CERTEZAS, PROGNÓSTICOS E PALPITES SOBRE OS PRÓXIMOS E EMOCIONANTES CAPÍTULOS DA NOVELA DA CRISE

Uma certeza é a de que Michel Temer só vai cair se e quando o poder econômico (aquele que realmente manda e demanda no Brasil!) tiver decidido quem o substituirá e como.


Sem pacote pronto, neca. Profissionais agem assim. 

 

Menos mal que, desta vez, se trataria de uma morte política, e não física – como no caso de ditaduras que adiam a comunicação de que o tirano foi para o inferno até que haja consenso quanto ao nome do sucessor. Pelo menos o fedor do defunto não vai estar aumentando enquanto disputam seu espólio.

 

O se, no primeiro parágrafo, é quase uma figura de retórica, pois há 99% de chances de o Temer vazar. O 1% fica por conta, exatamente, da possibilidade de não encontrarem outro adequado para o papel de responsabilizar-se por medidas impopulares e as conseguir aprovar. Talvez seja esta última esperança que o tenha dissuadido de renunciar até agora.

Para muitos, morte de Costa e Silva foi anunciada com atraso. 

Mas, se os poderosos da economia resolverem dar-lhe mão forte, a indústria cultural conseguirá, sim, ressuscitá-lo, impingindo-o de novo. Nestes tristes trópicos ela faz e desfaz cabeças a bel-prazer. Somos o país dos videotas.
 

Os petistas que não exultem com os infortúnios de Temer e Aécio Neves, pois é tudo que faltava para o xeque-mate em Lula (o qual, por conta da chocante ingratidão da marqueteira delatora, poderá agora ter a companhia de Dilma, mas, tal ocorrendo, ela entraria apenas como contrapeso…). 

 

Guilhotinados um cacique do PMDB, um do PSDB e um do PT, seria fácil convencer a opinião pública de que teria havido havido imparcialidade. Então, docemente constrangidos, Moro e os promotores finalmente estariam com as mãos livres para fazerem o que sempre quiseram fazer.

 

Tão remota quanto a possibilidade de Temer dar a volta por cima é a de o sistema consentir com eleições diretas, tendo a boa desculpa de que, nesta situação concreta, contrariariam a Constituição. 

Quem será o próximo?

Então, com as principais lideranças políticas do País sendo despedaçadas pelo vazamento amplo, geral e irrestrito de delações que deveriam ser sigilosas, quem sobraria para ser eleito indiretamente pelo Congresso e juntar os cacos durante o mandato-tampão para o qual nos encaminhamos?

 

Ele mesmo, o sábio da República, que, aos 85 anos, não tem mais pique para um mandato completo, mas parece vigoroso o suficiente para aguentar o tranco por um ano e meio, tempo suficiente para restabelecer o prestígio dos tucanos após as penas do Aécio terem ido para o ventilador.

 

Se houver sido em benefício de Fernando Henrique Cardoso que O Globo fez o que fez com Michel Temer, estará explicado aquilo que tantos acharam pra lá de esquisito…

Observação: já tinha colocado este post no ar quando captei indícios de que pode estar havendo uma contra-ofensiva para salvar o mandato de Temer. Depois de ele já parecer resignado a renunciar, algo o levou a, no pronunciamento que fez à tarde, negar veementemente tal possibilidade. E começaram a pipocar na mídia análises sobre ser inconclusiva a transcrição da conversa em que ele teria aconselhado a continuidade do pagamento de subornos ao encarcerado Eduardo Cunha.

Caso a óbvia armação contra Temer tenha partido dos tucanos, com o apoio de O Globo e dos muitos aliados de que as aves de mau agouro dispõem entre os togados (o PSDB há muito é o partido mais influente nas fileiras judiciais), quem poderia estar desamarrando tal pacote? Só mesmo os poderosos da economia, que contam com Temer para a aprovação das odiosas reformas por eles tidas como obrigatórias.

Mas, objetarão alguns, o Aécio também foi colocado na berlinda.  Como lealdade é palavra inexistente no dicionário da política oficial, talvez ele haja sido sacrificado por conveniência tática e porque estivesse disputando espaços com outro(s) cacique(s). 

Se estes palpites que estou dando forem corretos, a derrubada do Temer, no script dos puxadores do seu tapete, levaria à eleição indireta de um grão tucano para o mandato-tampão, com grande possibilidade de ser o FHC. Este, tendo a caneta presidencial na mão e fazendo uso da sua inegável capacidade estratégica, decerto montaria um sólido cenário para uma vitória tucana em 2018.

Só esquerdistas muito ingênuos, para não dizer rematadamente tolos, contribuiriam para a destruição de um político de voos rasteiros, desimpedindo o caminho para outro que é o mais articulado dos nossos inimigos e, portanto, aquele que maiores danos poderá causar. 

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