Uncategorized

O CASO FRANCENILDO ESTARÁ NO MENU DA DELAÇÃO PREMIADA DO PALOCCI. O QUE ELE PRETENDE, JOGAR A CULPA NO LULA?

Quando o noticiário de imprensa antecipa que a quebra ilegal do sigilo bancário e fiscal do caseiro Francenildo Costa será abordada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci na sua delação premiada (em fase final de negociação), será instrutivo recordarmos tal episódio, um dos mais emblemáticos da descaracterização do Partido dos Trabalhadores ao lambuzar-se com o poder.

 

Em 2006, último ano do primeiro mandato presidencial de Lula, era Palocci o ministro que fazia a interlocução com o grande empresariado, zelando para que seus interesses fossem atendidos e a lua de mel entre os donos do Brasil e o governo federal perdurasse. 

 

Evidentemente, isto tornava Palocci um alvo preferencial da oposição, ansiosa por, desgastando-o, ter maiores chances de herdar o apoio do poder econômico na eleição que se avizinhava. 

 

Então, sem surpresa nenhuma, em março alguém soprou para a grande imprensa que Palocci e seus assessores mais próximos se encontravam amiúde com empresários e lobistas num casarão de Brasília, onde, entre bebedeiras e orgias com prostitutas de luxo, acertavam maracutaias.

 

O pior de tudo, claro, foi o caseiro haver confirmado a presença constante do Palocci nessas esbórnias. Daí, também sem surpresa nenhuma, ter logo ocorrido uma tentativa de o desacreditar: a revista Época trombeteou que uma suspeita dinheirama havia sido depositada na conta corrente de Francenildo, supostamente como suborno para ele comprometer Palocci.

As investigações da Polícia Federal, contudo,  apuraram que:

 
  • Palocci, o presidente da Caixa Econômica Federal e um assessor de imprensa do governo tinham se mancomunado para municiar a revista, cometendo o crime de quebra de sigilo;
  • e que o humilde caseiro recebera honestamente aquela grana, pois se tratava da compensação de um pai biológico que no passado não o reconhecera como filho e queria evitar uma ação indenizatória.

O escândalo forçou Palocci a demitir-se do ministério antes que o mal crescesse (os tucanos já haviam entrado com um pedido de impeachment), ainda em março de 2006;  mas, noutra de suas sentenças grotescas e aberrantes, Supremo Tribunal Federal absolveu Palocci em agosto de 2009, acompanhando o voto do ministro relator Gilmar Mendes, que, por sinal, também presidia a casa.

 

Agora, na delação premiada, Palocci promete revelar ainda mais detalhes sórdidos do episódio. A imundície nunca se esgota? Pretenderá ele jogar a culpa no Lula, apontando-o como responsável maior das ilegalidades cometidas?

.

A CAUSA DOS HUMILDES E A ARROGÂNCIA DOS PODEROSOS

.

Palocci (1º à esq.) era trotskista há três décadas…

De resto, considero o que escrevi em várias ocasiões sobre o Caso Francenildo como grandes momentos meus na defesa dos valores revolucionários contra o utilitarismo daqueles antigos esquerdistas que abrem mão de seus princípios para atender às conveniências da politicalha mais imunda.

 

Em Palpite infeliz, expliquei o porquê:

…leio que Marta Suplicy apontou o ex-ministro Antonio Palocci como melhor quadro do Partido dos Trabalhadores para concorrer à sucessão estadual [em 2010].

Não consigo pensar em nome pior. Os mensaleiros avacalharam as bandeiras éticas do partido, mas Palocci conseguiu atingir um valor ainda mais sagrado: o engajamento na causa dos humildes, contra a arrogância dos poderosos.

Ao mobilizar toda sua influência ministerial para pressionar um mero caseiro, atingindo vários direitos de um coitadeza da vida, Palocci se comportou como um daqueles atrabiliários coronéis nordestinos do tempo de Lampião.

É o anti-PT por excelência – pelo menos quanto aos ideais que nortearam a fundação do partido.

…mas hoje prefere a moral deles.

E em O espírito de Justiça e a nudez dos reis, no dia seguinte à absolvição de Palocci pelo STF, esmiucei a argumentação utilizada para Gilmar Mendes para sustentar que 2+2=5, atirando-lhe na cara que o homem da esquina, cuja opinião ele arrogantemente dissera não levar em conta na tomada de decisões jurídicas, poderia ser bem mais sábio e justo do que ele:

…essa insólita reunião na casa de Palocci [na qual o repórter recebeu o extrato bancário de Francenildo] foi obviamente tramada para produzir o resultado que produziu. E a ligação entre os personagens secundários só aconteceu porque foram convocados pelo personagem principal.

Ademais, mesmo ao zé mané mais crédulo ocorreria a pergunta que não quer calar: se dar conhecimento a terceiros de dados sigilosos que se detém em função do cargo ocupado é crime, como um ministro de Estado pôde testemunhar o crime cometido pelo presidente da CEF [único culpado, segundo o voto de Gilmar Mendes] sem tomar providência nenhuma contra seu autor?

…Enfim, com malabarismos e interpretações tortuosas pode-se criar a ilusão de que a conduta de Palocci não feriu a letra da Lei, só o alfabeto completo da ética. Mas, o espírito de Justiça continuará levando cada zé mané a concluir, corretamente, que tanto o mandante [Palocci] quanto o segundo pau mandado [o assessor de imprensa] também eram culpados.

ANTECIPAR PUNIÇÃO DO AÉCIO FAZIA PARTE DO “DERRUBA TEMER!”. COM O FRACASSO DO COMPLÔ, O TUCANO POSARÁ DE VÍTIMA.

Os ventos parecem estar mudando no Supremo Tribunal Federal. 

O ministro Marco Aurélio Mello, alegando que as prerrogativas do mandato parlamentar têm de ser respeitadas, restituiu o dito cujo a Aécio Neves, livrando-o das restrições que lhe tinham sido impostas, além de responder negativamente ao pedido de prisão encaminhado por Rodrigo Janot.

Seu colega Edson Fachin libertou Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala, aparentemente porque as más condições prisionais a que estava sendo submetido começavam a dar na vista, parecendo a muitos uma forma de coagi-lo a se tornar mais um vil alcaguete premiado.

Confirma-se minha previsão de que o procurador-geral da República, ao tentar fazer da Operação Lava Jato seu veículo particular para um voo mais alto (a derrubada de um presidente), não só se esborracharia no chão, como causaria graves danos ao combate à corrupção, que era (lembram?) aquilo que fazia o povo apoiar a cruzada moralizante. 

Ao trocar o foco de forma tão canhestra, Janot colocou um ponto de interrogação na cabeça de muitos apoiadores incondicionais da iniciativa. Se a Lava Jato também resvalar para a vala comum da politicalha e do golpismo, seu encanto vai ser quebrado e ela não passará de mais uma ilusão desfeita. Janot é um personagem nefasto. 

E era pra lá de previsível que o fracasso da tempestade em copo d’água que ele armou em parceria com as Organizações Globo teria efeito bumerangue. Dito e feito: sua temporada de colher urtigas começou.

Vamos ver o que de ruim o fiasco acarretará para a Globo. Uma coisa é certa: ela merece tudo que houver de pior.

SE A GRAVAÇÃO QUE O JOESLEY FEZ COM O TEMER SERVE COMO PROVA, A JUSTIÇA BRASILEIRA VIROU RINGUE DE VALE TUDO…

Reportagem desta 6ª feira (30) da Folha de S. Paulo confirma o que qualquer leitor perspicaz e isento facilmente percebia: além de ilegal, é extremamente discutível a integridade da gravação que Joesley Batista fez com o presidente da República. 

A perícia solicitada ao Instituto Nacional de Criminalística pela Polícia Federal vem ao encontro da posição do procurador-geral da República Rodrigo Janot: identifica 294 pausas na conversa (!!!), mas conclui que, ainda assim, está tudo bem. 

O perito Ricardo Molina de Figueiredo, contratado pela defesa de Temer, afirma que “a questão não são as falhas técnicas em si, mas a brecha que elas abrem para edições cuja detecção seria impossível”. 

O perito Ricardo Caires dos Santos, contratado pela Folha, afirmou em entrevista existirem “indícios claros de edições e manipulações”. 

O Instituto Brasileiro de Peritos, também contratado pela Folha, constatou a existência de “descontinuidades sem relação aparente” com o desligamento automático do gravador para poupar energia, as quais “podem ter ocorrido durante ou após a gravação”, sendo a causa “indeterminada”. 

As perícias também divergem quanto a um trecho importante em que Joesley teria dito “todo mês” ou “tô no meio”:

Furo do blogue: eis o equipamento que o Joesley usou!

— a da Polícia Federal garante fica com “todo mês”; 

— a do Temer, “tô no meio”;  

— e as duas da Folha, “inconclusivo”. 

O Instituto Brasileiro de Peritos explica o porquê:

O trecho em questão tem sua linearidade comprometida porque contém grande quantidade de descontinuidades e partes ininteligíveis. Prejudica a compreensão ainda a sobreposição de falas.

Quanto à admissibilidade, o Instituto Nacional de Criminalística considera a prova  válida porque “não foram encontrados elementos indicativos de que a gravação tenha sido adulterada por meio da inserção ou supressão intencional de trechos de falas”. 

O laudo de Ricardo Molina qualifica a gravação de “tecnicamente ruim” e “imprestável”. 

Para Ricardo Caires, “este áudio não serve como prova pericial nem mesmo de prova documental devido a que o objeto áudio está eivado de vícios”.

Leitura obrigatória para Janot e Fachin
E o Instituto Brasileiro de Peritos se alonga na explicação: 

O arquivo questionado não possui os atributos mínimos para sua aceitabilidade do ponto de vista da perícia forense. Contém descontinuidades não explicadas pelas características do equipamento, não consta que possua cadeia de custódia e, além de tudo, também não consta que o equipamento gravador tenha sido preservado desde o momento da gravação.

Conclusão do blogue: até para um leigo fica mais do que evidenciado tratar-se de uma gravação precária demais para servir como prova numa tentativa de derrubada de presidente da República. É inacreditável a corte suprema do País não a ter fulminado, por 1) não haver sido previamente autorizada por juiz nenhum; 2) não ter qualidade técnica mínima para ser considerada plenamente confiável, tanto que nem mesmo sua transcrição é incontroversa. 

E a pergunta que não quer calar: a Constituição Federal de 1988 continua em vigência? Então, por que a PGR e o STF a estão ignorando olimpicamente?

REQUIÃO, QUE QUER SER VICE DE LULA EM 2018, JÁ FOI CONDENADO POR FRAUDE ELEITORAL E SAIU PELA TANGENTE.

Não é só o caráter conciliador e anacrônico das propostas econômicas da tal Frente de defesa da soberania nacionalista sem xenofobia, dissecadas por Dalton Rosado num artigo memorável, que compromete tal articulação, cujo objetivo fragrante é catapultar o senador Roberto Requião para companheiro de chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição do ano que vem.

É também o prontuário de Requião, um exemplo emblemático do jeitinho brasileiro para evitar que poderosos fossem para trás das grades mesmo quando apanhados com a boca na botija ou empunhando o revólver fumegante ao lado do cadáver.

Requião é nada menos do que o bem sucedido autor de uma das mais chocantes tramoias para fraudar eleições já vistas neste país.

No final do horário eleitoral gratuito do segundo turno da eleição para governador paranaense de 1990, a campanha de Requião colocou no ar um vídeo gravado no Paraguai, no qual um indivíduo mal encarado se apresentava como  Ferreirinha e dizia ser um pistoleiro foragido.

 

O tal  Ferreirinha  contou que, a mando da família do adversário de Requião, José Carlos Martinez, expulsara e matara os sem-terra que invadiam sua propriedade.

 

O impacto da denúncia foi decisivo para que Requião, apontado como provável perdedor pelas pesquisas, virasse o jogo na última hora.

Eis como o tal motorista foi mostrado no horário eleitoral

Depois, veio à tona que o suposto pistoleiro não passava de um pacífico motorista desempregado e, inclusive, era novo demais para haver cometido tais homicídios.

 

O Tribunal Regional Eleitoral condenou Requião por fraude eleitoral. Ele teve seu mandato cassado, mas recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral e, usando os infinitos recursos protelatórios à disposição de quem pode bancar advogados caros, foi conseguindo evitar a confirmação da sentença e acabou cumprindo seu mandato espúrio até o último dia. O processo foi, então, arquivado sem julgamento de mérito.

Vice não é exatamente uma mera formalidade quando o presidente terá, ao assumir, 73 anos de idade. Merecerão os brasileiros ser governados por um estelionatário eleitoral impune?!

JOESLEY BATISTA É PEGO DE NOVO NA MENTIRA

Fedor da delação super-premiada é pior ainda que seu aspecto

A Folha de S. Paulo informa em sua edição dominical que o delator super-premiado Joesley Batista caiu em contradição em pelo menos dois pontos da sua entrevista publicada pela revista Época, comparativamente ao depoimento dado à Procuradoria-Geral da República:

  • indicou um ano diferente como sendo o do seu primeiro contato com Michel Temer; e
  • deu uma versão discrepante sobre seus encontros com o chamado homem de mala, o deputado federal Rodrigo Rocha Loures.

Credibilidade zero (menos para o Janot, o Fachin e a Globo!)

Como tanto as Organizações Globo quanto o Janot fazem o máximo empenho para impingir tal peixe podre ao distinto público, da parte de ambos nada de mal advirá ao Joesley. Seguirão bancando seu protegido, mesmo porque já estão com imagem pior que a de peixe podre, não tendo, portanto, mais nada a perder.

[Quem ainda pode salvar a pose é o Supremo Tribunal Federal, desde que se decida finalmente a cumprir o seu dever, anulando a delação super-premiada que o Edson Fachin abençoou e mandando Joesley Batista para o xilindró no qual deveria estar. Nos próximos dias os ministros decidirão se honram suas togas ou se o corporativismo neles fala mais alto.]

E também a credibilidade de tal criminoso do colarinho branco junto à opinião pública não será afetada por mais estas mentiras flagradas, pois ela já era nenhuma…

RODRIGO JANOT QUER PORQUE QUER ESCANCARAR AS PORTAS DO INFERNO!

Há muita torcida nas redes sociais pela queda de Temer. E há um empenho desmedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disposto a fazer de tudo para satisfazer a galera. A insensatez e as vaidades desmedidas reinam.

 

Janot já pisou feio na bola ao armar uma arapuca óbvia para o presidente, cheia de ilegalidades que o ministro Edson Fachin abençoou (mesmo não tendo o direito de fazê-lo, pois estava obrigado a declarar-se impedido de intervir na delação premiada do grupo J&F, em função de haver mantido com o dito cujo notórias ligações perigosas).

 

A ação concertada com as Organizações Globo teria resultado caso Temer renunciasse ou se a Justiça Eleitoral cassasse o seu mandato. E o que teria então acontecido?

 

Eis o quadro bem realista que o veterano jornalista Clóvis Rossi nos expõe:

Se Temer tivesse seu mandato cassado pelo TSE, a crise política estaria encerrada? Óbvio que não. 

Primeiro porque caberia recurso e sabe-se lá por quanto tempo se arrastaria o processo, mantendo-se na Presidência um cidadão notoriamente inadequado para o cargo. 

…[mas] digamos que a tal vox populi fosse ouvida pelo TSE e Temer caísse. Fim da crise? Não. 

Haveria, de um lado, o desejo da maioria dos congressistas de manter o privilégio de escolherem eles, e não o eleitorado, o novo presidente. Do outro lado, a pressão de grande parte do público por eleição direta, o que demandaria uma emenda constitucional de tramitação demorada, em meio a uma situação econômico-social desastrosa. 

Considerados o poder da rua e o poder dos grandes interesses envolvidos, a lógica elementar diria que a eleição seria mesmo indireta. 

Aí, o risco seria (…) a eleição de Rodrigo Maia, apontado como favorito de seus pares. 

É outra mediocridade como Temer, mas com menos experiência.

Temer com seu substituto legal, Rodrigo Maia: e se a montanha parir um rato?

Será que o Brasil aguentaria três governantes medíocres em sequência? Não dá para esquecer que Dilma Rousseff conduziu o país à mais profunda e prolongada recessão de sua história – prova factual de seu despreparo para o cargo.

PRESTES A DEIXAR O CARGO, JANOT NADA TEM A PERDER: “DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO!”

.

O pior é que Janot, o grande responsável pelo prolongamento inútil de uma recessão que começava a perder força, quer infernizar de vez a vida dos brasileiros, apresentando uma denúncia de corrupção contra Temer. Não leva em conta que, via TSE, a substituição de Temer poderia ser razoavelmente rápida, ao passo que, com um impeachment, o desenlace ficaria para bem depois, só no ano que vem. 

Como a abertura do processo exige a aprovação da Câmara Federal e do plenário do Supremo Tribunal Federal, bota uns dois meses nisso (no mínimo!). 

 

Vamos supor que, vencidas estas duas barreiras, Temer seja afastado provisoriamente em agosto, com Rodrigo Maia herdando a cadeira e a caneta presidencial (Deus nos acuda!). Aí, mesmo que o processo não consuma os 180 dias de prazo-limite, só estaria concluído lá pelo final do ano. 

 

Marcada uma eleição indireta para 30 dias depois (com o adiamento do recesso dos parlamentares), poderíamos ter um novo presidente em fevereiro, para governar no máximo 11 meses. Mas, governo efetivo mesmo, só até agosto, quando a campanha presidencial ferve e passa a ser a prioridade nº 1 dos políticos profissionais. 

Tudo considerado, a tendência seria de que as incertezas se prolongassem, afugentando investimentos, até a posse do novo presidente, no dia 1º de janeiro de 2019. Ou seja, o que Janot quer é que tenhamos pela frente mais um ano e meio com a situação econômica tão ruim como está agora, ou pior ainda.

 

É inacreditável que uma autoridade supostamente responsável tudo faça para nos impor tal pesadelo! Não terá consideração nenhuma pelo povo sofrido, indefeso, massacrado, que anda matando cachorro a grito desde 2015?! 


E, quanto aos que se dizem esquerdistas mas se mostram fanaticamente empenhados em propiciar o caos, só me resta lembrar-lhes que quem pretende servir à causa do povo não pode fazer política movido pela bílis. Precisa ter idealismo, clareza de raciocínio e. mais do que tudo, identificação com os humildes e disposição solidária para atenuar suas desditas..

 

Três características extremamente escassas hoje em dia.

SE A ABIN ESPIONOU FACHIN, TEM DE HAVER PUNIÇÃO. SE FACHIN OMITIU ‘LIGAÇÕES PERIGOSAS’ COM JOESLEY, IDEM.

Eis a explicação que José Fábio Rodrigues Maciel, professor de História do Direito da PUC-SP, dá para a representação habitual da Justiça como uma mulher vendada:

Sempre que se fala em Justiça surge no nosso imaginário a figura de uma mulher com os olhos vendados, carregando em uma de suas mãos a balança e em outra a espada. A venda tem como função básica evitar privilégios na aplicação da justiça, sendo a balança o instrumento que pesa o direito que cabe a cada uma das partes e a espada item indispensável para defender os valores daquilo que é justo, já que a norma sem a possibilidade de coação dependeria apenas das regras de decência e convivência de cada comunidade, o que seria ineficaz para garantir o mínimo ético indispensável para a harmonia social. 

Podemos dizer que a espada sem a balança é força brutal, assim como a balança sem a espada tornaria o Direito impotente perante os desvalores que insistem em ser perenes na história da humanidade.

As vendas e as balanças devem ser artigos em falta nos altos escalões do Judiciário, porque está havendo uma reação exacerbada ao (por enquanto) mero boato jornalístico de que os arapongas da Abin teriam recebido a missão de investigar o ministro Edson Fachin, enquanto se ignora olimpicamente a acusação, partida de vários lados, de que Fachin teria mantido relações promíscuas com Joesley Batista e sua quadrilha… ôps, quer dizer, empresa. 

 

O Executivo pode espionar ministros do Supremo, com objetivo de intimidação? Não, o episódio tem de ser investigado e, caso seja algo além de rumor, punido.

 

Um ministro do Supremo pode tomar decisões relativas a um acusado com o qual manteve estreitas relações pessoais e/ou negociais, como parece ser o caso do Fachin? Não, e se o houver feito, terá faltado com o seu dever e deve ser punido.

 

Pior: a parte que Fachin não poderia julgar por faltar-lhe imparcialidade para tanto é um notório e assumido criminoso, que recebeu tratamento régio das autoridades, sendo contemplado com a mais condescendente delação premiada de todos os tempos. Constatar tal obviedade não é nenhum complô para o desqualificar. É apenas cobrar do Judiciário que faça direitinho seu dever de casa.

Embora não seja especialmente devoto da Justiça burguesa, desde criança aprendi que é assim que ela deve proceder. Caso contrário, vai se tornar também um fator de instabilidade política e social, como está ocorrendo agora, quando inspira fortes suspeitas de que os pratos da balança estejam desequilibrados e a venda haja sido arrancada.

 

Fico pensando se o ministro do STF que certa vez qualificou a si próprio e aos seus pares como supremos estaria apenas distraído ou cometendo um ato falho…

A BLITZKRIEG DO JANOT ATOLOU NO PÂNTANO DE BRASÍLIA

Se a toga fosse maior, daria para esconder também a cara…

Deu a lógica: Michel Temer continua como presidente, tendo sobrevivido a uma das mais estapafúrdias e destrambelhadas tramoias da política brasileira em todos os tempos. 


Espera-se que, agora, a sociedade apresente a conta aos conspiradores trapalhões, por terem virado o País de pernas pro ar a troco de nada, prolongando por mais alguns meses a agonia em que se debatem os brasileiros desde 2015, quando se iniciou a fase mais aguda da recessão atual.

 

O processo na Justiça Eleitoral não passava de um Plano B, uma garantia adicional de que Dilma Rousseff seria privada do seu mandato presidencial, mesmo que ocorresse algum acidente de percurso com o impeachment. 

 

Como o Plano A resolveu a questão, o B perdeu sua razão de ser, reduzido a um estorvo; mas, noblesse oblige,  era necessário manter em pé as ilusões jurídicas da democracia burguesa. Assim, não havendo mais como evitar a realização do julgamento, ele deveria terminar com a absolvição da chapa Dilma-Temer.

 

Ao iniciar-se a terceira semana de maio, já se sabia até qual seria o placar da absolvição: 5×2. De repente, no dia 17, o jornal O Globo desencadeou uma verdadeira blitzkrieg contra Temer, publicando peças da delação premiada do Grupo J&F que deveriam estar sob sigilo de Justiça. 

 

E o relator dos processos ligados à Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, fez o inusitado: como parte do material havia supostamente vazado, resolveu levantar o sigilo do todo. Agiu como um general que, informado de que o inimigo matara 20 dos seus comandados e 80 estavam feridos, ordenasse: bom, então vamos matar logo os outros 80 também

O vencedor: Gilmar Mendes. Com muita cotovelada, chute na virilha e dedo no olho…

O pandemônio se instalou no noticiário, nos mercados e nos partidos políticos, enquanto movimentos sociais ligados ao petismo providenciaram um badernaço em Brasília, culminando no incêndio de Ministérios. A impressão de caos e descontrole era fundamental para forçar Temer a uma renúncia imediata. Tal ocorrendo, a guerra relâmpago teria sido coroada de êxito.


Mas, Temer resistiu. O grande capital, para o qual o importante mesmo é a continuidade do programa de reformas neoliberais, começou a trabalhar em seu favor, por falta de opção melhor (nenhum dos cogitados substitutos de Temer se mostrava especialmente apto para o papel). 


Enquanto isto, jornalões concorrentes passaram a mostrar o outro lado do furo d’O Globo:

 

— o fato de que a gravação ilegal da conversa de Joesley Batista com Temer fora precedida de uma aula a espiões amadores, ministrada por pessoal da Lava-Jato, embora ainda não estivesse decidido se seria ou não aceita a delação premiada de tais criminosos (isto dependeria do resultado da gravação); 

— o caráter inconclusivo das intervenções de Temer no diálogo, ficando evidente para qualquer pessoa isenta que a interpretação dada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot não era a única possível, mas sim a única que servia para incriminar o presidente; 

As regalias do Joesley colocaram em xeque as delações 

— as fortes suspeitas de que a gravação havia sido editada; 

— a sofreguidão de Janot, tão ansioso por tocar os procedimentos adiante que nem se preocupou em pedir aos peritos federais que verificassem se a gravação cumpria os requisitos legais para servir como prova; 

— a desatenção de Fachin, não só passando batido pelo fato de que a gravação deixara de ser periciada, como também por sua evidente ilegalidade (não houvera autorização judicial para que Joesley a fizesse) e pelos vários indícios de que Temer fora vítima de uma armadilha judicial; 

— as regalias e privilégios repulsivos que os irmãos bandidos obtiveram com a delação, os maiores até agora concedidos a qualquer réu da Lava-Jato.

.O RESCALDO DA TRAPALHADA

.Os conspiradores não conseguiram tanger Temer à renúncia, nem fazer com que perdesse o mandato no julgamento do TSE. Ou seja, não conseguiram nada. Entraram como leões, saíram como cães.

 

O desvio de finalidade cometido por autoridades ligadas à Lava-Jato, ao direcionarem sua atuação para um objetivo flagrantemente político (a derrubada de um presidente) ao invés de se manterem no terreno do combate à corrupção, servirá, em muito, como munição para os políticos encalacrados unidos desfecharem um contra-ataque, movidos pelo instinto de sobrevivência. Tiro no pé.

Também começam a avolumar-se os questionamentos de arbitrariedades e excessos cometidos ou autorizados por policiais, promotores e procuradores. Reforça-se a suspeita de que se trata de uma devastadora cruzada moralista para destruir o status quo ante, sem clareza quanto ao que deva substituí-lo, assim como era carente de um objetivo maior o tenentismo de outrora (daí já estarem sendo chamados de tenentes togados).  

Nem os Irmãos Marx dariam um golpe tão bagunçado

E seus abusos, característicos de estados policiais, inspiram comparações com  os jacobinos da Grande Revolução Francesa. É bem capaz de a História repetir-se, com o pântano finalmente criando coragem para reagir contra o terror que Curitiba lhe inspira.

As Organizações Globo conseguiram reeditar um dos seus piores momentos, o escândalo Proconsult, tanto em termos de armação canhestra, quanto de resultados desastrosos. A demonstração de fraqueza que deu deverá custar-lhe caro, em termos de saúde financeira e de influência. 

Janot ficou com a credibilidade em frangalhos. Se antes sonhava com voos mais altos, agora terá de dar-se por feliz se conseguir permanecer no cargo atual até setembro, conforme estipulado. Terá ele sensibilidade suficiente para perceber quão exausta a sociedade brasileira está depois de tantos sobressaltos e de período tão longo de rigores, querendo acima de tudo sair do sufoco, sem mais paciência com relação a quem faz tempestades em copo d’água?  

Fachin até agora não desmentiu que Joesley Batista tenha colocado sua influência e poderio econômico a serviço da campanha dele, Fachin, para tornar-se ministro do Supremo. Se aceitou tomar decisões sobre a delação super-premiada de Joesley, não se declarando impossibilitado de atuar neste caso por dever um enorme favor a uma parte, pode perder não só a relatoria, como a própria condição de ministro. Tem de torcer muito para que Charles De Gaulle estivesse certo ao dizer que o Brasil não era um país sério.

Finalmente, parte da esquerda, ainda presa à narrativa do golpe, embarcou ingenuamente no derruba Temer!, sem sequer perguntar-se o que estava fazendo quando atendeu ao chamado da Globo. Respondo eu: colocando azeitona na empada alheia, ao aceitar servir como força auxiliar numa disputa de poder entre facções burguesas.

A esquerda precisa desistir das mordomias palacianas e reencontrar o caminho das ruas

A lição de casa continua por fazer: 

— uma profunda autocrítica do papel que tem desempenhado nos últimos anos, culminando na derrota acachapante em que se constituiu o impedimento da Dilma; e 

— a retomada da tarefa primordial de organizar o povo para o combate cotidiano ao capitalismo, como etapa necessária no sentido de acumular força para voos maiores.

Para recuperar o protagonismo, precisa ampliar e enrijecer suas fileiras – e muito! A participação destacada nas lutas sociais é bem mais importante para a esquerda neste momento do que vencer quaisquer eleições, inclusive a de presidente da República.

Quanto à derrubada de presidentes, só faz sentido quando se tem um programa alternativo verdadeiramente de esquerda para colocar em prática e as massas organizadas para darem sustentação ao governo popular. 

Como os dois requisitos inexistem neste instante, do ponto de vista de uma esquerda consequente, tentar fazê-lo mesmo assim seria, no mínimo, uma leviandade; afora o risco de fortalecer o inimigo, dando-lhe ensejo para trocar um presidente fraco por um bem mais competente, como decerto seria, p. ex., o FHC..

 

DIANTE DA DESUMANA LEI DA MEDICINA MERCANTILIZADA, FICAMOS FRAGILIZADOS COMO OS PERSONAGENS DO KAFKA…

Já lá se vão quase três anos que sinto dores na lateral do quadril quando caminho. Às vezes são tão fortes que preciso sentar-me durante alguns minutos para amainarem e eu poder retomar a caminhada.


Consultei vários médicos do meu convênio (o menos oneroso para idosos). Fiz fisioterapia, aplicação de pequenos choques, tomei sedativos fracos e fortes. Nada adiantou, exceto acupuntura, que reduz um pouco a intensidade da dor; não cura, mas é melhor do que nada.

O diagnóstico? Artrose, que, segundo um site de saúde, é “uma doença que ataca as articulações promovendo, principalmente, o desgaste da cartilagem que recobre as extremidades dos ossos”.

Fiquei sabendo que existe uma solução clínica: a colocação de uma prótese para substituir a cartilagem que se desgastou. Então, na última consulta, perguntei ao ortopedista se era aplicável ao meu caso. 

— Por enquanto, não. A doença precisa atingir um estágio mais avançado para justificar a cirurgia.

— Mas, doutor, já estou com 66 anos. Logo não poderei mais operar por causa da idade avançada, do risco de vida.

— Infelizmente, a lógica da medicina é outra. O convênio não autorizaria o procedimento cirúrgico agora. Algo assim só é feito quando se torna realmente necessário. Até lá, teremos de continuar administrando o problema, como estamos fazendo. 

De tão kafkiana a situação, fez-me lembrar o conto Diante da lei, um dos que mais aprecio na obra do grande escritor checo. Ei-lo:

.

Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo chega a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem do campo reflete e depois pergunta se, então, poderá entrar mais tarde.


— É possível – diz o porteiro – mas agora não.

Uma vez que a porta da lei continua como sempre aberta e o porteiro se põe de lado, o homem se inclina para olhar o interior através da porta. Quando nota isso o porteiro ri e diz:

— Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas, veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala porém existem porteiros cada um mais poderoso que o outro. Nem mesmo eu posso suportar a simples visão do terceiro.

 

O homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele; agora, no entanto, ao examinar mais de perto o porteiro, com o seu casaco de pele, o grande nariz pontudo, a longa barba tártara, rala e preta, ele decide que é melhor aguardar até receber a permissão de entrada. O porteiro lhe dá um banquinho e deixa-o sentar-se ao lado da porta.

 

Ali fica sentado dias e anos. Ele faz muitas tentativas para ser admitido e cansa o porteiro com os seus pedidos. Às vezes o porteiro submete o homem a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe a respeito da sua terra natal e de muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, como as que os grandes senhores fazem, e para concluir repete-lhe sempre que ainda não pode deixá-lo entrar. 

 

O homem, que havia se equipado com muitas coisas para a viagem, emprega tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Com efeito, este aceita tudo, mas sempre dizendo:

 

— Eu só aceito para você não julgar que deixou de fazer alguma coisa.

Durante todos esses anos o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece os outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos amaldiçoa em voz alta e desconsiderada o acaso infeliz; mais tarde, quando envelhece, apenas resmunga consigo mesmo.

Torna-se infantil e uma vez que, por estudar o porteiro anos a fio, ficou conhecendo até as pulgas da sua gola de pele, pede a estas que o ajudem a fazê-lo mudar de opinião.

Finalmente sua vista enfraquece e ele não sabe se de fato está ficando mais escuro em torno ou se apenas os olhos o enganam. Não obstante reconhece agora no escuro um brilho que irrompe inextinguível da porta da lei. Mas já não tem mais muito tempo de vida. 

 

Antes de morrer, todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime, pois não pode mais endireitar o corpo enrijecido. O porteiro precisa curvar-se profundamente até ele, já que a diferença de altura mudou muito em detrimento do homem:

 

— O que é que você ainda quer saber? – pergunta o porteiro. Você é insaciável.

 

– Todos aspiram à lei – diz o homem. Como se explica que, em tantos anos, ninguém além de mim pediu para entrar?

 

O porteiro percebe que o homem já está no fim e, para ainda alcançar sua audição em declínio, ele berra:

 

— Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e a fecho.

NÃO HÁ MEIO TERMO: FACHIN TEM DE SER AFASTADO DO STF OU REINALDO AZEVEDO PROCESSADO COMO CALUNIADOR.

Poderá ser Fachin quem receba o cartão vermelho…

O jornalista Reinaldo Azevedo fez acusações gravíssimas contra o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal:

— quando visitava senadores para angariar apoio à sua pretensão de tornar-se ministro do STF, Fachin teria estado num jantar com Joesley Batista, na mansão do empresário em Brasília, lá permanecendo das 21 horas até as 6 horas do dia seguinte; 

— um dos presentes teria sido o senador Renan Calheiros, que até então não estaria vendo Fachin como um bom nome para o Supremo; 

— depois da longa conversa, Calheiros teria mudado de opinião.

Há mais, segundo RA:

Todo mundo sabe em Brasília que Fachin visitou o gabinete de alguns senadores, quando ainda candidato ao posto, escoltado por ninguém menos do que Ricardo Saud, que vinha a ser justamente o homem da mala da J&F. Era ele que pagava boa parte dos benefícios a quase 2 mil políticos, na contabilidade admitida pelo próprio Joesley.

…dependendo de qual deles consiga botar os pingos nos is.

Ou seja, insinuações à parte, a J&F teria atuado efetivamente em favor da candidatura de Fachin ao Supremo, com este, contudo, não se declarando depois impedido de aprovar a delação premiada dos executivos dessa empresa.

 

Se isto for verdade, Fachin terá descumprido seu dever de distanciar-se de um processo com o qual teria envolvimento de ordem pessoal. 


Pior: desempenhou papel decisivo para que fosse aprovada a criticadíssima delação premiada da J&F, dando ensejo a que sua atuação possa agora ser vista como retribuição do favor prestado por um bandido.

 

Inexistindo um esclarecimento convincente do Fachin, não só sua decisão relativa à delação da J&F teria de ser anulada, como a relatoria do petrolão precisaria trocar de mãos e sua própria condição de ministro do Supremo se tornaria insustentável.


Se, pelo contrário, ele comprovar que tudo não passa de uma falsidade, tem de tomar imediatamente as mais rigorosas providências possíveis contra o autor de tão infamante calúnia.

 

Trata-se de um episódio que clama por esclarecimento cabal e punição exemplar, seja do que terá escondido uma informação que o desqualificaria para uma tarefa importante, seja do que terá espalhado aos quatro ventos uma mentira cabeluda. 

 

A única coisa que não pode é nada acontecer a nenhum dos dois..