APOLLO NATALI: “ALGO DE BOM E ALGO DE RUIM A RESPEITO DO HINO NACIONAL”.

Tenho algo de bom para falar do Hino Nacional Brasileiro. E também algo de ruim, por questões de busca de lucidez para enxergar o que acontece de lamentável neste nosso país desde o seu nascimento. 
Começo pelo bom, a história curiosa e bela do Hino.
Francisco Manoel da Silva, que fez a música, e Osório Duque Estrada, a letra, não se conheceram. O músico morreu em 1865. O poeta nasceu em 1870, viveu até 1927, foi abolicionista, republicano e membro da Academia Brasileira de Letras.
A atual letra do Hino Nacional Brasileiro é a segunda. A primeira, de Ovídio Saraiva Carvalho da Silva, foi apresentada em público pela primeira vez em 1831, ano da abdicação de D.Pedro I e continha expressas alusões à monarquia. 
Com a proclamação da República, em 1889, o primeiro presidente, Marechal Deodoro da  Fonseca, tratou de substituir a letra. O poeta Osório Duque Estrada foi encarregado dessa tarefa.
Francisco Manuel da Silva

Curioso é que a atual letra só foi oficializada em 1922, faz 90 anos. Nossos pais, todos os que nasceram até o ano de 1921, não cantavam essa letra. Quase que também os revolucionários paulistas de 1924.
O autor da melodia, Francisco Manoel da Silva, era carioca e viveu entre 1795 e 1865. Estudou música com o Padre José Maurício. Entre seus trabalhos mais inspirados  está o Hino da Coroação do Imperador D. Pedro I. Integrou a Real Câmara de Música e foi o fundador do Conservatório de Música do Brasil.
Algo bom é saber também que a melodia do nosso Hino Nacional, considerada uma das mais líricas do mundo, inspirou o compositor norte-americano Gottchalk na composição da Grande Sinfonia Sobre o Hino Nacional Brasileiro. Ao contrário da letra, a melodia sobreviveu ao Império e foi adotada também pela República logo nos primeiros tempos do Governo do Marechal Deodoro.
Quando toca o Hino -uma visão psicanalítica ou sociológica aprofundada talvez explique- há choro, postura de respeito, arrepios de emoção, atletas não se contêm nos pódios, as lágrimas escorrem. Talvez porque o homem tenha medo de ser livre, agarra-se a um todo, precisa pertencer a um grupo, religião, ideologia, um clube de futebol. O hino da pátria é esse porto seguro de todos. Ainda é o bom.
Osório Duque Estrada
Olha o ruim. Quando se toca o Hino, em instalação de mandatos, inaugurações oficiais, nas cerimônias de premiação das competições esportivas, me sinto indignado, pensando que nessas ocasiões os mandantes do país, aqueles que escrevem a História –amiúde podre– continuam agarrados cinicamente aos seus tronos absolutistas, certos do consentimento explícito da emoção e da boa fé popular para seus desmandos.
Aos acordes emocionantes do hino considerado o mais belo do mundo, fico indignado com nossa Justiça indigente, anestesiada quanto à boa prática da ciência da convivência, o Direito. 
Igualmente anestesiada, aos acordes do Hino, permanece a consciência do que é lamentável, injusto, corrupto, no pais.  Chorem na rampa, nos pódios, nas cerimônias, ao som do Hino Nacional, os que têm sede de Justiça, porque em nenhum outro lugar serão saciados!
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