JOÃO GOULART FOI DERRUBADO PELO PIPAROTE DE UM MAD DOG FARDADO

O que há, ainda, para se dizer sobre a nefasta e nefanda quartelada de 1964, que está completando mais um ano? Tantos e tantos já escreveram sobre ela, alguns com conhecimento de causa, muitos com conhecimento apenas livresco e um contingente maior ainda baseando-se nos panfletos pró e contra que infestam a internet…

 

Aos intelectualmente honestos e medianamente perspicazes não escapa a obviedade de que a conspiração direitista vinha de longe e quase emplacara quando da destrambelhada renúncia de Jânio Quadros.  O dispositivo golpista, contudo, ainda não estava pronto e a tentativa de aproveitamento de uma oportunidade de ocasião se revelou precipitada. 

 

As principais mudanças ocorridas entre agosto de 1961 e o dia da grande mentira em 1964 foram:

  • depois que o caipirão Lyndon Johnson herdou a presidência dos EUA, os pratos feitos da CIA voltaram a ser engolidos na Casa Branca (dificilmente John Kennedy deixaria suas digitais impressas numa virada de mesa no Brasil, assim como evitou oficializar o envolvimento estadunidense na invasão da Baia dos Porcos, negando apoio aéreo aos mercenários recrutados pelos gusanos de Miami);
  • após a firmeza do governador gaúcho Leonel Brizola e dos cabos e sargentos das Forças Armadas ter garantido sua posse, o bobalhão João Goulart tudo fez para apaziguar os inimigos. Chegou ao cúmulo de permitir que os oficiais reacionários desencadeassem um verdadeiro expurgo na caserna, transferindo os líderes dos subalternos para bem longe das respectivas bases (suas associações continuaram ruidosas, como convinha aos planos dos reaças –está aí o cabo Anselmo que não me deixa mentir!–, mas não poderosas, pois eram muitos caciques para poucos índios);
  • a participação civil, inexistente em 1961, foi buscada mediante propaganda enganosa maciça e parcerias com  a direita católica, não porque tivesse verdadeira importância no script golpista, mas como azeitona na empada, a fim de tornar o golpe mais palatável no Brasil e, principalmente, no exterior;
  • o Governo João Goulart vagava à deriva, ora inclinando-se à esquerda, ora contemporizando com a direita, o que fez os dois campos o encararem com suspeitas e não priorizarem a defesa do mandato legítimo; e
  • o hegemônico Partido Comunista Brasileiro se embananava todo ao acreditar que militares legalistas defenderiam Goulart e, como consequência, semeava a confusão entre a esquerda (esta ficou sabendo tarde demais que não contaria com apoio fardado nenhum contra os golpistas, só dependendo da resistência que ela própria conseguisse estruturar).

Mesmo com todos os ases e curingas nas mãos, os líderes golpistas hesitavam. Aí, o impasse foi quebrado por um ferrabrás que tinha papel secundário na conspiração: o general Olímpio Mourão Filho. 

 

Tratava-se de um fascistão com carteirinha assinada. Fora um dos líderes da Ação Integralista Brasileira e redator do famoso Plano Cohen, falso rol de intenções da Internacional Comunista que os galinhas verdes colocaram em circulação como espantalho para assustar milicos.

 

Ele botou o bloco na rua, precipitando os acontecimentos: sem aval do Estado Maior golpista, marchou com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro.  Foi duramente criticado pelo governador Magalhães Pinto (MG), para quem sua bravata poderia ter causado um banho de sangue.

Mas, porque a tão trombeteada ameaça comunista na verdade inexistia, a marcha pela Via Dutra acabou sendo um passeio. Dois ou três caças da FAB teriam sido suficientes para a abortarem, pois os inexperientes recrutas debandariam em pânico logo à primeira rajada de metralhadora disparada sobre suas cabeças à guisa de advertência.

A traquinagem do histérico Mourão Filho não o beneficiou: o poder acabou ficando com os conspiradores históricos, articulados em torno de Castello Branco.

Pode-se dizer que João Goulart foi derrubado pelo piparote de um mad dog fardado.

CIRO GOMES: REI DO GATILHO OU REI DOS SUCRILHOS?

Ciro Gomes, que já foi governador do Ceará e ministro da Fazenda, está indeciso quanto ao seu futuro: não sabe se concorre à presidência do Brasil ou ao cognome de rei do gatilho, que está vago desde a morte do comentarista esportivo Mário Sérgio Pontes de Paiva, uma das vítimas do voo da Chapecoense.

 

Para os mais jovens, esclareço: em 1981, quando ainda era jogador de futebol e atuava pelo São Paulo, o ônibus da delegação tricolor foi apedrejado após a partida contra o São José e Mário Sérgio afugentou os torcedores adversários com disparos para o chão, o que lhe valeu tal alcunha.

 

Foi uma insensatez, pois poderia ter feito aumentar a indignação, com péssimas consequências: torcedor(es) baleado(s), jogador(es) ferido(s) pelas pedras, ônibus incendiado, etc. Mas, pelo menos, ele realmente deu os tiros e se responsabilizou por seu ato – pelo menos em parte, pois espalhou a lorota de que as balas eram de festim…

Já Ciro Gomes assume total responsabilidade pelos tiros que não deu nos agentes Polícia Federal, salvo em sonhos ou nos seus devaneios após tomar algumas biritas. 

 

Em vídeo que circula nas redes sociais, aparece afirmando o seguinte sobre o episódio do Eduardo Guimarães:

Hoje esse Moro resolveu prender um blogueiro. Ele que mande me prender. Eu recebo a turma dele na bala.

É óbvio que o Ciro Gomes não jogará sua carreira política no lixo nem vai arriscar a vida contra atiradores treinados apenas para cometer uma bravata.

 

Sua frase, portanto, é de uma infantilidade constrangedora, ainda mais por ter partido de um quase sexagenário (completará 60 anos em novembro).

 

Lamento, Ciro, mas você não merece ser o novo rei do gatilho. Uma criancice dessas só lhe dá direito ao apelido de rei dos sucrilhos.

SERÁ HOJE MAIS UM JULGAMENTO DOS PMs QUE EM 2015 EXECUTARAM 2 JOVENS POR ROUBAREM UMA MOTO EM SÃO PAULO

Serão julgados nesta 2ª feira (27) três policiais militares responsáveis pelo assassinato de Fernando Henrique da Silva, que tinha 23 anos quando foi perseguido e preso após roubar uma moto na região paulistana de Butantã, sendo em seguida executado por tais PMs, no dia 7 de setembro de 2015.

 

Seu cúmplice Paulo Henrique Porto de Oliveira (18 anos) teve o mesmo fim, após render-se aos policiais. Seus matadores foram julgados no mês passado: um pegou 12 anos e 5 meses de prisão; outro, 4 anos e 11 meses; e o terceiro foi absolvido.

 

Os agentes da (des)ordem tentaram maquilar os homicídios para que passassem por mortes ao resistirem à prisão, mas uma filmagem feita por morador com celular e outra da câmara de vídeo da rua desmontaram as farsas.

 

Trata-se de uma prática tão frequente na atuação das PMs brasileiras que o Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas recomendou em 2012 sua extinção, em função não só do altíssimo índice de letalidade, mas também do fato de que parte expressiva de tais óbitos se devia a “execuções extrajudiciais”.

Após analisar 11 mil casos de alegadas  resistências seguidas de morte, a ONU constatou o que por aqui todos estávamos carecas de saber desde 1992, quando Caco Barcellos lançou seu primoroso livro-reportagem Rota 66 – A história da polícia que mata: quase sempre não houvera resistência nenhuma mas, tão somente, assassinatos a sangue frio de suspeitos já dominados.

 

Em seu relatório final, a Comissão Nacional da Verdade também propôs o fim das Polícias Militares em todo o País, com esta justificativa:

A atribuição de caráter militar às polícias militares estaduais, bem como sua vinculação às Forças Armadas, emanou de legislação da ditadura militar [mas a anomalia perdura até hoje], fazendo com que não só não haja a unificação das forças de segurança estaduais, mas que parte delas ainda funcione a partir desses atributos militares.

A recomendação da CNV veio ao encontro da proposta de emenda constitucional 51/2013, apresentada por Lindbergh Farias, que se arrasta há três anos e meio sem solução no Congresso Nacional. Ela prevê, entre outras medidas, a desvinculação entre a polícia e as Forças Armadas.

 

Assistam ao vídeo abaixo e avaliem se a desmilitarização das polícias estaduais é ou não urgentemente necessária:

O 6º CONGRESSO DO PT: EM BUSCA DA OUSADIA PERDIDA.

Cartaz do PT em 1980. Onde foi parar esta ousadia? O gato comeu?

Eis o que dizia o Partido dos Trabalhadores no seu manifesto de fundação, datado de 10 de fevereiro de 1980:

Os trabalhadores querem a independência nacional. Entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o país só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas trabalhadoras. É preciso que o Estado se torne a expressão da sociedade, o que só será possível quando se criarem condições de livre intervenção dos trabalhadores nas decisões dos seus rumos. Por isso, o PT pretende chegar ao governo e à direção do Estado para realizar uma política democrática, do ponto de vista dos trabalhadores, tanto no plano econômico quanto no plano social. O PT buscará conquistar a liberdade para que o povo possa construir uma sociedade igualitária, onde não haja explorados nem exploradores. O PT manifesta sua solidariedade à luta de todas as massas oprimidas do mundo

O texto atual é bem mais cauteloso

Eis o 13º e último dos pontos para mudar o PT alinhavados pelo vice-presidente do partido, deputado estadual Paulo Teixeira (SP), como propostas para serem discutidas no próximo congresso nacional petista, marcado para o início de junho:

Retomar o caminho republicano inspirado nos valores do socialismo democrático, fundados na igualdade, no controle público democrático do Estado e no pluralismo! A renovação programática do PT não pode temer a palavra socialismo, que deve andar junto com a palavra democracia. A atualização do programa do PT que ocorrerá no 6º Congresso precisa compreender que é tempo de enfrentar o fascismo com força, mas sem repetir os erros de conciliação que nos trouxeram até aqui. (…) O capitalismo deu errado: oito homens possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre da população. Os índices de desigualdade social no mundo são parecidos com os do início do século XX, que gerou duas Guerras Mundiais e milhões de mortos. O PT precisa combater esse sistema desigual e através do socialismo e da democracia encontrar novos marcos programáticos para o futuro do país e do mundo.

Resumo da opereta:

  • o PT praticou vergonhosamente a política de conciliação de classes durante os 13 anos e 4 meses durante os quais a burguesia lhe concedeu permissão para gerenciar o capitalismo brasileiro; 
  • agora que os poderosos dispensaram sua colaboração com um pontapé nos fundilhos, deverá discutir uma retomada das bandeiras anticapitalistas, o que seria seu primeiro passo na direção certa em muitos e muitos anos.

Alguém ainda ousa dizer isto numa reunião do PT?

Espero, contudo, que o faça com verdadeira disposição de luta, expressa num discurso muito mais afirmativo do que esse que vocês leem acima. 

O redator estava visivelmente pisando em ovos, como que pedindo desculpas pela mudança de rumo proposta e fazendo questão de escrever democracia cada vez que escrevia socialismo, qual uma atenuante obrigatória. [Antigamente tínhamos total clareza quanto ao fato de que a democracia de uma sociedade de classes jamais será uma verdadeira democracia e não hesitávamos em proclamar esta verdade em alto e bom som, utilizando sempre a expressão democracia burguesa…]

 

Isto para não falar na patética menção ao caminho republicano, que faria o PT continuar patinando sem sair do lugar até o final dos tempos. Salta aos olhos e clama aos céus que o caminho a ser retomado é o revolucionário

Ou seja, o parágrafo de 2017 é muito pior que o de 37 anos atrás, embora melhor do que a prática recente do PT. Mas, se quiser recuperar a credibilidade, o partido terá de curar-se dessa paúra crônica de dizer algo que possa assustar os pequenos e grandes burgueses.

 

Ficou meio hilária, p. ex., a recomendação aos companheiros, de que deixem de temer a palavra socialismo, como se fosse a única palavra deletada do dicionário petista. E revolução? E marxismo? E anarquismo? E comunismo? E a expressão marxista exploração do homem pelo homem? E a frase lapidar de Prodhon, a propriedade é o roubo?

 

Torço para que os companheiros petistas  se deem conta de que o tempo das tergiversações, das papas na língua e dos panos quentes acabou. Ou reencontram a ousadia perdida ou serão varridos do mapa pelos novos ousados. É simples assim.

BLOGUEIRO CONTA COMO A POLÍCIA FEDERAL INVADIU SEU APÊ E O CONDUZIU COERCITIVAMENTE À POLÍCIA FEDERAL

Celso Lungaretti

Um assunto em evidência é a condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães para prestar depoimento à Polícia Federal. 

Do seu longo relato de tal episódio, publicado no Blog da Cidadania, reproduzo abaixo o que considero mais relevante para os leitores do náufrago. Pode-se discutir muita coisa, menos que houve várias condutas ilegais, irregulares ou impróprias na operação policial. Quanto a isto, sou inteiramente solidário ao Guimarães.

Neste sábado, Demétrio Magnoli utilizou seu espaço semanal na Folha de S. Paulo para questionar a dita cuja, qualificando-a de “um ato de arbítrio”, ao mesmo tempo em que tecia comentários os mais depreciativos sobre a atuação corriqueira do Guimarães. 

É um texto polêmico, ao contrário dos (quase todos) monocórdios que circulam por aí. Gostaria de o reproduzir, mas só o farei caso venha a existir uma resposta do Guimarães para eu incluir no mesmo post. É o que mandam as boas práticas jornalísticas.

Eis o que Guimarães contou:

Às 6 horas do dia 21 de março deste ano, eu e minha esposa dormíamos quando escutamos um barulho semelhante a arrombamento da porta da frente do nosso apartamento.

 

Achei que era algum vizinho começando alguma obra antes da hora e, como fora dormir poucas horas antes, virei-me para o lado e voltei a dormir. Segundos depois, ouço minha esposa dizer, desesperada, que tinham vindo me prender.

 

Minha filha Victoria, 18 anos, 26 quilos, portadora de paralisia cerebral, que dormia no quarto ao lado, assustou-se com os golpes desferidos pelos policiais na porta e começou a reclamar, como faz quando está nervosa.

 

Levanto-me assustado, corro para a sala e encontro minha mulher à porta, entreaberta. Termino de abrir a porta, vejo quatro policiais federais. E o porteiro do prédio com expressão assustada no rosto

 

Detalhe: minha mulher vestia roupas sumárias de dormir. Pediu para se trocar. Não obteve permissão dos policiais.

 

Enquanto isso, Victoria assistia a tudo com olhos arregalados.

 

Os policiais comunicaram que tinham uma ordem de busca e apreensão e começaram a vasculhar o apartamento. Obrigaram o porteiro a entrar no meu quarto de dormir, que começaram a vasculhar, abrindo gavetas, portas de armário e qualquer outro lugar possível.

 

Acharam meu computador (notebook), exigiram a senha para ligá-lo e, assim, poderem mudar essa senha para terem acesso quando quisessem. Pedi para copiar alguns dados pessoais, mas não me foi permitido. Pediram para desbloquear meu celular com a mesma finalidade.

 Após a busca, nada tendo sido encontrado, os policiais anunciaram minha condução coercitiva.
 

Tentei ligar para meu advogado, doutor Fernando Hideo, mas não consegui. Passava um pouco das 6 horas. Minha esposa pediu para esperarem que eu conseguisse falar com o advogado, mas não permitiram. Exigiram que eu me vestisse e os acompanhasse.

 

Eu e minha esposa entramos no quarto de Victoria, onde respeitaram mais, para nos abraçarmos. Ela chorava, minha filha fazia seus sons característicos, pois não fala.

 

Imaginei se voltaria a vê-las.

 

Tentei, porém, aparentar calma. Até então, achava que estava sendo conduzido por conta da denúncia de ameaça contra Moro, feita por ele.

 

No meio do caminho, fui informado pelos policiais de que estava sendo detido por conta do post que publiquei em 26 de fevereiro do ano passado divulgando a quebra de sigilo de Lula…

 

…Chegamos à sala do delegado que me interrogou. Eu já não tinha mais telefone, já não tinha mais como me comunicar. O delegado iniciou o interrogatório sem a presença de qualquer advogado.

 

O delegado me comunicou que já sabia quem fora a minha fonte, mostrou-me o nome da fonte, contou-me que ela obtivera a informação que me passara de uma ‘auditora da Receita’ (fonte da minha fonte), mas não quis me dizer a profissão da pessoa que entrou em contato comigo.

 

Mostrou-me a foto da ‘auditora da Receita’ que vazou a informação. Perguntou se eu a conhecia e me disse que estava tentando determinar se nós três agíamos juntos.

 

Fiquei surpreso, pois a fonte, o tal jornalista, dissera-me que obtivera as informações com a imprensa. Disse-me que toda a imprensa de São Paulo já tinha aquelas informações que me estava passando. Então, descubro que uma servidora da Receita subtraiu de lá as informações ilegalmente.

O delegado deixou claro que eu era suspeito de ser ‘cúmplice’ daquelas pessoas. Eu disse que isso não era verdade e me perguntei, em voz alta, por que o tal jornalista me dera informação inverídica.
 

O delegado respondeu minha pergunta retórica. Disse que, provavelmente, fora para me ‘induzir’ a divulgar os dados sem medo de estar cometendo um crime. Repito: o delegado me disse  que minha  fonte me enganou.

 

Enquanto isso, minha esposa tentava falar com o doutor Fernando, mas não conseguia. Então, no desespero, recorreu a uma parente que é advogada da área de Direito da Família e não tem maiores conhecimentos sobre a área criminal.

 

A  nossa familiar chegou à sede da PF em São Paulo, à sala em que eu era interrogado, lá pela metade do depoimento. Porém, não teve condição técnica de me passar qualquer orientação enquanto eu respondia. Apenas assistiu à oitiva.

 

O meu interrogador deu a entender que eu teria que provar não ser cúmplice do tal jornalista e da auditora da Receita Federal, ambos de Curitiba… [segue-se longa explicação sobre a impossibilidade de Eduardo Guimarães provar que só recebera ligação da jornalista e não da auditora porque seu celular fora depois reformatado para corrigir mau funcionamento]. 

 

…Só o que posso afirmar é que não havia fonte a preservar porque as autoridades me disseram mais sobre elas do que eu sabia. Antes de começar a depor, fui informado de que meus interrogadores sabiam quem era a fonte.

 

Ora, vamos repassar os fatos.

 

Fui ouvido sem um advogado com condições de me orientar sobre o que eu precisava ou não responder. Tudo isso após o trauma pelo qual eu, minha esposa e minha filha doente passamos ao raiar do dia.

Avisei ao delegado que me interrogou que a familiar de minha esposa não tinha conhecimentos da área criminal e que estava lá mais para eu não ficar sozinho em um depoimento, mas ela nem sequer se manifestou durante a oitiva…

 

…Fui informado de que, se não provasse que não tinha relações com as pessoas de Curitiba que conseguiram os dados que recebi, eu seria considerado parte de um grupo, ou uma quadrilha.

 

Meu advogado que atua nessa área, doutor Fernando Hideo Lacerda, chegou bem depois do fim do depoimento, no exato momento em que eu iria firmá-lo. Doutor Fernando descobriu vários pontos que haviam sido inseridos indevidamente no depoimento e pediu retificação, após eu informar que não havia dito certas coisas que lá constavam.

 

O delegado aceitou os pedidos de retificação e reconheceu que eram justificados. Se meu advogado não tivesse  chegado a tempo, meus direitos civis teriam sido violados de forma  ainda mais séria.

ENQUANTO A SELEÇÃO DE TITE GOLEAVA O URUGUAI, A CARTOLAGEM IGNÓBIL APRONTAVA MAIS UMA!

A melhor campanha de uma seleção brasileira em eliminatórias de Copas do Mundo em todos os tempos foi a do Mundial de 1970, disputada um ano antes, quando as chamadas feras do Saldanha venceram a Colômbia por 6×2 (em casa) e 2×0 (fora); a Venezuela por 6×0 (c.) e 5×0 (f.); e o Paraguai por 1×0 (c.) e 3×0 (f.). 

 

Era seu recorde de vitórias consecutivas até ontem (23/03), quando atingiu a marca de sete triunfos nas sete partidas em que foi comandada pelo técnico Tite. Com uma vantagem: desta vez impôs sonoras goleadas a seus maiores rivais sul-americanos, os bicampeões mundiais Argentina (3×0) e Uruguai (4×1), enquanto o saudoso treinador que capachos da ditadura deram um jeito de afastar por ser comunista só enfrentou então a quarta força do nosso continente e dois sacos de pancadas.

 

E (lembrando a bela letra que Oswaldo Montenegro compôs para “Bandolins”), como se não fosse um tempo em que já fosse impróprio se dançar assim, o Brasil sapecou 3×0 no perigoso selecionado do Equador em plena Quito e triturou a Bolívia por 5×0 em Natal.

Então, além da satisfação por finalmente podermos olhar com justificadas esperanças para o próximo Mundial da Fifa, é importante lembrarmos que a Confederação Brasileira de Futebol, corrupta até a medula, jogou no lixo a Copa de 2010, ao transformar em técnico um ex-jogador (Dunga) que só se destacava pelo espírito de luta, mas não sabia nem sabe até hoje ler taticamente o futebol; e a de 2014, ao retirar da aposentadoria um treinador (Felipão) totalmente ultrapassado desde a revolução catalã da década passada.

 

E nunca deixarmos de cobrar da dupla Dilma Rousseff/Aldo Rebelo sua responsabilidade pela maior humilhação que um escrete brasileiro sofreu em mais de um século de História, os 7×1 que a Alemanha nos enfiou goela adentro em pleno Mineirão, pois os dois tinham nos bastidores força mais do que suficiente para imporem a moralização da CBF ou, pelo menos, evitarem que o velho cúmplice da ditadura José Maria Marin substituísse o encalacrado Ricardo Teixeira.

Se faltassem outros motivos, apenas o fato de que Marin tinha responsabilidade moral no assassinato de Vladimir Herzog tornava imperativo que a antiga militante da VAR-Palmares e o atual militante do PCdoB tudo fizessem para impedir a suprema humilhação: o planeta inteiro ver, no camarote das personalidades, um réprobo desses como dirigente máximo do futebol brasileiro durante a Copa do Mundo que sediamos!
 

Como a cartolagem vive mamando nas tetas da União, teria bastado um murro na mesa bem dado para que Marin fosse discretamente afastado da linha sucessória. Mas Dilma cuidava de outros assuntos e Rebelo nem sequer sabia o que estava fazendo como ministro do Esporte. 

 

Ambos se omitiram vergonhosamente, Juca Kfouri clamou em vão, Marin assumiu, chamou Felipão e colocou nossa seleção no rumo da catástrofe. Depois, ainda tivemos de aguentar o vexame de que fosse o FBI a fazer o que tínhamos a obrigação de ter feito, encarcerando Marin e fazendo de Marco Polo Del Nero um confinado no seu próprio país.

Ontem, enquanto o escrete de Tite conseguia sua mais bela e difícil vitória, a máfia da CBF dava um golpe sorrateiro para perpetuar o poder das federações sobre os clubes, num momento em que estes começam a contestar o jugo das entidades sanguessugas.

Obrigada a estender o direito de voto aos clubes da 2ª divisão, conferiu-lhe peso 1, deu peso 2 aos clubes da 1ª divisão e peso 3 aos dirigentes das federações.

Com isto, as decisões continuarão nas mãos dos parasitas, que terão 81 votos contra 60 dos clubes. E as iniciativas independentes esbarrarão em grandes dificuldades.

 

Até quando? 

 

P.S.: Dizem que técnico não ganha jogo. Mas, o que seria ontem do Brasil se Paulinho não tirasse coelho da cartola, empatando a partida com um portentoso chute de longe?! Foi quando a maré virou em nosso favor. E Paulinho só estava lá porque Tite acreditou nele, enquanto tantos e tantos ranzinzas da crônica esportiva cansavam de apontá-lo como protegido do treinador.

A TENDÊNCIA É TODOS OS SUJOS, UNIDOS NUM SÓ BLOCO, ESVAZIAREM A LAVA-JATO.

Celso Lungaretti

Uma preocupação constante deste blogue é a de apontar para que lado sopram os ventos da política, antecipando o desfecho provável dos episódios em curso. Trata-se de um conhecimento crucial para nortear a atuação da esquerda.

 

Nem sempre nos agrada o futuro adivinhável. Mas, enfiarmos a cabeça na areia, como avestruzes supostamente fariam, nunca foi solução para nada. E me acusarem de desejar  os cenários negativos que designo como tendências dominantes é de um primarismo atroz, mentalidade típica de torcedores de futebol, fãzocas de artistas e fanáticos da política.

 

Agora, p. ex., a tendência é todos os sujos, unidos num bloco, conseguirem neutralizar a Operação Lava-Jato, conforme detalha o jornalista Vinícius Torres Freire em seu artigo abaixo reproduzido.

É uma perspectiva repulsiva? Sem dúvida! Mas, não esqueçamos a verdade óbvia que os acontecimentos nos vêm ensinando desde os mares de lama do século passado: a corrupção é intrínseca ao capitalismo
 

Quando se coloca o enriquecimento pessoal como objetivo supremo da existência, é inevitável que os mais ousados utilizem atalhos à margem da lei para o obter. Cruzadas moralistas ocorrem quando a desfaçatez é demasiada e dá nas vistas, aí alguns bodes expiatórios pagam pelos pecados de todos e, adiante, a coisa é retomada com mais discrição (pelo menos no início). Finalmente, o ciclo inteiro se repete.

 

E não serão iniciativas do Judiciário nem da polícia que vão estancar de vez a corrupção amalgamada com a política. Será, como cansa de repetir nosso companheiro Dalton Rosado, nos redimirmos do pecado original (a extorsão da mais-valia, que eterniza a exploração do homem pelo homem), reconstruindo nossa sociedade sob perspectiva bem diferente: a colaboração livre e solidária de todos os seres humanos para a concretização do bem comum, com a igualdade como norma e a felicidade coletiva como fim. O resto são paliativos.

CRESCE A REVOLTA CONTRA A LAVA-JATO

.

A maré contra o partido da Lava Jato não virou. Mas o apoio a jacobinos de Procuradoria, Justiça e polícia faz água na elite.


Articulistas e porta-vozes da direita à esquerda criticam o autoritarismo crescente do partido da Justiça e a demonização da política. Regentes auxiliares de Michel Temer lideram o basta!, como Gilmar Mendes, entre outros.

O acordão do baixíssimo clero no Congresso ora conta com apoio explícito do clero rebaixado de PSDB e PT. Companheiros de viagem desses dois partidos e outras figuras mais respeitáveis na opinião pública elaboram a defesa intelectual do armistício.

Misturam-se os objetivos de conter extravagâncias do partido da Justiça, de evitar a destruição de empresas enroladas, de sufocar salvadores da pátria e de preservar a viabilidade eleitoral de partidos ditos menos podres.

Os jacobinos deram a deixa. A lambança policial na Carne Fraca e o pega um, pega geral das delações deflagram revoltas.

Há empecilhos legais e judiciais a um acordão pacificador amplo e geral, além de pedras no caminho político. O ódio mortal entre PSDB e PT, ainda os polos achatados da política partidária, atrapalha conversas desenvoltas.

Desde 2014, a estratégia é de destruição mútua. Desgraças comuns levaram os dois partidos, cada um por sua conta, a aderir a teses assemelhadas de salvação, uma comunhão involuntária de interesses.

Os dois partidos aceitam o que se pode chamar de doutrina Aécio Neves: se pegarem todos os ruins, sobram apenas os piores. Isto é, querem algum plano de anistia.

Um acordão pacificador de amplo espectro, que inclua também o PT, tem pelo menos três empecilhos maiores.

Primeiro, as pontes de diálogo foram queimadas.

Desde o fim de 2014, quando começou a campanha para depor Dilma Rousseff, o PSDB imaginava que sairia limpinho da história com que amaldiçoou o PT.

Os tucanos levavam vantagem na luta livre até que o partido passou a ser vítima dos mesmos golpes. Procuradores, polícia e juízes ameaçam cabeças do PSDB, com apoio das ruas.

O PSDB baixou a bola desse jogo anti-PT, mas ainda diz que não vale “misturar todos na vala comum”. Falta diálogo para dar efeito prático ao acordão tácito.

Segundo empecilho: como fazer com que as bases engulam o acordão? O que o PSDB vai dizer às ruas da ética na política? Como explicar que casou em comunhão total de bens com o PMDB e deu gorjeta ao PT? O que o PT vai dizer às suas bases Fora, Temer! ao embarcar no trem da alegria dos golpistas?

Com jeitinho se inventaria mentira palatável. Mas então se chega ao terceiro problema: falta liderança capaz e legítima o bastante para acertar o armistício entre partidos e vender esse peixe para as ruas.

O acordão quer zerar o jogo, permitindo aos menos piores que comecem de novo. Mas tem também de entregar algumas cabeças e conseguir algum perdão do eleitor mediano.

Os partidos de podridão mais histórica podem até passar o acordão na marra, talvez deixando o PT de fora. Essa solução bruta atiçaria os jacobinos. O povo ficaria em revolta maior, muda ou não. A fúria daria força a salvadores da pátria e à desmoralização da política. Que era o que se pretendia evitar.

ATRAÇÕES DO HALLOWEEN ANTECIPADO: O OGRO BOLSONARO, O XOU DA BRUXA E OS EMPRESÁRIOS VAMPIROS.

A atriz e apresentadora de TV Xuxa Meneghel já foi vista quase que como uma fada pelos baixinhos. Agora, prestes a completar 54 anos, ela flerta com outra imagem, a de bruxa malvada: participou em 20 de fevereiro último de um jantar festivo com Jair Bolsonaro, aquele pré-candidato da extrema-direita à próxima eleição presidencial que é fã de carteirinha do finado torturador-símbolo do Brasil, Carlos Alberto Brilhante Ustra.

 

Na linha da campanha de Donald Trump, o evento recebeu o nome de There is hope, deixando claro qual era o idioma com o qual os mórbidos comensais tinham mais afinidade.

 

No mesmo dia, segundo a Folha de S. Paulo, Bolsonaro havia almoçado com 15 empresários reunidos pelo apresentador de TV Otávio Mesquita, que disse ter organizado o encontro a partir de uma troca de mensagens com integrantes do grupo Amigos do vinho, no WhatsApp. “Os empresários tinham curiosidade sobre Bolsonaro”, justificou.

Bem, empresários são mesmo curiosos. Lembro-me de alguns cuja curiosidade era tanta que pagavam para assistir a sessões de tortura no DOI-Codi ou delas participar.

 

De resto, falando sobre vinho, não sei por que, mas me vêm insistentemente à lembrança aqueles versos do Chico Buarque, “Pai, afasta de mim esse cálice/ de vinho tinto de sangue”.

 

São associações que nossa mente faz, algumas até difíceis de entender. Afinal, memória de gente é algo um tanto intrincado. Assim como a falta de memória de muita gente…

O BRASIL COMEÇA A SAIR DO FUNDO DO POÇO. COMO A ESQUERDA DEVE ATUAR NO NOVO CENÁRIO ECONÔMICO?

Celso Lungaretti

Quando afinal se consumou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff – caçapa por mim cantada desde o domingo em que a Câmara Federal, em meio àquele ridículo atroz de Suas Excrescências declarando votos, aprovou a abertura do processo –, venho alertando que, a despeito de a crise capitalista mundial ser irreversível e estar destinada a agravar-se cada vez mais, ela não impede um momentâneo desafogo da economia brasileira. 

 

Vai ser, claro, uma recuperação de fôlego curto, assim como o suposto milagre brasileiro pouco durou. Mas, que haverá, haverá. Tudo aponta em tal direção.

 

É que a situação estava pior ainda do que deveria estar, por culpa das patetadas e ziguezagues da Dilma na condução da política econômica. Então, quando os loucos deixassem de dirigir o hospício, era previsível que a queda acelerada desse lugar à subida lenta.

Jogamos várias décadas no lixo

Dito e feito. Transcrevo abaixo um artigo de Vinícius Torres Freire, atestando ser exatamente o que está ocorrendo neste instante.
 

E por que eu me preocupava tanto com isto? Porque os brasileiros votam com os bolsos e, se no segundo semestre de 2018 estiverem menos agoniados na parte financeira, será um candidato de direita que eles vão eleger, tornando inútil a insistência do PT em tentar dar a volta por cima com Lula e as velhas práticas populistas que desembocaram no desastre de 2016. 

 

A esquerda majoritária deixou de lado a contestação ao capitalismo acreditando que, em contrapartida, os capitalistas lhe permitiriam gerir indefinidamente o estado burguês para eles. 

 

Ledo engano; quando lhes foi conveniente, descartaram-na num piscar de olhos com um piparote parlamentar. 

 

Então, o mínimo que ela pode fazer agora é resgatar sua antiga identidade combativa, confrontando os poderosos da economia ao invés de a eles associar-se como acionista minoritária, pois o resto (nacos menores do poder, mordomias e boquinhas destinadas aos serviçais palacianos da burguesia) já perdeu e não vai recuperar tão cedo, provavelmente nunca.

.

BRASIL, ALGUMAS BRISAS A FAVOR.

Caíram umas migalhas no prato da economia. Faz alguns meses, não tínhamos nem prato.

 

Houve a surpresa dos empregos com carteira assinada. O governo conseguiu vender bem quatro aeroportos. Investidores estrangeiros importantes começam a inventar modas, “teses de investimento”, que favorecem o Brasil. Empresas devem voltar a abrir capital, o que não se via desde 2013, na prática.

 

Depois de quase dois anos, o número de empregos com carteira assinada aumentou (35 mil), segundo dados do Ministério do Trabalho para fevereiro. Era muito raro encontrar quem previsse resultado positivo para antes de abril.

 

O que houve? Contratações no setor de serviços, quase todas em empresas de educação (38,5 mil) e saúde. Administração pública, agropecuária e indústria vieram a seguir na lista das melhorias. A ruína continua assustadora na construção civil e no comércio. No mais, despioras.

O balanço é parecido para o primeiro bimestre do ano. Pelas regiões, apareceram mais empregos formais no Sul (cerca de 60 mil) e no Centro-Oeste (29 mil). São Paulo (18,5 mil) e Minas Gerais (9.000) também voltaram ao azul pálido, no bimestre. A região Sudeste naufragou ainda no vermelho por causa do desastre que é o Rio de Janeiro, afetado pelas desgraças do petróleo mal administrado, por Sérgio Cabral e pelo PMDB.
 

O resultado nacional apenas não foi melhor porque a crise do emprego no Nordeste é aterradora. A região perdeu quase 78 mil empregos, dois terços deles em Pernambuco e em Alagoas.

 

Além de escolas, a melhoria do bimestre parece vir da agropecuária e, no caso da indústria, da recuperação mais notável das fábricas de calçados, têxteis e vestuário, em parte por exportações e/ou substituição de importações. Mais difícil de compreender, a indústria de alimentos e bebidas ainda afunda.

 

A fim de temperar animações excessivas, é preciso lembrar que o número de empregos formais caiu 2,8 milhões desde fevereiro de 2014, o início da recessão. Em relação a fevereiro do ano passado, 1,15 milhão de carteiras assinadas a menos.

Apesar do sucesso e das contribuições enormes da agricultura para a queda de preços, para as exportações e, agora, até para o emprego formal, o setor sozinho não pode carregar nas costas esta economia quase deprimida. Nem deve manter tal desempenho no resto do ano.

 

Melhor, ainda assim. Também foi boa notícia o resultado melhor do que esperado da privatização dos aeroportos. Empresas estrangeiras estão dispostas a colocar dinheiro mesmo neste país arrasado.

 

Da finança mundial, além do mais, pode cair outra migalha no prato do Brasil. Fundos grandes começam a inventar a tese de que vale a pena a investir em países que “se recuperam de populismos”. Em suma, países como o Brasil, que ainda estão “baratos”, em liquidação na bacia das almas, e que podem ter uma recuperação grande, dado o fundo do poço onde caíram.

 

As empresas daqui estão com ideias semelhantes. A recuperação dos preços na Bovespa estimulou entre 10 e 20 companhias a planejar abertura de capital (vendas de ações, novos sócios). De 2014 a 2016, tais negócios haviam morrido. É um sinal objetivo de confiança, embora pequeno.

COMO NÃO HÁ ALTERNATIVA À REFORMA DA PREVIDÊNCIA DENTRO DO CAPITALISMO, VAMOS BUSCÁ-LA FORA DELE!

A velha política que nos mantém patinando sem sair do lugar…

A reforma da Previdência Social proposta pelo Governo Temer é perversa, desumana, injusta, inaceitável… e imprescindível para desarmar uma bomba-relógio que, mais dia, menos dia, explodirá na nossa cara.

 

Isto dentro da lógica capitalista e na suposição de que continuemos a carregar pacientemente o caixão do capitalismo, torcendo para que o enterro afinal se complete.

 

O PT teve 13 anos para resolver o problema e nada fez, porque nada era possível fazer. O capitalismo, em seu estágio terminal, é poupador de mão de obra, de forma que existem cada vez menos trabalhadores ativos contribuindo para sustentar um número crescente de inativos (os avanços sanitários e da medicina alongam a vida dos aposentados). Não há como se colocar em pé tal equação usando apenas a aritmética.

 

Mas, numa sociedade em que a prioridade passasse a ser o atendimento das necessidades humanas e não a realização do lucro, aí, sim, se poderia montar uma equação bem diferente, com as fortunas escandalosas de uns poucos nababos sendo utilizadas para se proporcionar  um final de vida digno àqueles que consumiram suas vidas gerando riquezas para esses insaciáveis burgueses.

…e a nova que custa a se afirmar.

Infelizmente, quem está promovendo os protestos em escala nacional contra as reformas do Temer vende a ilusão de que seja possível resolver o problema da Previdência com um mero remanejamento de verbas, em verdade irrealizável na escala necessária hoje em dia. 

[Quanto à reforma trabalhista, visa injetar dinamismo na economia mediante a precarização dos direitos e das relações de trabalho. É a alternativa que o capitalismo nos oferece à recessão: optarmos entre o fogo e a frigideira!] 

 

Precisamos deixar bem claro ao povo que ele está sendo enganado.

 

Que as forças políticas empenhadas em desgastar o governo atual querem apenas substitui-lo para fazerem basicamente a mesma coisa, associados ao grande capital como estava o PT, como está o PMDB e como estará qualquer partido que sagrar-se vitorioso na eleição presidencial do ano que vem. 

A solução não pode mais ser encontrada na praça dos Três Poderes; temos de buscá-la noutras praças, aquelas que são do povo como o céu é do condor! 

 

Já passou a fase de uns proporem reformas e outros lutarem contra reformas. O abismo cresceu demais à nossa frente e  acabará nos tragando se não nos decidirmos, de uma vez por todas, a mudar radicalmente a estrutura de poder da nossa sociedade.