O ERRO QUE O PT COMETEU EM 1997 EXPLODE NA SUA CARA EM 2017

O compadre Roberto Teixeira…

Quase 20 anos depois, o alerta que lancei quando do primeiro episódio rumoroso de conivência explícita com a corrupção por parte do Partido dos Trabalhadores foi totalmente validado pelos fatos. 

Pela porteira que foi então aberta para um boi enlameado passar, acabou entrando uma boiada inteira: seguiram-se ocorrências cada vez mais graves de desvios de recursos públicos para o financiamento de campanhas eleitorais e instrumentalização dos governos comandados pelo PT para favorecer interesses particulares, inclusive os de grandes empresas capitalistas e os de dirigentes petistas, esse estranho casal cuja repugnante promiscuidade hoje é exposta nos mínimos detalhes pela Operação Lava Jato.

Como se o destino quisesse corrigir um episódio histórico cujo desfecho tinha sido terrivelmente injusto, os dois principais responsáveis pela desastrosa decisão que o partido tomou em 1997 (ao sacrificar seus valores morais em nome de uma conveniência espúria e momentânea) estão atolados até o pescoço no mar de lama que jorra das delações premiadas da Odebrecht, conforme se constata em post de hoje (5ª feira, 20), do Blog do Josias. Vide este trecho:

Surgiu entre os delatores o engenheiro escalado pela Odebrecht para realizar a reforma do sítio de Atibaia: Emyr Costa. Ele conta como tocou a obra, fala do dinheiro vivo que teve que manusear e dá nomes aos bois. 

Como se fosse pouco, informa que, sob orientação de Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, elaborou um contrato falso para apagar da obra as digitais da Odebrecht e da família Lula. (…) Vem aí a delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS. Vai falar sobre a reforma do tríplex do Guarujá.

…e o companheiro Paulo de Tarso Venceslau.

Ou seja, tudo indica que o castelo de cartas do Lula desmoronará exatamente por causa de outros episódios envolvendo sua parceria com Roberto Teixeira, que já deveria ter sido desfeita em 1997, face ao enorme dano que ela acabara de causar para a credibilidade do PT. 

Ao insistirem no erro, o partido e Lula acenderam uma vela para o diabo. Estão sofrendo as consequências, conforme se evidenciará na recapitulação do caso.

PT EXPULSA PT

.Foi a insistência de Lula em livrar a cara do Roberto Teixeira que determinou uma das decisões mais infames tomada pelo PT no século passado: a expulsão de Paulo de Tarso Venceslau, veterano do movimento universitário e da resistência à ditadura, militante dos mais honestos e dignos, tão identificado com o partido que era chamado carinhosamente de PT Venceslau.

 

Tal economista foi a única voz no partido a protestar contra o primeiro grande esquema petista de desvio de recursos públicos para financiamento partidário, por meio de uma firma chamada CPEM – Consultoria para Empresas e Municípios.

Tendo sido secretário das finanças de duas prefeituras do PT no interior paulista, em ambas ele resistira às pressões para contratar a CPEM ou para pagar-lhe valores exorbitantes por serviços não prestados, acabando por ser exonerado da última delas, a de São José dos Campos.


Depois de dois anos de denúncias infrutíferas aos dirigentes máximos do partido, Venceslau tornou público o favorecimento escuso à CPEM em entrevista ao Jornal da Tarde.

 

Como resposta ao escândalo, o PT submeteu o assunto a uma Comissão Especial de Investigação presidida por Hélio Bicudo, cuja salomônica decisão foi a de que Venceslau errara ao vazar um assunto interno para a imprensa burguesa; e o Roberto Teixeira, titular da CPEM, deveria ser julgado por corrupção.

Vale a pena lembrar o que concluiu a Comissão a respeito do segundo, em relatório assinado por Bicudo, Paul Singer e José Eduardo Cardozo:

…parece provável que ROBERTO TEIXEIRA possa ter se valido, de forma pouco ética, da amizade com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, para não só se omitir face ao dever de informar e acautelar em relação à CPEM como também para desqualificar denúncias contra a mesma. 

No caso presente, parece ser difícil descartar a hipótese de que ROBERTO TEIXEIRA tenha cometido ‘abuso de confiança’ com ‘aproveitamento das relações de amizade’ que mantém com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA. Entre a defesa da empresa que gerou renda para seu irmão e presumivelmente para si e o interesse público e partidário, ROBERTO TEIXEIRA optou pela primeira. No âmbito desta opção deve ser, portanto, avaliado em sua conduta. 

Assim sendo, a presente Comissão de Investigação não pode deixar de concluir que a presumível conduta de ROBERTO TEIXEIRA, na conformidade do que acima se relatou, não se coadunaria com os rígidos padrões éticos que devem orientar as condutas dos militantes do PARTIDO DOS TRABALHADORES. Se em outras agremiações partidárias comportamentos de tal natureza costumam ser aceitos como normais ou não qualificados como dignos de repreensão, no PT comportamentos dessa natureza se colocam como descabidos e inaceitáveis. 

É, portanto, dentro desta dimensão que esta Comissão sugerirá ao final deste Relatório à Executiva Nacional do PT a abertura de processo ético-disciplinar contra o militante ROBERTO TEIXEIRA pela prática de grave conduta a ser avaliada e julgada, após regular direito ao contraditório e ampla defesa, pelo órgão partidário competente.

 

Desrespeito à sua investigação começou a afastar Bicudo do PT

Lula ameaçou desfiliar-se do PT caso fosse instaurado tal procedimento contra Teixeira – que era seu compadre e lhe fornecia um apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo para morar de graça com sua família .


A direção partidária optou, então, por desconsiderar o parecer da Comissão, expulsando Venceslau e aliviando para Teixeira. Foi o instante em que se assumiu como um partido igual aos outros, capaz até de sacrificar um militante exemplar (e revolucionário!!!) para preservar uma maçã podre. 

 
Segundo Venceslau, o tal Teixeira teria sido, inclusive, “torturador do delegado Fleury”. E em 2006, quando era advogado da Brasil Telecom e foi convocado para depor na CPI dos Bingos, Teixeira admitiu “conhecer” Daniel Dantas, dizendo-se impedido de dar mais detalhes por haver cláusula de confidencialidade

Tudo que de ruim aconteceria depois foi consequência desta terrível decisão. Orgulho-me de haver me solidarizado a Venceslau, antecipando que o partido tendia ao desvirtuamento, no artigo PT expulsa PT – que o Jornal da Tarde então publicou com destaque na sua página de Opinião, ao lado de uma crítica que João Paulo Cunha (depois condenado no julgamento do mensalão) fazia ao correto trabalho jornalístico de Luiz Maklouf Carvalho.

Vale reproduzir dois trechos do artigo em questão, um desagravando o companheiro injustiçado (ele mereceu isto e muito mais!) e outro antevendo o futuro que se desenhava para o PT a partir do péssimo precedente que fora aberto:

Poucos no Brasil levam suas convicções às últimas consequências, como Paulo de Tarso. Ele correu todos os riscos em nome de princípios que acreditava serem compartilhados por seus companheiros. Terão eles a coragem de manter-se fiéis a esses princípios? Cada um, ao definir sua atitude em relação a Paulo de Tarso, estará definindo quem é e o quanto vale

O episódio em questão evidencia que a ideologia dominante do PT passou a ser mesmo a da banda podre do funcionalismo. Os cofres públicos existem para ser saqueados. Nada há de errado em desviar recursos públicos das administrações municipais para campanhas políticas. O único pecado é violar a lei de silêncio da máfia estatal

Encerro com um diálogo antológico do filme Julgamento em Nuremberg (d. Stanley Kramer, 1961).

Um juiz alemão (Burt Lancaster) antes respeitadíssimo, mas que não ousara resistir às pressões do nazismo, conversa a sós com o presidente do tribunal (Spencer Tracy).

Envergonhado do papel que ele próprio e vários outros magistrados tinham desempenhado, ele pergunta:

— Mas, afinal, quando foi que este pesadelo começou?

E recebe esta resposta:

— Começou quando o primeiro juiz condenou o primeiro réu que ele sabia ser inocente.

O primeiro réu inocente condenado pelo PT atende pelo nome de Paulo de Tarso Venceslau.

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