REQUIÃO, QUE QUER SER VICE DE LULA EM 2018, JÁ FOI CONDENADO POR FRAUDE ELEITORAL E SAIU PELA TANGENTE.

Não é só o caráter conciliador e anacrônico das propostas econômicas da tal Frente de defesa da soberania nacionalista sem xenofobia, dissecadas por Dalton Rosado num artigo memorável, que compromete tal articulação, cujo objetivo fragrante é catapultar o senador Roberto Requião para companheiro de chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição do ano que vem.

É também o prontuário de Requião, um exemplo emblemático do jeitinho brasileiro para evitar que poderosos fossem para trás das grades mesmo quando apanhados com a boca na botija ou empunhando o revólver fumegante ao lado do cadáver.

Requião é nada menos do que o bem sucedido autor de uma das mais chocantes tramoias para fraudar eleições já vistas neste país.

No final do horário eleitoral gratuito do segundo turno da eleição para governador paranaense de 1990, a campanha de Requião colocou no ar um vídeo gravado no Paraguai, no qual um indivíduo mal encarado se apresentava como  Ferreirinha e dizia ser um pistoleiro foragido.

 

O tal  Ferreirinha  contou que, a mando da família do adversário de Requião, José Carlos Martinez, expulsara e matara os sem-terra que invadiam sua propriedade.

 

O impacto da denúncia foi decisivo para que Requião, apontado como provável perdedor pelas pesquisas, virasse o jogo na última hora.

Eis como o tal motorista foi mostrado no horário eleitoral

Depois, veio à tona que o suposto pistoleiro não passava de um pacífico motorista desempregado e, inclusive, era novo demais para haver cometido tais homicídios.

 

O Tribunal Regional Eleitoral condenou Requião por fraude eleitoral. Ele teve seu mandato cassado, mas recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral e, usando os infinitos recursos protelatórios à disposição de quem pode bancar advogados caros, foi conseguindo evitar a confirmação da sentença e acabou cumprindo seu mandato espúrio até o último dia. O processo foi, então, arquivado sem julgamento de mérito.

Vice não é exatamente uma mera formalidade quando o presidente terá, ao assumir, 73 anos de idade. Merecerão os brasileiros ser governados por um estelionatário eleitoral impune?!

JOESLEY BATISTA É PEGO DE NOVO NA MENTIRA

Fedor da delação super-premiada é pior ainda que seu aspecto

A Folha de S. Paulo informa em sua edição dominical que o delator super-premiado Joesley Batista caiu em contradição em pelo menos dois pontos da sua entrevista publicada pela revista Época, comparativamente ao depoimento dado à Procuradoria-Geral da República:

  • indicou um ano diferente como sendo o do seu primeiro contato com Michel Temer; e
  • deu uma versão discrepante sobre seus encontros com o chamado homem de mala, o deputado federal Rodrigo Rocha Loures.

Credibilidade zero (menos para o Janot, o Fachin e a Globo!)

Como tanto as Organizações Globo quanto o Janot fazem o máximo empenho para impingir tal peixe podre ao distinto público, da parte de ambos nada de mal advirá ao Joesley. Seguirão bancando seu protegido, mesmo porque já estão com imagem pior que a de peixe podre, não tendo, portanto, mais nada a perder.

[Quem ainda pode salvar a pose é o Supremo Tribunal Federal, desde que se decida finalmente a cumprir o seu dever, anulando a delação super-premiada que o Edson Fachin abençoou e mandando Joesley Batista para o xilindró no qual deveria estar. Nos próximos dias os ministros decidirão se honram suas togas ou se o corporativismo neles fala mais alto.]

E também a credibilidade de tal criminoso do colarinho branco junto à opinião pública não será afetada por mais estas mentiras flagradas, pois ela já era nenhuma…

RODRIGO JANOT QUER PORQUE QUER ESCANCARAR AS PORTAS DO INFERNO!

Há muita torcida nas redes sociais pela queda de Temer. E há um empenho desmedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disposto a fazer de tudo para satisfazer a galera. A insensatez e as vaidades desmedidas reinam.

 

Janot já pisou feio na bola ao armar uma arapuca óbvia para o presidente, cheia de ilegalidades que o ministro Edson Fachin abençoou (mesmo não tendo o direito de fazê-lo, pois estava obrigado a declarar-se impedido de intervir na delação premiada do grupo J&F, em função de haver mantido com o dito cujo notórias ligações perigosas).

 

A ação concertada com as Organizações Globo teria resultado caso Temer renunciasse ou se a Justiça Eleitoral cassasse o seu mandato. E o que teria então acontecido?

 

Eis o quadro bem realista que o veterano jornalista Clóvis Rossi nos expõe:

Se Temer tivesse seu mandato cassado pelo TSE, a crise política estaria encerrada? Óbvio que não. 

Primeiro porque caberia recurso e sabe-se lá por quanto tempo se arrastaria o processo, mantendo-se na Presidência um cidadão notoriamente inadequado para o cargo. 

…[mas] digamos que a tal vox populi fosse ouvida pelo TSE e Temer caísse. Fim da crise? Não. 

Haveria, de um lado, o desejo da maioria dos congressistas de manter o privilégio de escolherem eles, e não o eleitorado, o novo presidente. Do outro lado, a pressão de grande parte do público por eleição direta, o que demandaria uma emenda constitucional de tramitação demorada, em meio a uma situação econômico-social desastrosa. 

Considerados o poder da rua e o poder dos grandes interesses envolvidos, a lógica elementar diria que a eleição seria mesmo indireta. 

Aí, o risco seria (…) a eleição de Rodrigo Maia, apontado como favorito de seus pares. 

É outra mediocridade como Temer, mas com menos experiência.

Temer com seu substituto legal, Rodrigo Maia: e se a montanha parir um rato?

Será que o Brasil aguentaria três governantes medíocres em sequência? Não dá para esquecer que Dilma Rousseff conduziu o país à mais profunda e prolongada recessão de sua história – prova factual de seu despreparo para o cargo.

PRESTES A DEIXAR O CARGO, JANOT NADA TEM A PERDER: “DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO!”

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O pior é que Janot, o grande responsável pelo prolongamento inútil de uma recessão que começava a perder força, quer infernizar de vez a vida dos brasileiros, apresentando uma denúncia de corrupção contra Temer. Não leva em conta que, via TSE, a substituição de Temer poderia ser razoavelmente rápida, ao passo que, com um impeachment, o desenlace ficaria para bem depois, só no ano que vem. 

Como a abertura do processo exige a aprovação da Câmara Federal e do plenário do Supremo Tribunal Federal, bota uns dois meses nisso (no mínimo!). 

 

Vamos supor que, vencidas estas duas barreiras, Temer seja afastado provisoriamente em agosto, com Rodrigo Maia herdando a cadeira e a caneta presidencial (Deus nos acuda!). Aí, mesmo que o processo não consuma os 180 dias de prazo-limite, só estaria concluído lá pelo final do ano. 

 

Marcada uma eleição indireta para 30 dias depois (com o adiamento do recesso dos parlamentares), poderíamos ter um novo presidente em fevereiro, para governar no máximo 11 meses. Mas, governo efetivo mesmo, só até agosto, quando a campanha presidencial ferve e passa a ser a prioridade nº 1 dos políticos profissionais. 

Tudo considerado, a tendência seria de que as incertezas se prolongassem, afugentando investimentos, até a posse do novo presidente, no dia 1º de janeiro de 2019. Ou seja, o que Janot quer é que tenhamos pela frente mais um ano e meio com a situação econômica tão ruim como está agora, ou pior ainda.

 

É inacreditável que uma autoridade supostamente responsável tudo faça para nos impor tal pesadelo! Não terá consideração nenhuma pelo povo sofrido, indefeso, massacrado, que anda matando cachorro a grito desde 2015?! 


E, quanto aos que se dizem esquerdistas mas se mostram fanaticamente empenhados em propiciar o caos, só me resta lembrar-lhes que quem pretende servir à causa do povo não pode fazer política movido pela bílis. Precisa ter idealismo, clareza de raciocínio e. mais do que tudo, identificação com os humildes e disposição solidária para atenuar suas desditas..

 

Três características extremamente escassas hoje em dia.

SE A ABIN ESPIONOU FACHIN, TEM DE HAVER PUNIÇÃO. SE FACHIN OMITIU ‘LIGAÇÕES PERIGOSAS’ COM JOESLEY, IDEM.

Eis a explicação que José Fábio Rodrigues Maciel, professor de História do Direito da PUC-SP, dá para a representação habitual da Justiça como uma mulher vendada:

Sempre que se fala em Justiça surge no nosso imaginário a figura de uma mulher com os olhos vendados, carregando em uma de suas mãos a balança e em outra a espada. A venda tem como função básica evitar privilégios na aplicação da justiça, sendo a balança o instrumento que pesa o direito que cabe a cada uma das partes e a espada item indispensável para defender os valores daquilo que é justo, já que a norma sem a possibilidade de coação dependeria apenas das regras de decência e convivência de cada comunidade, o que seria ineficaz para garantir o mínimo ético indispensável para a harmonia social. 

Podemos dizer que a espada sem a balança é força brutal, assim como a balança sem a espada tornaria o Direito impotente perante os desvalores que insistem em ser perenes na história da humanidade.

As vendas e as balanças devem ser artigos em falta nos altos escalões do Judiciário, porque está havendo uma reação exacerbada ao (por enquanto) mero boato jornalístico de que os arapongas da Abin teriam recebido a missão de investigar o ministro Edson Fachin, enquanto se ignora olimpicamente a acusação, partida de vários lados, de que Fachin teria mantido relações promíscuas com Joesley Batista e sua quadrilha… ôps, quer dizer, empresa. 

 

O Executivo pode espionar ministros do Supremo, com objetivo de intimidação? Não, o episódio tem de ser investigado e, caso seja algo além de rumor, punido.

 

Um ministro do Supremo pode tomar decisões relativas a um acusado com o qual manteve estreitas relações pessoais e/ou negociais, como parece ser o caso do Fachin? Não, e se o houver feito, terá faltado com o seu dever e deve ser punido.

 

Pior: a parte que Fachin não poderia julgar por faltar-lhe imparcialidade para tanto é um notório e assumido criminoso, que recebeu tratamento régio das autoridades, sendo contemplado com a mais condescendente delação premiada de todos os tempos. Constatar tal obviedade não é nenhum complô para o desqualificar. É apenas cobrar do Judiciário que faça direitinho seu dever de casa.

Embora não seja especialmente devoto da Justiça burguesa, desde criança aprendi que é assim que ela deve proceder. Caso contrário, vai se tornar também um fator de instabilidade política e social, como está ocorrendo agora, quando inspira fortes suspeitas de que os pratos da balança estejam desequilibrados e a venda haja sido arrancada.

 

Fico pensando se o ministro do STF que certa vez qualificou a si próprio e aos seus pares como supremos estaria apenas distraído ou cometendo um ato falho…

A BLITZKRIEG DO JANOT ATOLOU NO PÂNTANO DE BRASÍLIA

Se a toga fosse maior, daria para esconder também a cara…

Deu a lógica: Michel Temer continua como presidente, tendo sobrevivido a uma das mais estapafúrdias e destrambelhadas tramoias da política brasileira em todos os tempos. 


Espera-se que, agora, a sociedade apresente a conta aos conspiradores trapalhões, por terem virado o País de pernas pro ar a troco de nada, prolongando por mais alguns meses a agonia em que se debatem os brasileiros desde 2015, quando se iniciou a fase mais aguda da recessão atual.

 

O processo na Justiça Eleitoral não passava de um Plano B, uma garantia adicional de que Dilma Rousseff seria privada do seu mandato presidencial, mesmo que ocorresse algum acidente de percurso com o impeachment. 

 

Como o Plano A resolveu a questão, o B perdeu sua razão de ser, reduzido a um estorvo; mas, noblesse oblige,  era necessário manter em pé as ilusões jurídicas da democracia burguesa. Assim, não havendo mais como evitar a realização do julgamento, ele deveria terminar com a absolvição da chapa Dilma-Temer.

 

Ao iniciar-se a terceira semana de maio, já se sabia até qual seria o placar da absolvição: 5×2. De repente, no dia 17, o jornal O Globo desencadeou uma verdadeira blitzkrieg contra Temer, publicando peças da delação premiada do Grupo J&F que deveriam estar sob sigilo de Justiça. 

 

E o relator dos processos ligados à Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, fez o inusitado: como parte do material havia supostamente vazado, resolveu levantar o sigilo do todo. Agiu como um general que, informado de que o inimigo matara 20 dos seus comandados e 80 estavam feridos, ordenasse: bom, então vamos matar logo os outros 80 também

O vencedor: Gilmar Mendes. Com muita cotovelada, chute na virilha e dedo no olho…

O pandemônio se instalou no noticiário, nos mercados e nos partidos políticos, enquanto movimentos sociais ligados ao petismo providenciaram um badernaço em Brasília, culminando no incêndio de Ministérios. A impressão de caos e descontrole era fundamental para forçar Temer a uma renúncia imediata. Tal ocorrendo, a guerra relâmpago teria sido coroada de êxito.


Mas, Temer resistiu. O grande capital, para o qual o importante mesmo é a continuidade do programa de reformas neoliberais, começou a trabalhar em seu favor, por falta de opção melhor (nenhum dos cogitados substitutos de Temer se mostrava especialmente apto para o papel). 


Enquanto isto, jornalões concorrentes passaram a mostrar o outro lado do furo d’O Globo:

 

— o fato de que a gravação ilegal da conversa de Joesley Batista com Temer fora precedida de uma aula a espiões amadores, ministrada por pessoal da Lava-Jato, embora ainda não estivesse decidido se seria ou não aceita a delação premiada de tais criminosos (isto dependeria do resultado da gravação); 

— o caráter inconclusivo das intervenções de Temer no diálogo, ficando evidente para qualquer pessoa isenta que a interpretação dada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot não era a única possível, mas sim a única que servia para incriminar o presidente; 

As regalias do Joesley colocaram em xeque as delações 

— as fortes suspeitas de que a gravação havia sido editada; 

— a sofreguidão de Janot, tão ansioso por tocar os procedimentos adiante que nem se preocupou em pedir aos peritos federais que verificassem se a gravação cumpria os requisitos legais para servir como prova; 

— a desatenção de Fachin, não só passando batido pelo fato de que a gravação deixara de ser periciada, como também por sua evidente ilegalidade (não houvera autorização judicial para que Joesley a fizesse) e pelos vários indícios de que Temer fora vítima de uma armadilha judicial; 

— as regalias e privilégios repulsivos que os irmãos bandidos obtiveram com a delação, os maiores até agora concedidos a qualquer réu da Lava-Jato.

.O RESCALDO DA TRAPALHADA

.Os conspiradores não conseguiram tanger Temer à renúncia, nem fazer com que perdesse o mandato no julgamento do TSE. Ou seja, não conseguiram nada. Entraram como leões, saíram como cães.

 

O desvio de finalidade cometido por autoridades ligadas à Lava-Jato, ao direcionarem sua atuação para um objetivo flagrantemente político (a derrubada de um presidente) ao invés de se manterem no terreno do combate à corrupção, servirá, em muito, como munição para os políticos encalacrados unidos desfecharem um contra-ataque, movidos pelo instinto de sobrevivência. Tiro no pé.

Também começam a avolumar-se os questionamentos de arbitrariedades e excessos cometidos ou autorizados por policiais, promotores e procuradores. Reforça-se a suspeita de que se trata de uma devastadora cruzada moralista para destruir o status quo ante, sem clareza quanto ao que deva substituí-lo, assim como era carente de um objetivo maior o tenentismo de outrora (daí já estarem sendo chamados de tenentes togados).  

Nem os Irmãos Marx dariam um golpe tão bagunçado

E seus abusos, característicos de estados policiais, inspiram comparações com  os jacobinos da Grande Revolução Francesa. É bem capaz de a História repetir-se, com o pântano finalmente criando coragem para reagir contra o terror que Curitiba lhe inspira.

As Organizações Globo conseguiram reeditar um dos seus piores momentos, o escândalo Proconsult, tanto em termos de armação canhestra, quanto de resultados desastrosos. A demonstração de fraqueza que deu deverá custar-lhe caro, em termos de saúde financeira e de influência. 

Janot ficou com a credibilidade em frangalhos. Se antes sonhava com voos mais altos, agora terá de dar-se por feliz se conseguir permanecer no cargo atual até setembro, conforme estipulado. Terá ele sensibilidade suficiente para perceber quão exausta a sociedade brasileira está depois de tantos sobressaltos e de período tão longo de rigores, querendo acima de tudo sair do sufoco, sem mais paciência com relação a quem faz tempestades em copo d’água?  

Fachin até agora não desmentiu que Joesley Batista tenha colocado sua influência e poderio econômico a serviço da campanha dele, Fachin, para tornar-se ministro do Supremo. Se aceitou tomar decisões sobre a delação super-premiada de Joesley, não se declarando impossibilitado de atuar neste caso por dever um enorme favor a uma parte, pode perder não só a relatoria, como a própria condição de ministro. Tem de torcer muito para que Charles De Gaulle estivesse certo ao dizer que o Brasil não era um país sério.

Finalmente, parte da esquerda, ainda presa à narrativa do golpe, embarcou ingenuamente no derruba Temer!, sem sequer perguntar-se o que estava fazendo quando atendeu ao chamado da Globo. Respondo eu: colocando azeitona na empada alheia, ao aceitar servir como força auxiliar numa disputa de poder entre facções burguesas.

A esquerda precisa desistir das mordomias palacianas e reencontrar o caminho das ruas

A lição de casa continua por fazer: 

— uma profunda autocrítica do papel que tem desempenhado nos últimos anos, culminando na derrota acachapante em que se constituiu o impedimento da Dilma; e 

— a retomada da tarefa primordial de organizar o povo para o combate cotidiano ao capitalismo, como etapa necessária no sentido de acumular força para voos maiores.

Para recuperar o protagonismo, precisa ampliar e enrijecer suas fileiras – e muito! A participação destacada nas lutas sociais é bem mais importante para a esquerda neste momento do que vencer quaisquer eleições, inclusive a de presidente da República.

Quanto à derrubada de presidentes, só faz sentido quando se tem um programa alternativo verdadeiramente de esquerda para colocar em prática e as massas organizadas para darem sustentação ao governo popular. 

Como os dois requisitos inexistem neste instante, do ponto de vista de uma esquerda consequente, tentar fazê-lo mesmo assim seria, no mínimo, uma leviandade; afora o risco de fortalecer o inimigo, dando-lhe ensejo para trocar um presidente fraco por um bem mais competente, como decerto seria, p. ex., o FHC..

 

DIANTE DA DESUMANA LEI DA MEDICINA MERCANTILIZADA, FICAMOS FRAGILIZADOS COMO OS PERSONAGENS DO KAFKA…

Já lá se vão quase três anos que sinto dores na lateral do quadril quando caminho. Às vezes são tão fortes que preciso sentar-me durante alguns minutos para amainarem e eu poder retomar a caminhada.


Consultei vários médicos do meu convênio (o menos oneroso para idosos). Fiz fisioterapia, aplicação de pequenos choques, tomei sedativos fracos e fortes. Nada adiantou, exceto acupuntura, que reduz um pouco a intensidade da dor; não cura, mas é melhor do que nada.

O diagnóstico? Artrose, que, segundo um site de saúde, é “uma doença que ataca as articulações promovendo, principalmente, o desgaste da cartilagem que recobre as extremidades dos ossos”.

Fiquei sabendo que existe uma solução clínica: a colocação de uma prótese para substituir a cartilagem que se desgastou. Então, na última consulta, perguntei ao ortopedista se era aplicável ao meu caso. 

— Por enquanto, não. A doença precisa atingir um estágio mais avançado para justificar a cirurgia.

— Mas, doutor, já estou com 66 anos. Logo não poderei mais operar por causa da idade avançada, do risco de vida.

— Infelizmente, a lógica da medicina é outra. O convênio não autorizaria o procedimento cirúrgico agora. Algo assim só é feito quando se torna realmente necessário. Até lá, teremos de continuar administrando o problema, como estamos fazendo. 

De tão kafkiana a situação, fez-me lembrar o conto Diante da lei, um dos que mais aprecio na obra do grande escritor checo. Ei-lo:

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Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo chega a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem do campo reflete e depois pergunta se, então, poderá entrar mais tarde.


— É possível – diz o porteiro – mas agora não.

Uma vez que a porta da lei continua como sempre aberta e o porteiro se põe de lado, o homem se inclina para olhar o interior através da porta. Quando nota isso o porteiro ri e diz:

— Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas, veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala porém existem porteiros cada um mais poderoso que o outro. Nem mesmo eu posso suportar a simples visão do terceiro.

 

O homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele; agora, no entanto, ao examinar mais de perto o porteiro, com o seu casaco de pele, o grande nariz pontudo, a longa barba tártara, rala e preta, ele decide que é melhor aguardar até receber a permissão de entrada. O porteiro lhe dá um banquinho e deixa-o sentar-se ao lado da porta.

 

Ali fica sentado dias e anos. Ele faz muitas tentativas para ser admitido e cansa o porteiro com os seus pedidos. Às vezes o porteiro submete o homem a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe a respeito da sua terra natal e de muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, como as que os grandes senhores fazem, e para concluir repete-lhe sempre que ainda não pode deixá-lo entrar. 

 

O homem, que havia se equipado com muitas coisas para a viagem, emprega tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Com efeito, este aceita tudo, mas sempre dizendo:

 

— Eu só aceito para você não julgar que deixou de fazer alguma coisa.

Durante todos esses anos o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece os outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos amaldiçoa em voz alta e desconsiderada o acaso infeliz; mais tarde, quando envelhece, apenas resmunga consigo mesmo.

Torna-se infantil e uma vez que, por estudar o porteiro anos a fio, ficou conhecendo até as pulgas da sua gola de pele, pede a estas que o ajudem a fazê-lo mudar de opinião.

Finalmente sua vista enfraquece e ele não sabe se de fato está ficando mais escuro em torno ou se apenas os olhos o enganam. Não obstante reconhece agora no escuro um brilho que irrompe inextinguível da porta da lei. Mas já não tem mais muito tempo de vida. 

 

Antes de morrer, todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime, pois não pode mais endireitar o corpo enrijecido. O porteiro precisa curvar-se profundamente até ele, já que a diferença de altura mudou muito em detrimento do homem:

 

— O que é que você ainda quer saber? – pergunta o porteiro. Você é insaciável.

 

– Todos aspiram à lei – diz o homem. Como se explica que, em tantos anos, ninguém além de mim pediu para entrar?

 

O porteiro percebe que o homem já está no fim e, para ainda alcançar sua audição em declínio, ele berra:

 

— Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e a fecho.

NÃO HÁ MEIO TERMO: FACHIN TEM DE SER AFASTADO DO STF OU REINALDO AZEVEDO PROCESSADO COMO CALUNIADOR.

Poderá ser Fachin quem receba o cartão vermelho…

O jornalista Reinaldo Azevedo fez acusações gravíssimas contra o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal:

— quando visitava senadores para angariar apoio à sua pretensão de tornar-se ministro do STF, Fachin teria estado num jantar com Joesley Batista, na mansão do empresário em Brasília, lá permanecendo das 21 horas até as 6 horas do dia seguinte; 

— um dos presentes teria sido o senador Renan Calheiros, que até então não estaria vendo Fachin como um bom nome para o Supremo; 

— depois da longa conversa, Calheiros teria mudado de opinião.

Há mais, segundo RA:

Todo mundo sabe em Brasília que Fachin visitou o gabinete de alguns senadores, quando ainda candidato ao posto, escoltado por ninguém menos do que Ricardo Saud, que vinha a ser justamente o homem da mala da J&F. Era ele que pagava boa parte dos benefícios a quase 2 mil políticos, na contabilidade admitida pelo próprio Joesley.

…dependendo de qual deles consiga botar os pingos nos is.

Ou seja, insinuações à parte, a J&F teria atuado efetivamente em favor da candidatura de Fachin ao Supremo, com este, contudo, não se declarando depois impedido de aprovar a delação premiada dos executivos dessa empresa.

 

Se isto for verdade, Fachin terá descumprido seu dever de distanciar-se de um processo com o qual teria envolvimento de ordem pessoal. 


Pior: desempenhou papel decisivo para que fosse aprovada a criticadíssima delação premiada da J&F, dando ensejo a que sua atuação possa agora ser vista como retribuição do favor prestado por um bandido.

 

Inexistindo um esclarecimento convincente do Fachin, não só sua decisão relativa à delação da J&F teria de ser anulada, como a relatoria do petrolão precisaria trocar de mãos e sua própria condição de ministro do Supremo se tornaria insustentável.


Se, pelo contrário, ele comprovar que tudo não passa de uma falsidade, tem de tomar imediatamente as mais rigorosas providências possíveis contra o autor de tão infamante calúnia.

 

Trata-se de um episódio que clama por esclarecimento cabal e punição exemplar, seja do que terá escondido uma informação que o desqualificaria para uma tarefa importante, seja do que terá espalhado aos quatro ventos uma mentira cabeluda. 

 

A única coisa que não pode é nada acontecer a nenhum dos dois..

O BLOGUE “NÁUFRAGO DA UTOPIA” ATINGE A MARCA DE 2 MILHÕES DE ACESSOS. COM AS PRÓPRIAS FORÇAS E SEM VENDER SUA ALMA.

Por Celso Lungaretti

As visualizações de página do blogue Náufrago da Utopia acabam de chegar à casa de 2 milhões. Não sei dimensionar a importância deste total em termos de blogosfera, mas eis alguns dados para os leitores poderem aquilatar por si mesmos:

— o blogue existe desde 8 de agosto de 2008; 

— tem 3.900 posts publicados; 

— conta com 620 seguidores; 

— vem mantendo nos últimos meses uma média de 1.600 acessos diários; 

— tais acessos provêm principalmente do Brasil (91,4%), EUA (3,7%), Portugal (1,4%) e França (0,5%).

Sejam ou não significativos tais números, a sensação que eles trazem a esta diminuta equipe (eu e os colaboradores permanentes Apollo Natali e Dalton Rosado) é de dever cumprido.

 

No meu caso e no do Apollo, o de continuarmos sendo jornalistas, fiéis à nossa missão de disponibilizarmos a verdade aos cidadãos comuns para que os poderosos não imponham tão facilmente as versões e análises que lhes convêm; e sendo jornalistas independentemente de tais poderosos decretarem nossa morte profissional, a pretexto da idade mas, muito mais, por não gostarem das convicções expressas em nossos textos.

 

No do Dalton, o de difundir uma interpretação do marxismo ainda pouco conhecida, mas que pode desempenhar um papel importante na renovação teórica da esquerda, ainda mais agora que as estratégias e táticas adotadas desde 2003 foram colocadas dramaticamente em xeque pelo impeachment de Dilma Rousseff e pelas circunstâncias nas quais ocorreu.

Também vejo este blogue como uma continuação da luta que outrora iniciei para livrar a comunicação de massa da tutela absoluta dos barões da mídia. Vale a pena explicar melhor.
 

Após minha participação na luta armada ter-me deixado em frangalhos, fui juntar os cacos numa comunidade alternativa, que era também uma forma de manter vivo meu sonho, ainda que a abrangência fosse bem menor.

 

Já não se tratava de desbravar um caminho para o povo, pois aprendera da forma mais sofrida a levar sempre em conta a correlação de forças, que naquele momento era totalmente desfavorável a quaisquer projetos ousados de nossa parte.

 

Mas ao menos podíamos, nós mesmos, praticar em recinto fechado um estilo solidário de vida, ajudando-nos uns aos outros e dividindo o trabalho e seus frutos igualitariamente. Foi o que pensamos e, por alguns meses, conseguimos levar à prática

 

Era, contudo, difícil mantermos algo assim  em meio ao terrorismo de estado que grassava lá fora, com suas atrocidades, injustiças e intolerância. E, como no conto antológico do Poe, a peste invadiu o castelo no qual acreditávamos estar a salvo dela.

 

Quando a nossa comuna se desintegrou, só me restou voltar à vida insípida de quem batalha apenas para garantir a sobrevivência pessoal. Como o jornalismo era uma vocação que se manifestara desde que  comecei a fazer jornais no curso médio para fins de conscientização política, foi o nicho que encontrei na divindade suprema do capitalismo, o deus mercado.

Mas, inconformado em ser apenas uma correia de transmissão de valores nocivos, usava minhas horas de folga para prover o antidoto, em publicações precárias que produzia com companheiros igualmente dados à escrita. 


Eram bancadas por nós mesmos, na esperança de que vendendo para amigos, conhecidos e para o público de nossas palestras e festas, arrecadássemos o suficiente para recuperar o que gastáramos. Nunca aconteceu.

 

Sabíamos que éramos pulgas tentando contrabalançar o estrago produzido pelos mamutes da indústria cultural, essa portentosa máquina de moldar a consciência dos cidadãos, tangendo-os para o conformismo e o consumismo.

 

Mas, tentávamos. Por mais que os resultados ficassem aquém de nossas expectativas, nunca desanimávamos. Era o que podíamos fazer e o fazíamos com enorme carinho. Cruzar os braços, jamais!

 

E é o que o Náufrago hoje faz. Lembrando os versos daquela comovente canção que Sérgio Ricardo compôs nos anos de chumbo, “cada verso é uma semente/ no deserto do meu tempo”.

 

Aqui plantamos as sementes de uma esquerda que reassuma, como prioridade máxima e como sua razão de ser, a organização do povo para o combate sem trégua à exploração do homem pelo homem, até a vitória final.

 

Trata-se do que mais precisa ser feito neste momento e também do mais difícil de se fazer, pois já estão arraigados em nossas fileiras os vícios, a desmobilização e a acomodação resultantes da opção pelas urnas em detrimento das ruas. 

É mais fácil domesticar-se os bravos do que incutir bravura nos domesticados. Ainda mais depois de tantas e tantas décadas desperdiçadas em vãs tentativas de humanizar o capitalismo por dentro, rezando pela cartilha da democracia burguesa (que não passa do arcabouço institucional da dominação capitalista)!

 

É também aqui que tentamos ressuscitar valores como o da generosa solidariedade revolucionária, cada vez mais trocada pela postura egoísta de apoiar-se apenas o próprio partido ou a própria facção, lixando-se para as desgraças de outras forças do campo da esquerda e inclusive para os infortúnios de antagonistas pertencentes à mesma facção.

 

Há, ainda, que restaurarmos a própria moral revolucionária, a nossa, que infelizmente está ficando cada vez mais indistinguível da deles, nestes tristes tempos em que tantos trocam a dialética pelo mais rasteiro utilitarismo.

Aqui plantamos, ademais, a semente do respeito incondicional aos direitos humanos e à preservação do meio ambiente, pois nada, absolutamente nada, justifica os atentados à dignidade dos indivíduos e à sua existência (gravemente ameaçada pela devastação do nosso habitat). 
 

São tudo menos herdeiros de Marx e Proudhon os que se norteiam pela realpolitik, justificando atrocidades e massacres quando perpetrados pelos bons bárbaros contra os maus bárbaros; quem existe para conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização jamais pode transigir com a barbárie, assim como a um religioso é vedado pactuar com o demônio.

 

E aqui tentamos exercitar o pensamento crítico, não deixando jamais de refletir sobre as práticas da esquerda, no sentido de aprimorá-las e de prevenir erros que poderão evidenciar-se desastrosos adiante. Quando a intolerância no relacionamento com as tendências minoritárias se dissemina cada vez mais entre nós, é fundamental restabelecermos o respeito entre companheiros e uma atitude positiva face aos questionamentos válidos. 

 

Até porque erros terríveis foram cometidos nos últimos tempos pelos detentores da hegemonia, os quais quase sempre fecharam os ouvidos às advertências daqueles que se encontravam em minoria… mas estavam com a razão!

De resto, somos os primeiros a reconhecer que as sementes por nós espalhadas frutificarão ou não graças a fatores que vão muito além de nosso idealismo, do nosso tirocínio e dos nossos esforços. 

 

Neste momento da vida só podemos apontar caminhos e dar exemplos, na esperança de que novos combatentes, com o vigor de que já não dispomos, inspirem-se nestas leituras ao decidirem suas linhas de ação.

 

Aos leitores que respeitam nossos esforços, peço: ajudem-nos a divulgar este blogue de resistência, que ninguém patrocina e tão poucos organizados apoiam, mas que prova ser possível sobreviver com as próprias forças (e desnecessário, portanto, vender a alma); e difundam estes textos impregnados de toda nossa experiência de vida e de todas as esperanças que ainda mantemos no futuro da humanidade, para que eles possam atingir seus objetivos…e nós também!

 

A luta continua.

O CRIME COMPENSA: A DOCE VIDA DE UM ALCAGUETE DE LUXO EM NOVA YORK.

Toque do editor

Para os mais politizados, foi (ou deveria ser) extremamente chocante que: 

  • promotores de Justiça tenham recebido de braços abertos um criminoso do colarinho branco que lhes trazia uma gravação ilegal como argumento para convencê-los a aceitarem-no como delator premiado;
  • que nem sequer tenham submetido tal gravação, precária e com gritantes indícios de manipulação, a algum perito qualificado; e
  • que, constatando que ela poderia servir para derrubar um presidente, uma autoridade superior tenha zelado por um item tão melindroso de forma extremamente relapsa a ponto de ele logo alçar voo e aterrissar nas páginas de um grande jornal, virando o País de pernas pro ar (há outras explicações possíveis, claro, mas um jornalista sério não pode afirmar aquilo que não tem como provar…).

Para o público em geral, mais chocante ainda talvez sejam as regalias inusitadas que tal criminoso recebeu, sentimento, aliás, expresso no editorial de outro jornalão:

O mecanismo da delação premiada deve, naturalmente, corresponder ao nome —admitindo sensível redução das penas previstas. O prêmio, todavia, não pode chegar à quase impunidade.

Importa investigar, ademais, os indícios de que o grupo JBS teria alcançado lucros especulativos graças ao impacto das delações. Seria somar a provocação à sem-cerimônia, o cinismo ao insulto.

Daí a relevância deste relato de Isabel Fleck, enviada especial da Folha de S. Paulo a Nova York, sobre a doce vida de corruptos que ajudam a puxar o tapete de presidentes  inclusive porque esquerdistas desnorteados andaram defendendo e heroicizando o alcaguete de luxo (mas que, em termos morais, é pior do que lixo) nas redes sociais. (por Celso Lungaretti)

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JOESLEY VIVE EM DUPLEX DE R$ 51 MIL E FREQUENTA RESTAURANTES DE LUXO EM NY

Ao contrário de suas outras viagens a Nova York, a última passagem da apresentadora Ticiana Villas Boas, mulher do empresário Joesley Batista, pela cidade não teve qualquer foto — com filtro ou sem  nas redes sociais.

É num flat modesto como este que estão vivendo…

O casal costuma fazer bate-voltas para aproveitar alguns dos melhores restaurantes de Nova York, onde tem um apartamento na 5ª Avenida. Mas agora não só eles evitaram a exposição pública como deixaram o dúplex da família antes que fosse revelado, no último dia 18, o áudio em que Joesley grava o presidente Michel Temer numa conversa comprometedora em Brasília.

 

Para escapar da imprensa, o casal e o filho de dois anos se hospedaram num luxuoso flat a duas quadras dali, o Baccarat, em frente ao MoMA (Museu de Arte Moderna), com diárias que chegam a R$ 52 mil. O local fica ao lado da churrascaria Fogo de Chão, um dos lugares preferidos do sócio da JBS na cidade.

 

A rotina do casal em Nova York inclui refinados restaurantes e bares próximos ao seu apartamento, em Midtown e no Upper East Side, a poucos minutos de caminhada.

 

Num deles, o italiano Marea, do chefe Michael White, que fica em frente ao Central Park, é possível gastar US$ 385 (mais de R$ 1.260) em 30 gramas de caviar. O menu completo, com quatro pratos, não sai por menos de US$ 102 (R$ 335) por pessoa.

…o queridinho dos promotores e sua bela esposa.

Um dos lugares preferidos de Ticiana, o exclusivo Polo Bar (da marca Polo Ralph Lauren), só admite a entrada com reserva feitas dias antes  ao menos para clientes comuns.
 

Na carta de vinhos, a grande maioria das garrafas custa mais de US$ 200 (R$ 656), e há opção de mais de US$ 12 mil (quase R$ 40 mil).

 

A rotina de Joesley, com patrimônio individual de R$ 3,1 bilhões segundo a publicação Forbes, e da mulher difere da de endinheirados na cidade americana.

 

VIZINHANÇA — Só entram familiares e amigos mais próximos na cobertura do casal, que fica exatamente ao lado da Catedral de St. Patrick e do Rockefeller Center  dois dos mais famosos pontos turísticos de NY. Não há relato de festas.

 

O apartamento, de três quartos e cerca de 390 metros quadrados, é avaliado em cerca de US$ 15,5 milhões (R$ 51 milhões). O imóvel tem vista comparável à da cobertura, no 58º andar, da Trump Tower, onde mora a primeira-dama americana, Melania Trump, a cinco quadras dali.

Quando não estão se esquivando da imprensa, eles moram aqui.

Nas fotos publicadas por Ticiana em suas contas oficiais, é possível ver, da janela dos Batista, o Empire State, ícone nova-iorquino, e o Rockefeller ao lado.

 

A apresentadora do SBT, que já anunciou que estará afastada da próxima temporada do reality Bake Off Brasil — Mão Na Massa costumava postar fotos suas em caminhadas no Central Park e em ruas de Manhattan. Joesley raramente aparece nos registros.

 

Nos últimos dois anos, o casal aproveitava os intervalos das gravações dos programas de Ticiana para passar dias em Nova York. A última vez havia sido em novembro. Em janeiro, a família foi para a Disney, no estado da Flórida.

 

Quando ela ainda trabalhava na Band como jornalista, função que exerceu até 2015, as passagens dos dois pela cidade eram ainda mais rápidas: o casal embarcava no avião particular de Joesley na noite de 6ª feira e voltavam para o Brasil no domingo.

É isto que nós, brasileiros, merecemos?

Nos últimos dias, Joesley e Ticiana deixaram Nova York para um destino não informado nos Estados Unidos, por razões de segurança, segundo a JBS  o empresário relatou ameaças de morte no Brasil.
 

Na cobertura de Nova York, ainda estão familiares, como José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley, que dirigiu a empresa JBS por mais de 20 anos.

 

A família tem uma casa no nome de Wesley no Colorado, onde fica a sede da JBS USA e o casal foi esquiar em 2016.

 

Joesley veio aos Estados Unidos com autorização da Justiça, após fazer a delação premiada e enviar para Miami um iate de 30 metros de comprimento e três andares.

 

Pelo acerto com a Procuradoria-Geral da República, ele pagará multa de R$ 110 milhões (o mesmo vale para Wesley). Em 2016, o lucro dele com a JBS foi de R$ 103 milhões. O acordo de leniência vive um impasse. Os Batista oferecem R$ 4 bilhões, mas investigadores pedem R$ 11 bilhões. (por Isabel Fleck)

PROCURA-SE PRESIDENTE

Certos janotas estão empenhados demais em puxarem o tapete do presidente Michel Temer, mas há entusiasmo de menos nas ruas pelos nomes cogitados para completarem o atual mandato. 

 

Fala-se em Álvaro Dias, Carmem Lúcia, Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin, Gilmar Mendes, Henrique Meirelles, Nelson Jobim, Rodrigo Maia e Tasso Jereissati. Tenho a impressão de que, após não se formar um consenso em torno de nenhum dos outros, acabaria prevalecendo o sábio da República, benquisto pelas elites, mas que pareceria ao cidadão comum mais do mesmo.

 

Já que as soluções ortodoxas não estão empolgando o povo brasileiro, que tal pensarmos nas heterodoxas?

 

Devolvermos o poder aos portugueses? Eles são burros, mas nem tanto. Agora que começam timidamente a superar a crise econômica, tudo de que não precisam é atrelarem seu destino ao de um país que deveria ser socialista mas não quer e tenta ser capitalista mas não consegue.  

 

Confiarmos nosso destino a Deus? O risco seria Ele concluir que isto aqui não tem mais jeito e convocar o Noé.

Cardozo está tentando ser o 5º cavaleiro do apocalipse?

Restaurarmos a monarquia? Seria uma boa se tivéssemos a sinceridade de admitir que quem manda mesmo é o poder econômico e presidente da República só serve para cuidar das miudezas e garantir boquinhas para seu partido, para partidos aliados, para parentes, apaniguados, cupinchas e uma infinidade de outros parasitas. Caindo esta ficha, pensaríamos em alguém para, pelo menos, desempenhar com elegância as funções cerimoniais. Por que não Dom Luís Gastão de Orléans e Bragança? 
 

Empossarmos a Dilma de volta? É o que o hilário José Eduardo Cardozo tenta obter com um pedido de liminar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Pretende que, por meio de uma mera decisão monocrática, Moraes torne sem efeito toda aquela maratona de votações na Câmara Federal e no Senado supervisionada pelo próprio STF, iniciando uma batalha jurídica que, levada às últimas consequências, estabeleceria o pior conflito de Poderes da nossa história republicana.

Ainda bem que ninguém sério leva o Cardozo a sério!