OS COLECIONADORES DE DERROTAS PERDEM MAIS UMA BATALHA

Muito barulho por nada: a aprovação da PEC 241 era favas contadas!

A possibilidade de o congelamento dos gastos federais ser barrado no Congresso é nenhuma. Mas, por não ter extraído as conclusões necessárias da fragorosa derrota que sofreu na batalha do impeachment e do seu apequenamento nas últimas eleições municipais, a esquerda mais uma vez levantou a bola para os inimigos marcarem o ponto. E o fará novamente nas próximas votações da mesma matéria, para colher o mesmíssimo resultado.

 

Por que, afinal, tentar impedir a todo custo que o governo federal passe a gastar menos?

 

Em termos mais amplos, porque a hegemonia petista foi extremamente danosa para a esquerda, já que o PT se transformou “num organismo voltado principalmente a manter o poder, como qualquer outro partido fez até agora, abdicando do utopismo democrático e libertário”, na definição exemplar de Tarso Genro (vide aqui). E, sem utopia, a esquerda retrocedeu para a nefasta e embolorada estatolatria (culto ao Estado). 

Um enorme equívoco da esquerda: a estatolatria.

E, em termos mais didáticos, como Ferreira Gullar explicou num artigo irrepreensível, “o populismo troca a luta de operários contra a burguesia pela luta de pobres contra ricos”. 


Então, a esquerda que desistiu de superar o capitalismo pela via revolucionária, dando fim à exploração do homem pelo homem, agora se limita a apoiar e promover o inchaço do Estado, para que este possa distribuir migalhas e paliativos aos pobres. Quer realizar um simulacro de justiça social à custa dos impostos pagos pelos contribuintes. Não funciona.

 

Mas, é o suficiente para seus expoentes conquistarem o voto dos pobres, obtendo cadeiras no Legislativo e até assumindo alguns governos, nos quais nunca ousam alçar voos maiores, limitando-se a apenas gerirem a desigualdade estrutural com um tiquinho de compaixão.

 

Mas, como não há sopa grátis sob o capitalismo, a gastança acaba superando a arrecadação e tais governos entram em parafuso, quando a sociedade acaba sendo levada a admitir que os remédios amargos são melhores do que a disparada do desemprego e da inflação.

 

É a fase em que nos encontramos agora e não adianta a esquerda ir contra a corrente, enfraquecida e desmoralizada como está. A mídia adversa a apresenta como sabotadora da recuperação econômica e o povo acredita, assim como engoliu a retórica do “ame-o ou deixe-o” durante a ditadura militar.

Temos mais é de reconquistar as ruas!

O que fazermos, então?

 

Primeiramente, pararmos de confrontar o Governo Temer no terreno minado do Congresso, pois continuaremos perdendo todas as batalhas importantes e, com isto, conferindo-lhe a legitimidade de que tanto carecia. 

 

Se não temos poder de fogo para prevalecermos na Praça dos Três Poderes, o jeito é lutarmos na sociedade – o que, aliás, jamais deveria ter deixado de ser a prioridade da esquerda. Precisamos recuperar nossa credibilidade e acumular forças, e só o conseguiremos voltando a realizar o trabalho de formiguinha, longe dos palácios do governo e próximos do cotidiano sofrido dos explorados.

 

E temos de abandonar de uma vez por todas a estatolatria, esta pálida e ilusória substituta da revolução. Se queremos que os homens tomem seu destino na mão, passando a colaborar fraternalmente para a promoção do bem comum e a felicidade de todos, para que, cargas d’água, precisamos do Estado (aquele que tanto marxistas quanto anarquistas sempre condenaram ao desaparecimento, só divergindo quanto à etapa do processo de libertação da humanidade em que tal ocorreria)?! 

 

Lutando pelo menos, passamos as últimas décadas patinando sem sair de lugar, enquanto o capitalismo foi se tornando cada vez mais nocivo e destrutivo, a ponto de atualmente ameaçar a própria sobrevivência da humanidade.

 

É hora de voltarmos a lutar pelo mais, a verdadeira e única solução dos nossos problemas: o fim do capitalismo.

 
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