SE O ACORDÃO SALVA-POLÍTICOS VINGAR, LULA SERÁ IGUAL A TEMER, QUE SERÁ IGUAL A FHC. JUNTOS, ELES SERÃO IGUAIS A NADA.

Toque do editor

Se você ainda duvida de que os políticos profissionais sejam todos farinha do mesmo saco, movidos por interesses e não por convicções ideológicas, esta matéria da edição de hoje (5ª feira, 13) da Folha de S. Paulo vai lhe dar o que pensar. 

Caso se consume o acordão salva-políticos que, segundo o relato, estaria sendo costurado neste exato instante, com boa chance de vingar, teremos de reconhecer que a frase atribuída ao general De Gaulle haverá sido a que melhor nos definiu em todos os tempos: “O Brasil não é um país sério”.

Colunistas e fontes bem informadas da capital federal já vinham ultimamente aludindo a tal acordão, o que me leva a crer que ele esteja mesmo sendo tramado (esta é a palavra que cai melhor no contexto). 

Mesmo que o texto haja sido inteiramente montado a partir de conversas em off, que podem ou não ter existido, quem conhece a fundo a política oficial e os políticos profissionais (meu caso, por força do ofício que exerci durante 34 anos) logo conclui que, como dizem os italianos, se non è vero, è ben trovato 

Se a tramoia se concretizar, a aritmética mudará:  1+1+1=0.

Intitulada Temer, Lula e FHC articulam pacto por sobrevivência política em 2018, é assinada por Marina Dias, da sucursal de Brasília. Ei-la:

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Foi em novembro do ano passado, quando a Lava Jato mostrou poder para atingir novos setores políticos e econômicos, que emissários começaram a costurar um acordo entre dois ex-presidentes e o atual chefe da República.

O objetivo era que Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (PMDB) liderassem um pacto para a classe política, fragilizada pelo avanço das investigações.

Apartamentos de autoridades e restaurantes sofisticados serviram para que aliados dos líderes políticos discutissem medidas para limitar a operação e impedir que o grupo formado por PSDB, PT e PMDB seja, nas palavras de articuladores desse acordo, exterminado até 2018.

Nas últimas semanas, a Folha ouviu pessoas relacionadas às três partes e a avaliação foi unânime: a Lava Jato, segundo elas, quer eliminar a classe política e abrir espaço para um novo projeto de poder, capitaneado, p. ex., por aqueles que comandam a investigação.

O bom trânsito com os dois ex-presidentes e com Temer credenciou o ex-ministro do STF Nelson Jobim e o atual ministro da corte Gilmar Mendes como dois dos principais emissários nessas conversas.

Jobim tem falado com todos. Já almoçou com Temer e FHC e marcou de encontrar com Lula nos próximos dias. Gilmar, por sua vez, hoje é próximo ao presidente, que participa de negociações para articular um acordo para a reforma política, diante do debate sobre a criminalização das doações eleitorais.

Este é o ponto que atinge os principais expoentes da política brasileira, inclusive Temer, Lula e FHC, os três citados nas delações de executivos da Odebrecht por recebimento de dinheiro de forma indevida, p. ex.

A convergência entre os três é: se não houver entendimento para assegurar um processo eleitoral tranquilo em 2018, aparecerá um outsider ou aventureiro.

O acordo de bastidores passaria pela manutenção de Temer até 2018 e a realização de eleições diretas, em outubro do ano que vem, com a participação de Lula.

A tese de quem está à frente das negociações é que não há tempo para uma condenação em segunda instância do petista até 2018, o que o deixaria inelegível. E, caso exista, garantem, haveria recursos em instâncias superiores.

 

As conversas, por ora, estão divididas entre as articulações de cúpula, que costuram o pacto para a classe política, e as do Congresso, que buscam medidas práticas para eliminar o que consideram abusos da Lava Jato e fazer uma reforma política.

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Observação: quando me refiro à política oficial e aos políticos profissionais, refiro-me, evidentemente, àqueles que disputam nacos de poder na democracia atual, que está burguesa como nunca e inútil como nunca em termos de utilidade tática no imprescindível processo de transformação em profundidade da sociedade brasileira. Pelo menos em tese, espera-se que a política revolucionária e os militantes revolucionários sejam, ou venham a ser, exatamente o oposto… (Celso Lungaretti)

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