MESTRE CARSUGHI FALOU E DISSE: ACIDENTE COM BIANCHI DEU "A EXATA MEDIDA DA COBIÇA PELO DINHEIRO".

Claudio Carsughi, 82 anos, é o decano dos jornalistas especializados em automobilismo no nosso país (além de comentar o futebol). Italiano de Arezzo, chegou aqui em 1946 e foi ficando; cobriu o Mundial da Fifa de 1950 para o Corriere dello Sport. 
Lá por 1965, 66, ele participava de um impagável programa esportivo na rádio Record de SP, ao meio-dia, juntamente com o Braga Jr. e o Joseval Peixoto. O sotaque ainda era forte e fazia intervenções bem sensatas e equilibradas. Dava a impressão de ter mais do que seus reais trinta e poucos anos.
Naquele tempo em que o pessoal do futebol se levava muito a sério, Braga Jr. era o único a brincar o tempo todo, zombando de cartolas, técnicos, jogadores, o diabo. E não poupava o colega Carsughi. Era alvo de gozações diárias Dizia, p. ex,. que ele dormia de touca. Até nos comerciais: “Não durma de touca como o Carsughi! Vá à loja tal e compre…”. 
Eu ficava imaginando-o como um gringo bonachão e antiquado, usando camisola e a dita cuja. 
Reencontrei-o na internet, ainda fazendo comentários sensatos e equilibrados sobre futebol e F-1. O seu site é este aqui
Neste domingo, habituado ao seu estilo afável, surpreendi-me com a contundência do texto. É um octogenário que ainda consegue indignar-se com a sordidez do esporte regido pelo capitalismo! 
O acidente deste domingo em Suzuka…
Merece nossa irrestrita admiração, como vocês constatarão ao lerem a sua análise do acidente que quase tirou a vida do piloto Bules Nianchi (o seu estado, depois de uma cirurgia na cabeça, ainda é grave):

O GP do Japão deu, uma vez mais, e desta feita de forma cruel com o terrível acidente do jovem Bianchi, a exata medida da cobiça pelo dinheiro, que rola às centenas de milhões de dólares na F1, e o absoluto desprezo por todo o resto por parte de seus inescrupulosos dirigentes.

Ficou claro, desde o começo da manhã, que em Suzuka ocorreriam fortes chuvas, situação que, com dirigentes mais atentos à salvaguarda dos pilotos, proporia duas soluções.

Uma, a de, em caso de chuvas torrenciais, anular o GP e eventualmente faze-lo realizar na 2ª feira, se as condições meteorológicas o permitissem. Outra, antecipar de algumas horas a largada, aproveitando o fato das condições da pista ainda permitirem, pela manhã, uma disputa normal, sem muitos perigos.Em ambos os casos, do ponto de vista de pilotos e equipes, teríamos apenas prejuízos menores, de organização interna e reformulação de voos. Mas não se colocariam em perigo vidas humanas.

…e o de Ímola/1994, que até hoje nos provoca pesadelos.

O único prejuízo – e bem grande, certamente – seria financeiro, com as emissoras de televisão obrigadas à reformular suas programações à última hora pois não teriam uma atração pela qual pagam, e pagam muito. E a FIA provavelmente se veria obrigada a indeniza-las de alguma forma pelo prejuízo. Mas sempre muito menos do que vale a segurança de todos os envolvidos num GP.

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