UMA OBRA-PRIMA DE ARREPIAR: "ADEUS, MENINOS"!

Adeus, meninos (1987) é uma obra-prima, de arrepiar! Une uma visão poética da meninice num colégio católico com a dura prova a que professores e alunos são submetidos a partir da ocupação nazista, quando solidarizar-se aos perseguidos tinha um preço altíssimo.
Louis Malle (1932-1995) foi um dos principais expoentes da nouvelle vague, a onda francesa que tornou mais inteligente a vida no cinema, ao colocar em primeiro plano o papel do autor (o diretor com licença para criar, enveredando por enredos com densidade bem maior e fazendo as mais diversas experiências formais, ou seja, imprimindo, bem nítida, sua marca pessoal no filme), em contraposição aos artesãos característicos de Hollywood (pistoleiros de aluguel cuja personalidade jamais deveria transparecer no filme). 
De certa forma, foi toda uma geração de brilhantes cineastas que trilhou o caminho aberto pelo genial Orson Welles com Cidadão Kane, tão inovador em 1941 que só no final da década seguinte suas premissas se cristalizaram num movimento –cinematograficamente o mais rico do século passado, por apontar para várias direções, enquanto o néo-realismo, p. ex., estava mais para samba de uma nota só.
Há dúvidas sobre se Malle teria sido precursor ou lançador da nouvelle vague, com seu Ascensor para o cadafalso (1957), mas ninguém discute a importância da contribuição de Os amantes (1958) e Trinta anos esta noite (1963) para o movimento.
Depois, faria filmes muito polêmicos, questionando valores sociais e/ou dissecando ambiguidades morais, como O ladrão aventureiro, de 1967 (que mostra sem nenhum moralismo a trajetória de um indivíduo até se tornar gatuno exímio); Lacombe Lucien, de 1974 (no qual lança um olhar compassivo para um jovem rústico que as circunstâncias transformam em colaborador da Gestapo); e Menina bonita, de 1978 (sobre menina criada em bordel, filha de prostituta, que só almeja tornar-se também meretriz, a despeito dos esforços de um admirador para salvá-la desse destino).
Adeus, meninos é seu apogeu e canto do cisne, um filme simplesmente perfeito, seja pela sensibilidade com que retrata o período em que os jovens vão formando sua personalidade, escolhendo as influências que incorporarão, conhecendo o que são e até onde poderão ir, sempre submetidos ao desafio dos outros jovens que também buscam sua afirmação; seja pelo final fortíssimo, em que se deparam com dilemas morais que nem mesmo para os adultos são fáceis de enfrentar.
Destaque também para a irrepreensível atuação de um elenco sem grandes nomes, mas que compõe personagens extremamente marcantes. Presumo que graças ao toque de Midas do diretor. 
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