir. Mas, no final, ele desaba e se torna um bebezão choramingas, amparado pelo coronel “papaizão”.

    Nos filmes subsequentes, contudo, os três personagens são mostrados de outra forma. Seu comportamento passa a ser APROVADO, e não mais mostrado como consequência de circunstâncias extremas. Ele já não precisam de atenuantes; são o que são, e o público mostrou querê-los desse jeito mesmo.

    Na minha opinião, o Michael Winner. o Ted Kotcheff e o Don Siegel preservaram suas dignidades. Os três foram, a partir do segundo filme, substituídos por pistoleiros de aluguel que nem sabem o significado da palavra…

    Abs.

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  5. Embora os bancos (Bradesco / Itaú) ganham dinheiro como nunca no varejo, muitos outros ganham muito mais no “atacado”, ou seja investimentos puramente atrás dos juros estratosféricos oferecidos pelo Brasil.
    Acredito que ESTES interesses vão ser defendidos de uma forma ou outra, para que o Brasil não se transforme em uma galinha dos ovos de ouro morta. Vão tentar preservar a fonte dos lucros, o que significa que não ficariam muito contente com um governante desgastado, e muito menos com uma “tabaroa” que ao que tudo indica, está se apoiando em banqueiros brasileiros e indústrias nacionais, aparentemente acreditando que é o suficiente.
    Numa visão macro,o que comanda o mundo são os banqueiros componentes do FED americano, e se os “bancos nativos” lhe são subordinados, é sempre um risco a tentativa de nacionalização que um político nativo tentaria fazer, o que obviamente vai ser obstaculizado…
    O poder dos 13 bancos componentes do FED é indiscutível, o Diálogo Interamericano fundado após a segunda guerra, não é páreo para qualquer organismo fundado no cone sul.
    Claro que tentam enfrentar os banqueiros do FED, mas esquecem que Lula é criatura de Golbery, e NUNCA foi realmente da esquerda…

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  6. Pois é, Celso, pois é.

    Aqui na minha cidade, Jundiaí, tenho a satisfação de ser amigo, até o fim e desde sempre, dos metalúrgicos que estão comendo o pão que o diabo amassou para finalmente derrotar, por meio de uma Oposição Metalúrgica, a pelegagem que deita e rola no Sindicato sob a mesma direção desde 1990: o presidente do Sindicato é do PT, e o Sindicato, meio por baixo dos panos, é da Força Sindical, veja que coisinha mais meiga.

    O desemprego entre metalúrgicos aqui, mais e mais violento ao longo dos últimos três anos (em Jundiaí há nada menos que 500 indústrias, muitas delas metalúrgicas), deve-se em grandiosa medida ao poder dos bancos em escala nacional e global.

    Por exemplo, tivemos aqui, em 2013, quase 6 mil operários jogados na rua, metalúrgicos provenientes do ramo eletrônico, quando a Itautec praticamente liquidou a sua planta em favor da japonesa OKI. Uma parte da estrutura original, na Itautec, fica com a produção de caixas eletrônicos, enquanto a OKI, junto com a maldita Foxconn, passa a centralizar a produção de computadores e componentes.

    Quem determinou a demissão de todos esses trabalhadores, sem sinal de crise, isto é, com balanços crescentemente positivos? Ela, a direção do Itaú, com total anuência dos pelegos do PT. Até greve de fome pai de família andou fazendo, acorrentado ao portão da Itautec.

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