O CRIME COMPENSA: A DOCE VIDA DE UM ALCAGUETE DE LUXO EM NOVA YORK.

Toque do editor

Para os mais politizados, foi (ou deveria ser) extremamente chocante que: 

  • promotores de Justiça tenham recebido de braços abertos um criminoso do colarinho branco que lhes trazia uma gravação ilegal como argumento para convencê-los a aceitarem-no como delator premiado;
  • que nem sequer tenham submetido tal gravação, precária e com gritantes indícios de manipulação, a algum perito qualificado; e
  • que, constatando que ela poderia servir para derrubar um presidente, uma autoridade superior tenha zelado por um item tão melindroso de forma extremamente relapsa a ponto de ele logo alçar voo e aterrissar nas páginas de um grande jornal, virando o País de pernas pro ar (há outras explicações possíveis, claro, mas um jornalista sério não pode afirmar aquilo que não tem como provar…).

Para o público em geral, mais chocante ainda talvez sejam as regalias inusitadas que tal criminoso recebeu, sentimento, aliás, expresso no editorial de outro jornalão:

O mecanismo da delação premiada deve, naturalmente, corresponder ao nome —admitindo sensível redução das penas previstas. O prêmio, todavia, não pode chegar à quase impunidade.

Importa investigar, ademais, os indícios de que o grupo JBS teria alcançado lucros especulativos graças ao impacto das delações. Seria somar a provocação à sem-cerimônia, o cinismo ao insulto.

Daí a relevância deste relato de Isabel Fleck, enviada especial da Folha de S. Paulo a Nova York, sobre a doce vida de corruptos que ajudam a puxar o tapete de presidentes  inclusive porque esquerdistas desnorteados andaram defendendo e heroicizando o alcaguete de luxo (mas que, em termos morais, é pior do que lixo) nas redes sociais. (por Celso Lungaretti)

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JOESLEY VIVE EM DUPLEX DE R$ 51 MIL E FREQUENTA RESTAURANTES DE LUXO EM NY

Ao contrário de suas outras viagens a Nova York, a última passagem da apresentadora Ticiana Villas Boas, mulher do empresário Joesley Batista, pela cidade não teve qualquer foto — com filtro ou sem  nas redes sociais.

É num flat modesto como este que estão vivendo…

O casal costuma fazer bate-voltas para aproveitar alguns dos melhores restaurantes de Nova York, onde tem um apartamento na 5ª Avenida. Mas agora não só eles evitaram a exposição pública como deixaram o dúplex da família antes que fosse revelado, no último dia 18, o áudio em que Joesley grava o presidente Michel Temer numa conversa comprometedora em Brasília.

 

Para escapar da imprensa, o casal e o filho de dois anos se hospedaram num luxuoso flat a duas quadras dali, o Baccarat, em frente ao MoMA (Museu de Arte Moderna), com diárias que chegam a R$ 52 mil. O local fica ao lado da churrascaria Fogo de Chão, um dos lugares preferidos do sócio da JBS na cidade.

 

A rotina do casal em Nova York inclui refinados restaurantes e bares próximos ao seu apartamento, em Midtown e no Upper East Side, a poucos minutos de caminhada.

 

Num deles, o italiano Marea, do chefe Michael White, que fica em frente ao Central Park, é possível gastar US$ 385 (mais de R$ 1.260) em 30 gramas de caviar. O menu completo, com quatro pratos, não sai por menos de US$ 102 (R$ 335) por pessoa.

…o queridinho dos promotores e sua bela esposa.

Um dos lugares preferidos de Ticiana, o exclusivo Polo Bar (da marca Polo Ralph Lauren), só admite a entrada com reserva feitas dias antes  ao menos para clientes comuns.
 

Na carta de vinhos, a grande maioria das garrafas custa mais de US$ 200 (R$ 656), e há opção de mais de US$ 12 mil (quase R$ 40 mil).

 

A rotina de Joesley, com patrimônio individual de R$ 3,1 bilhões segundo a publicação Forbes, e da mulher difere da de endinheirados na cidade americana.

 

VIZINHANÇA — Só entram familiares e amigos mais próximos na cobertura do casal, que fica exatamente ao lado da Catedral de St. Patrick e do Rockefeller Center  dois dos mais famosos pontos turísticos de NY. Não há relato de festas.

 

O apartamento, de três quartos e cerca de 390 metros quadrados, é avaliado em cerca de US$ 15,5 milhões (R$ 51 milhões). O imóvel tem vista comparável à da cobertura, no 58º andar, da Trump Tower, onde mora a primeira-dama americana, Melania Trump, a cinco quadras dali.

Quando não estão se esquivando da imprensa, eles moram aqui.

Nas fotos publicadas por Ticiana em suas contas oficiais, é possível ver, da janela dos Batista, o Empire State, ícone nova-iorquino, e o Rockefeller ao lado.

 

A apresentadora do SBT, que já anunciou que estará afastada da próxima temporada do reality Bake Off Brasil — Mão Na Massa costumava postar fotos suas em caminhadas no Central Park e em ruas de Manhattan. Joesley raramente aparece nos registros.

 

Nos últimos dois anos, o casal aproveitava os intervalos das gravações dos programas de Ticiana para passar dias em Nova York. A última vez havia sido em novembro. Em janeiro, a família foi para a Disney, no estado da Flórida.

 

Quando ela ainda trabalhava na Band como jornalista, função que exerceu até 2015, as passagens dos dois pela cidade eram ainda mais rápidas: o casal embarcava no avião particular de Joesley na noite de 6ª feira e voltavam para o Brasil no domingo.

É isto que nós, brasileiros, merecemos?

Nos últimos dias, Joesley e Ticiana deixaram Nova York para um destino não informado nos Estados Unidos, por razões de segurança, segundo a JBS  o empresário relatou ameaças de morte no Brasil.
 

Na cobertura de Nova York, ainda estão familiares, como José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley, que dirigiu a empresa JBS por mais de 20 anos.

 

A família tem uma casa no nome de Wesley no Colorado, onde fica a sede da JBS USA e o casal foi esquiar em 2016.

 

Joesley veio aos Estados Unidos com autorização da Justiça, após fazer a delação premiada e enviar para Miami um iate de 30 metros de comprimento e três andares.

 

Pelo acerto com a Procuradoria-Geral da República, ele pagará multa de R$ 110 milhões (o mesmo vale para Wesley). Em 2016, o lucro dele com a JBS foi de R$ 103 milhões. O acordo de leniência vive um impasse. Os Batista oferecem R$ 4 bilhões, mas investigadores pedem R$ 11 bilhões. (por Isabel Fleck)

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