É TERRÍVEL O ABANDONO A QUE ESTÁ RELEGADO O ZÉ DIRCEU!

O Zé Dirceu envelheceu 9 anos em 9 meses de prisão

A melhor fonte de informação de que disponho sobre o que se passa com o Zé Dirceu e no seu entorno é a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que assim relata as últimas evoluções do caso:

A notícia de que José Dirceu seria libertado foi recebida nesta terça (2) com alegria moderada pelos familiares e amigos do ex-ministro. Eles acreditam que em breve o petista deve voltar à prisão de Curitiba (PR).

Advogados ligados a Dirceu também fazem a mesma análise. Eles acreditam que a libertação, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, deve apressar a condenação do ex-ministro no TRF-4 Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Depois disso, já sentenciado em segunda instância, ele voltaria à prisão.

A iniciativa dos procuradores de Curitiba, de oferecer nova denúncia contra Dirceu no mesmo dia em que ele seria julgado pelo STF, reforça a impressão do círculo mais próximo de Dirceu de que a alegria da liberdade deve ser passageira.

E os mesmos amigos relatam que, depois que Dirceu foi preso, os recursos para ele e para familiares secaram. Duas das filhas do ex-ministro seguiriam inclusive viajando de ônibus quando querem visitá-lo em Curitiba. A mulher dele, Simone, vai ver o marido em geral a cada quinze dias, com a filha, Antônia, de 5 anos.

A SOLIDARIEDADE REVOLUCIONÁRIA AINDA EXISTE?

É por eu ter sido preso político e por haver mantido laços políticos com o Zé nos idos de 1968 que sua situação me incomoda e me indigna.

 

Evidentemente, ele não se encontra num daqueles cárceres infernais dos anos de chumbo, mas a privação da liberdade, para pessoas sensíveis, é terrível em qualquer circunstância.

 

Lembro-me da minha frustração quando compareci à sessão da auditoria militar na qual minha última prisão preventiva foi revogada, mas não me libertaram de imediato, como, ingenuamente, eu supunha que aconteceria.

 

Voltei para o DOI-Codi paulista e, não me lembro se no dia seguinte ou no outro, de manhã cedinho mandaram-me arrumar minhas coisas para aguardar no pátio a ordem de soltura. Passei o dia inteiro naquela ansiedade, nem sequer se lembraram de me darem o almoço, o que pouco me importou. Finalmente, lá por umas 16h, finalmente me vi livre. Foi como se estivesse voltando à vida.

 

Então, quando li que o Zé esperou em vão ser incluído num indulto natalino, foi-me muito fácil imaginar a dor que isto lhe deve ter causado. Imensa!

Uma vitória épica contra os neofascistas europeus e a grande imprensa brasileira

O certo é que, tendo desistido de superar o capitalismo e se tornado um partido meramente populista e reformista, o PT se distanciou também de valores que sempre foram sagrados para a esquerda, como a solidariedade revolucionária. Na visão dos esquerdistas da minha geração, esse foi um retrocesso chocante!

 

Quando, em 1986, aquele pessoal de Salvador fez a besteira de assaltar um banco para financiamento de suas lutas, o PT só pensou nos danos sofreria em termos de imagem e no uso que a direita faria do episódio na eleição seguinte (dali a alguns meses). Correu a expulsá-los e os abandonou vergonhosamente.

 

Tomei a defesa da greve de fome dos quatro e lutei como um leão até levá-la a um bom final porque era a atitude coerente com tudo em que eu acreditava… e também porque me enojava vê-los tão desprezados pelos companheiros em quem um dia confiaram.

“Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”

Meus motivos foram semelhantes ao ajudar a salvarmos o Cesare Battisti da extradição (quando ingressei na luta, a maior parte da esquerda ainda se omitia), em tentar fazer o mesmo pelo Mauricio Norambuena (sem êxito, infelizmente!) e ao me posicionar por alguma solução humanitária para o Zé (no exato momento em que o PT dele se distanciava o mais que podia).
 

Durante o julgamento do mensalão, o Zé era apoiado por seu partido como deveria mesmo ser. Mas, na fase do petrolão, à medida que vazavam no noticiário indícios de que ele participara de esquemas ilícitos não só visando ao financiamento de campanhas eleitorais, mas colhendo também benefícios para si próprio, foi sendo cada vez mais encarado pelo partido como motivo de vergonha, do qual quanto menos se falasse, melhor.

 

Alguém acredita ter sido ele o único dirigente do PT que embolsou grana?

 

Eu sempre considerei deplorável revolucionários cederem às tentações da sociedade burguesa ou sequestrarem alguém por outro motivo que não fosse o de resgatarem um companheiro das garras de uma ditadura bestial. Mas, isto jamais nos deveria impedir de adotarmos uma postura humanitária nos casos de combatentes valorosos do passado que depois cometeram tais erros.

 

E me causa asco quem lhes nega o mínimo apoio em função de mesquinhos cálculos politiqueiros. Para quê? Para governar como neoliberal e deixar a esquerda em cacos ao perder o poder?!

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