HÁ QUEM TENTE RELATIVIZAR A FRAUDE DESMASCARADA E EXPOSTA. DESSE JEITO DERRUBARÍAMOS PRESIDENTE TODO ANO…

Um furo deste blogue: eis o equipamento que o Joesley usou.

Não canso de me surpreender com a passionalidade de pessoas que têm um nível de informação e formação cultural superior à da grande maioria dos brasileiros, mas se comportam como tacanhos torcedores organizados de futebol diante dos acontecimentos políticos.

 

Quando li que um perito com larga experiência havia constatado mais de 50 edições na gravação que estava sendo utilizada para derrubar um presidente da República, não tive nenhuma dúvida em escrever que tal castelo de cartas havia desmoronado espetacularmente. Pois, se uma prova dessas, que parece ter sido forjada por um amador com kit de espião adquirido em loja de brinquedos, for suficiente produzir uma consequência tão grave, passaríamos a trocar de presidente ano sim e outro também.

 

Vejo, contudo, que já se tenta relativizar a fraude desmascarada e exposta, comparando, p. ex., tal armação tosca com o grampo aplicado na então presidente Dilma Rousseff e divulgado ilegalmente.

 

Ora, basta um mínimo de honestidade intelectual para qualquer um concluir que alhos não se misturam com bugalhos. 

 

Como jamais foi questionada a exatidão daquela tratativa telefônica sobre o envio do termo de posse para o Lula através do Jorge Messias, sobrou uma conversa que, inquestionavelmente, comprovava a intenção presidencial de torná-lo ministro para evitar que caísse nas garras da Justiça. Houve uma óbvia ilegalidade, mas não uma falsificação.

Faltou o balão com o que o Joesley estava pensando: enganei os bobos, na casca do ovo

Já o grampo do Temer, inquestionavelmente ilegal e vazado ilegalmente antes de o relator Edson Fachin, face ao fato consumado, liberá-lo para conhecimento público, pode não passar de um quebra-cabeças montado com as falas do presidente sendo retiradas do contexto original e encaixadas nos trechos em que serviriam para o incriminar.  
 

Já existe, inclusive, a suspeita de outro perito, de que ruídos foram acrescentados para tornarem incompreensíveis frases do Temer que seriam inconvenientes para os objetivos dos fraudadores.

 

Então, nem um episódio é irmão gêmeo do outro, nem é cabível sustentar-se que o enterro deva seguir em frente porque “a fita com Temer já produziu efeitos políticos cataclísmicos que são o resultado de verdades que descobrimos sobre o presidente”. Isto seria uma aberração, à medida que nada, absolutamente nada proveniente da delação emasculada dos dois comprovados Irmãos Metralha poderá ser doravante considerado como “verdades”. A credibilidade deles foi pro brejo.

Fachin e Janot: o que é que eles vão dizer lá em casa?!

O procurador-geral Rodrigo Janot e o relator do STF Edson Fachin têm mais é de corrigirem imediatamente seus erros crassos, anulando a delação e passando a desconsiderá-la por completo, bem como às providências dela decorrentes. O trabalho voltou à estaca zero e tem de ser totalmente refeito. 
 

Ambos deveriam também, até o fim dos seus dias, pedir perdão aos que fizeram péssimos negócios por terem ficado atônitos em meio ao alvoroço e ao pânico que a denúncia fraudulenta provocou.

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AVISO AOS NAVEGANTES

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Por último, uma resposta aos companheiros que me recriminam por estar, no entender deles, ajudando a salvar um presidente merecedor da degola.

 

Há meio século optei por trilhar o caminho revolucionário e nele permaneço até hoje. Minha visão de revolução, no que mais importa, nunca mudou: é a de os explorados consciente e voluntariamente tomarem seu destino das mãos e reconstruírem a sociedade alçando o bem comum a prioridade suprema, em substituição ao lucro, à ganância e aos privilégios de ínfimas minorias. 

“Alicerces podres não sustentam edifício nenhum”

Como consequência, abomino a prática de tangê-los para a direção correta por meio de artifícios e mentiras, como se fossem debeis mentais e nós, os sábios, os devêssemos manipular para o bem deles.

 
Também mantenho até hoje a convicção de que existe uma interação dialética entre fins e meios, de forma que a adoção utilitária de meios crapulosos necessariamente respinga no objetivo almejado, conspurcando-o, por mais nobre que antes ele fosse.
 

Então, discordo frontalmente da derrubada do Temer mediante conspirações direitistas às quais esquerdistas ingênuos aderem por mero revanchismo, colocando azeitona na empada alheia. Alicerces podres não sustentam edifício nenhum, daí ser impensável nos igualarmos aos inimigos em termos de maquiavelismo barato, abrindo mão do nosso grande trunfo que é a superioridade moral.

 

Mesmo numa visão apenas pragmática a coisa emperra, porque tudo indica tratar-se de um complô visando à eleição indireta de um tucano para o mandato-tampão, possibilitando-lhe encaminhar a vitória eleitoral do seu partido em 2018.

 

Entre o nada brilhante Temer cumprindo o mandato até o fim ou sua substituição, p. ex., por um estrategista de competência comprovada como o FHC, parece-me óbvia a opção menos ruim.

Quanto às reformas exigidas pelo grande capital, a alternativa a elas é a superação do capitalismo, o resto não passando de malabarismos com números e retórica falaciosa.
 

Qualquer partido que se resigne a governar segundo os ditames capitalistas terá de fazer o serviço sujo de impô-las, tal como Dilma Rousseff tentou –e fracassou– ao entregar a condução da política econômica ao neoliberal Joaquim Levy, um antípoda ideológico do seu desenvolvimentismo neo-keynesiano. 

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